Assim como o som da seriema, o canto nada harmonioso do aracuã-do-pantanal não passa despercebido pelo bioma.

Com uma vocalização alta e forte, os casais e grupos familiares do aracuã-do-pantanal gritam seu chamado.

Ao começar a cantoria, pouco a pouco, outros começam a responder, espalhando-se por toda a região.

O som do aracuã é produzido pelo ar que passa pela traqueia, que no macho é maior e produz um som mais grave que a fêmea.

Nas manhãs e nas tardes, o som do canto do aracuã é dominante e pode ser ouvido com nitidez.

Ribeirinhos descrevem o canto do macho como “quero matar”, com a resposta da fêmea: “quero casar”.

Ave do Pantanal é parecida com galinha

Parecido com a galinha, o aracuã-do-pantanal vive em bandos e usa bico, asas e pés em brigas.

Pertencendo à classe dos galiforme e à família dos Cracidae, o aracuã-do-pantanal é bastante conhecido na região pelos nomes de araquã ou aranquã.

Seu nome científico (Ortalis canicollis) tem origem no termo grego ortalis, que quer dizer galinha; e também do termo latino canus, que significa cinza; e collum, ecollis, que significa pescoço.

Photo credit: Blake Matheson on VisualHunt / CC BY-NC

E tudo isso quer dizer: galinha de pescoço cinza.

Com cerca de 50 a 56 cm e pesando em torno de 60 gramas, o aracuã-do-pantanal tem como destaque a longa plumagem da cauda, com penas laterais em tons de marrom avermelhado, contrastando com o acinzentado das demais partes.

Sua nuca e cabeça apresentam coloração cinza, enquanto a testa é negra, contando com o olho em pele vermelha.

Durante voos, o aracuã costuma deixar a cauda entreaberta, permitindo melhor visibilidade dessa característica.

Suas asas são arredondadas e pequenas, causando a necessidade de batê-las com grande intensidade para conseguirem cruzar maiores distâncias.

Apesar disso, o aracuã atravessa os rios do Pantanal sem sacrifícios.

Inclusive a ave prefere as alturas e desce pouco até o solo, alimentando-se de folhas, frutos, sementes e flores, além de lagartas.

No período de seca, quando as árvores ficam sem folhas e florescem (como os ipês), é possível ver os aracuãs comendo flores nas pontas dos galhos nus.

Vivendo em bandos de até 30 indivíduos, os aracuãs ficam nas galharias à procura de frutos, defecando as sementes e atuando como grandes dispersores.

O período reprodutivo do aracuã é de agosto a fevereiro.

Eles fazem ninhos com galhos, cipós e folhas, em formato de plataforma e material pouco organizado.

Pertencendo à classe dos galiforme e à família dos Cracidae, o aracuã-do-pantanal é bastante conhecido na região pelos nomes de araquã ou aranquã.
Photo credit: Free pictures for conservation on VisualHunt.com / CC BY-NC-SA

Ficam em árvores ou arbustos com folhagem densa, de 2,5 a 4 metros de altura, onde são postos 4 ovos alaranjados ou de cor creme escuro, que chocam por 28 dias.

Depois de um ou dois dias do nascimento, os filhotes emplumados já voam, acompanhando os pais ou grupo pelas árvores.

Durante a noite, dormem ao lado de um adulto, que os protege com as asas entreabertas.

Caçadores imitam canto para atrair aracuã

Por ser muito apreciado na caça, o aracuã-do-pantanal é frequentemente atacado, e caçadores até buscam imitar seu canto para atraí-lo.

Porém, quando não é perseguido, habita as áreas próximas às casas e pode até frequentar a região das residências pantaneiras.

A espécie ocorre da Bolívia à Argentina e, no Brasil, na região sudeste de Mato Grosso e oeste de Mato Grosso do Sul.

No exterior, ele é conhecido como Chaco Chachalaca.

Infelizmente, mais uma vez, terminamos lembrando que a degradação de habitats coloca em xeque a conservação dessas aves de grande porte, responsáveis pela disseminação de sementes e renovação das matas.

Continue vendo...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *