Bioma Pantanal, o reino secreto das águas

No coração da América do Sul há um mundo secreto, com diversidade animal e vegetal, rodeado de lendas e mitos. O bioma Pantanal é o detentor de uma das maiores áreas úmidas continentais do planeta, que o caracteriza como o reino das águas.

Como nasceu a maior área úmida continental do planeta

Antigas tradições indígenas dizem que a região pantaneira era um grande oceano, o Mar de Xaraés, que foi sendo drenado por meio do escoamento de suas águas pela bacia do Prata ao encontro do oceano Atlântico.

Mas especialistas desacreditam desse mito. Para eles, ao contrário de uma depressão cheia de água, o Pantanal era uma abóboda, ou seja, sua cobertura era encurvada para cima, parecendo um imenso morro de terra.

Há mais de 60 milhões de anos, essas formas se inverteram, tornando-se em uma bacia côncava. Um imensa planície passou então a captar as águas que antes distribuía para as áreas adjacentes. E assim formava-se a maior, a mais rica e a mais bela extensão de área alagável do planeta.

Dividido em 10 regiões diferentes, 62% do bioma Pantanal está no Brasil, em MS e MT, e os outros trechos ficam na Bolívia e no Paraguai.

Em MS estão os pantanais do Nabileque, do Abobral, de Aquidauana, do Miranda e da Nhecolândia. Nas outras regiões, encontram-se os pantanais de Cáceres, Poconé, Barão de Melgaço,  Paraguai e Paiaguás.

Todos eles têm suas especificidades e se diferenciam por características de vegetação, relevo, tipo de solo, flora e fauna.

A presença dominadora do rio Paraguai é o traço que une os Pantanais

É o rio Paraguai que alimenta e multiplica as manifestações de paisagem e de vida desta planície.

Em temporadas de chuva, as águas do rio Paraguai aumentam subitamente e alagam o bioma Pantanal

Em temporadas de chuva, as águas do rio Paraguai aumentam subitamente e transbordam. Durante essa época, são despejados 180 milhões de litros por dia nos rios pantaneiros, momento em que 175 rios, igualmente cheios, desaguam no rio Paraguai, formando um espetáculo das águas e deixando 80% da área alagada, tornando o bioma Pantanal uma paisagem única no planeta.

Em MS, os maiores rios em extensão são o Miranda (490 km), Taquari (480 km), Coxim (280 km) e o Aquidauana (570 km). Os menores, Apa, Negro, São Lourenço e rio Vermelho, que também compõem o Pantanal Sul.

Mas todo o complexo úmido do Pantanal é formado por bacias, cordilheiras, salinas, vazantes e corixos, que caracterizam toda a região, sendo diferentes em si.

A vida segue o ritmo das águas

Animais se adaptam ao ciclo de seca e cheias, pois depois dos meses de água, com a escassez da chuva, é possível enfim ver a superfície do Pantanal.

Tucano bebendo água
Foto: Fábio Paschoal

À medida em que o Pantanal recolhe suas águas e a terra se enxuga, alguns animais passam a ser ameaçados, podendo morrer aprisionados em lagoas que secam.

Por outro lado, essa estação  beneficia outras espécies, que conseguem alimentos com maior facilidade, aproveitam para acasalar e armazenar energia para o reinício do ciclo, quando as chuvas voltam.

É também nesse período que as árvores nativas florescem e o Pantanal se torna uma explosão de cores.

Essa alternância entre a cheia e a seca faz com que o Pantanal consiga abrigar uma grande diversidade de fauna, tanto terrestre quanto aquática.

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Além de deixar o nosso coração orgulhoso por ser um Patrimônio Nacional pela Constituição Federal e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera pelas Nações Unidas (ONU).

Os impactos que provocam alterações no Bioma Pantanal

No planalto está a maior parte das nascentes dos rios que alimentam o Pantanal. Nessas regiões, a pecuária e a agricultura estão destruindo matas, secando nascentes e assoreando rios, assim como a instalação de hidrelétricas na região, que podem provocar alterações no fluxo das águas.

Agora que entendemos os caminhos das águas e a sua importância, precisamos proteger as nascentes que mantêm os ciclos de cheias e vazantes e, para isso, adaptar as atividades econômicas para que se tornem mais sustentáveis é essencial.

 

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