A 180 km de Campo Grande, Nioaque está localizada na região sudeste de Mato Grosso do Sul.
Alcançando quase 15 mil habitantes, o pequeno município do interior é uma das cidades mais
antigas do estado, com 170 anos, e agrega 10 assentamentos e quatro aldeias indígenas.

Passou por duas invasões durante a
Guerra do Paraguai
e tornou-se um dos principais patrimônios culturais do estado atualmente.
Segundo populares, o município teria hospedado pessoas importantes no cenário da guerra.
Para simbolizar a história ali vivida, na praça central estão recordações como um canhão e o
Monumento dos Heróis da Retirada da Laguna, reverenciando a bravura dos que lutaram pelo país, afirmando que nenhum soldado tombou em vão.

Seu nome deriva da palavra tupi-guarani Anhuac, que significa “clavícula quebrada”, em português. Antes, esse era também o nome do rio que banha a cidade, hoje conhecido como Nioaque. Antigamente sua grafia era “Nioac”.

Com o tempo, isso mudou e hoje a cidade é apelidada de “Cidade das vogais”, pois leva em seu nome todas as vogais.

Outra curiosa peripécia na região é a escultura de dinossauros localizada logo na entrada da cidade, que também ficou conhecida como Vale dos Dinossauros, em razão das espécies que antes habitavam o lugar. A escultura foi produzida pelo artista plástico João Xavier, no trevo de entrada de Nioaque, e desperta o interesse de quem chega à cidade pela BR-160.

O maior dinossauro da escultura é uma fêmea com cerca de 3 metros de altura e 2,5 toneladas, uma réplica de um abelissauro, o mesmo que pode ter deixado fósseis à beira do rio Nioaque há cerca de 140 milhões de anos. Com ela, estão os seus filhotes, saindo dos ovos embaixo de um ipê-rosa.

Desvendando o Vale dos Dinossauros

A escultura de dinossauros que dá as boas-vindas a quem chega já revela um lugar, no mínimo, curioso. Em Nioaque existem pegadas supostamente deixadas por dinossauros há cerca de 140 milhões de anos, o que tornou o extinto animal o símbolo local, que já é considerado por estudiosos como o segundo maior vale dos répteis pré-históricos da América Latina, atrás apenas da cidade de Souza, na Paraíba.

Ao percorrer o rio Nioaque, estudiosos observaram as formações rochosas e as pegadas encontradas para conhecer mais sobre os animais que habitaram o lugar no passado. Além da descoberta de outros sítios arqueológicos, eles comprovaram que o município pertenceu ao maior deserto que já existiu na Terra.

Todos esses vestígios históricos despertam o interesse do poder público para a indispensável preservação da área, que faz parte do roteiro do Geopark Bodoquena/Pantanal, em fase de implantação, mas, mesmo não concluída, a instalação já dispõe de atividades de cunho educacional, envolvendo principalmente a escolas de Nioaque.
Foto Geopark Pantanal
Quando finalizado, o Geopark Bodoquena/Pantanal será um lugar de recepção aos turistas e pessoas da cidade, com um museu com a temática dos dinossauros e ciências da terra.

Mas quem são os dinossauros de Nioaque?

Inicialmente, as pesquisas indicaram que as pegadas teriam sido deixadas no período Cretáceo por dinossauros bípedes de postura ereta, como os ornitópodes. Porém, também existe a possibilidade de se tratarem de rastros de terópodes, cujo exemplar popularmente conhecido é o tiranossauro.

O local foi descrito pela primeira vez no final da década de 1980 pelo professor Gilson Martins, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Em outubro de 2010, Martins e outros três pesquisadores publicaram em revista científica um artigo listando os fósseis e afloramentos conhecidos no Estado, entre esses o sítio paleontológico que fica a 2,7 quilômetros a jusante da ponte sobre o rio Nioaque.

Mais rastros foram encontrados e até cientistas europeus vieram visitar o local e confirmaram a importância da descoberta. Estudos mais aprofundados são necessários para que se chegue a uma conclusão mais acertada.

Mas, além de ajudar a contar a história do planeta, a questão abre possibilidades para o turismo científico e, ainda, pode desenvolver a economia local e até ajudar na popularização da ciência, de maneira geral. Assim, a gente espera.

| Mato Grosso do Sul, Oriente-se

Nome:
Email:
Site:
Escreva seu comentário: