Aquela placa que nos alerta sobre a presença de animais na pista não está ali por acaso.

Em nossa recente ida até Piraputanga, foi inevitável o questionamento sobre os motivos de tantos animais mortos das rodovias.

Faltam cuidados? Fiscalização? Estradas adaptadas?

Estima-se que cerca de 15 animais sejam mortos a cada segundo nas estradas do Brasil, ou seja, 475 milhões de animais são atropelados a cada ano nas rodovias brasileiras, conforme dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE).

Informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) do ano de 2017 revelam que 2% de todos os acidentes que aconteceram no Brasil são em decorrência de atropelamento de animais.

Além da vida do animal, esses acidentes causam capotamento, incêndio, queda dos ocupantes para fora do veículo, sequelas permanentes ou morte.

Segundo a PRF, as duas rodovias com maior número de acidentes são as BRs 101 (1079 atrop.) e 116 (1053 atrop.), duas rodovias que cortam o Brasil de Norte a Sul.
Mas a BR-262, em Mato Grosso do Sul, é a terceira rodovia com maior número de ocorrências.

Atropelamentos são a fauna pedindo licença

Os números de atropelamentos são alarmantes em várias rodovias de Mato Grosso do Sul.

Parte dos animais atropelados passa despercebida, por ser de pequeno ou médio porte. Mas também destacam-se nos ranking os mamíferos de grande porte ou ameaçados de extinção, como a anta brasileira, o cachorro-do-mato e o tamanduá-bandeira.

As rodovias impactam em até 500 metros a partir de sua borda, e dependendo da região, o animal precisa de mais ou menos espaço para viver, alimentar-se e reproduzir-se.

Quando esses animais se deparam com uma estrada, eles acabam se assustando e ficando com medo de passar, o que o deixa delimitado naquele espaço.

Estrada adaptada para diminuir atropelamentos de animais

Para diminuir os atropelamentos de animais, é preciso dividir responsabilidades e pactuar soluções viáveis para prevenção e mitigação de acidentes com esse bichinhos nas estradas.

As medidas de proteção à fauna perto de rodovias são amplas e envolvem a implementação de dispositivos e iniciativas educativas e de fiscalização dos usuários.

Passagens locadas em pontes ou galerias; passagens superiores; túneis; ecodutos; corredores ecológicos; redutores de velocidade; sinalização viária; e cercas de direcionamento em tela de arame galvanizado são sistemas que podem reduzir o número de atropelamentos da fauna no local e garantir também a segurança dos condutores.

O que fazer ao avistar um atropelamento de animal na estrada:

Reduza a velocidade, estacione com segurança, ligue o pisca-alerta;
Não permita que crianças desçam do carro para ver o animal na pista;
Evite contato com animal, pois ele pode transmitir doenças e parasitas;
Se o animal estiver vivo, tente não transportá-lo;

Informe à polícia rodoviária, polícia florestal ou a concessionária da rodovia.

A nossa parte como condutores de veículos nas estradas é a conscientização, com um comportamento preventivo e de colaboração da sociedade, tanto para a conservação da fauna quanto para a nossa segurança.

Pelo fim dos atropelamentos

Com significativa atuação para a conservação das antas no Cerrado, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (Ipê) começou, em 2014, um monitoramento na MS-040, a Rodovia da Morte. Neste momento, o instituto busca a participação da sociedade na petição pública “Pelo Fim dos Atropelamentos da Fauna na Rodovia MS-040, em que solicita atuação dos órgãos responsáveis para impedir mais atropelamentos. Participe e compartilhe para que mais pessoas possam ajudar a cuidar da nossa biodiversidade!

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