Os municípios de Mato Grosso do Sul são especialmente conhecidos por suas flutuações em rios de águas cristalinas, não por suas cavernas.

Pesquisas mostram que isso pode mudar.

De olho na preservação por meio do conhecimento, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mantém uma ampla base de dados com a localização de cavernas no território nacional atualizada, desde 2006.

O anuário é usado como referência para orientação ambiental de atividades que podem impactar o patrimônio de cavidades naturais, as cavernas, do Brasil.

Na mais recente atualização de dados, disponíveis até dezembro de 2018, foi registrada a existência de 18.358 cavernas.

Os dados geoespacializados dos Biomas brasileiros foram disponibilizados pela Coordenação de Zoneamento Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA), na escala compatível de 1:1.000.000, categorizados em 06 unidades:

  • Amazônia
  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Pantanal
  • Pampa

Com a geoespacialização dos dados é possível constatar que 9.177 (50%) das cavernas conhecidas no Brasil encontram-se no Bioma Cerrado.

Já o Pampa e o Pantanal abrigam menos de 1% delas, com 59 e 16 cavernas, respectivamente.

O estudo completo traz dados sobre 18.358 cavernas brasileiras registradas no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie) até dezembro de 2018.

Entre todas Unidades da Federação, Minas Gerais, com 7.622 cavernas, é o estado brasileiro com o maior número de cavernas conhecidas, seguido pelo Pará, com 2.630; Bahia, com 1.367; e Rio Grande do Norte, com 1.047 cavernas.

As informações do anuário também estão divididas em bacias hidrográficas, biomas, solos e unidades de conservação, além da proximidade das cavernas com rodovias, ferrovias, assentamentos rurais, mineração, petróleo, usinas hidrelétricas e linhas de transmissão.

Um dado que nos chama a atenção é que 65% das ocorrências de cavernas estão fora de unidades de conservação (UCs).


Cavernas em Mato Grosso do Sul

Além de referência para banhistas, lugares como Bonito, Bodoquena e Jardim também se exibem debaixo da terra.

Atualmente já estão cadastradas na Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) 112 cavernas na Serra da Bodoquena.

Passeio em Bonito pela Gruta São Mateus

Porém, informalmente, estima-se que esse número ultrapasse as 300 cavidades, pelo Parque Nacional da Serra da Bodoquena, que possui 76,4 mil hectares.

O parque tem muitas montanhas de rochas calcárias, campos alagados e cerrados e contempla os municípios de Bonito, Jardim e Bodoquena.

A cidade de Bodoquena tem 14 grutas listadas no Cadastro Nacional de Cavernas (CNC – Brasil), sendo a Gruta Dente de Cão, localizada no Canaã, a segunda maior do estado, e Gruta do Clarão, a menor.

Uma das cavernas mais procuradas na região de Bodoquena, por ter uma trilha íngreme, é a Gruta do Urubu-Rei, localizada na região do Distrito de Morraria Sul. A gruta tem esse nome pela grande concentração dessas aves.

Em Bonito, o Abismo Anhumas destaca-se como um dos maiores polos de ecoturismo da América do Sul, que, de cima, não é possível imaginar a imensidão da caverna.

Outras cavernas que se destacam são a Gruta de São Miguel e a clássica Gruta do Lago Azul, cartão-postal do município sul-mato-grossense, conhecida por seu lago interior de 90 metros de profundidade.

Grande parte de grutas e cavernas de Mato Grosso do Sul localiza-se na região norte do Estado, conhecida como Rota Norte.

É possível buscar pelas cavernas de Mato Grosso do Sul no site da ICMBio.

Algumas das grutas citadas estão em estudo para fim de visitação, mas, até o momento, algumas não têm autorização para atividades turísticas.

Por que cuidar das cavernas?

São tantos estudos e cuidados com as cavernas porque não faltam motivos para protegê-las.

As cavernas armazenam estrategicamente água, auxiliando a manutenção de aquíferos, importantes para o abastecimento de uma região.

Vários exemplares da fauna e flora vivem nas cavernas, único local da sobrevivência deles, por isso, a importância de serem preservados.


As cavernas também protegem minerais raros ou formações geológicas extraordinárias.

Algumas cavernas são usadas para a prática esportes de aventura e turismo.

É possível encontrar fósseis de seres vivos que existiram há muito tempo e mesmo de atividades humanas. São os chamados sítios paleontológicos e arqueológicos.

Podemos observar nelas estruturas que guardam informações de como era o ambiente, seu clima e atividades de seres vivos em tempos passados.

As cavernas podem ser cultuadas pela sua beleza, por lendas, mitos ou significado religioso.

Caramba! É bom a gente começar a cuidar melhor, né?

O importante é que ainda há muito para conhecer e descobrir. E que a gente consiga preservar!


Anuário estatístico do patrimônio espeleológico brasileiro

| Mato Grosso do Sul

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