A viola de cocho é um instrumento musical já reconhecido como patrimônio imaterial, típico do Pantanal nos estados de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, intrinsecamente associado ao cururu e siriri.

O polo de referência da produção e difusão do universo cultural da viola de cocho está em Mato Grosso, pois boa parte dos cururueiros de Corumbá e de Ladário, em Mato Grosso do Sul, migraram de muitas localidades pelo Rio Paraguai acima, antes da divisão dos estados.

Porém, as fronteiras geopolíticas não necessariamente dividiram as fronteiras culturais, e a criação do Estado de Mato Grosso do Sul não resultou na descontinuidade da cultura de tradições enraizadas muito antes do fato político.

Conheça mais desse som pantaneiro

Com forma e sonoridade singulares, a viola de cocho possui cinco ordens de cordas, com duas possibilidades de afinação.

Da vibração, vem a base para o siriri e o cururu – ritmos tradicionais do Pantanal.

E a poesia vai além do som, pois somente mestres artesãos modelam a viola de cocho de madeiras inteiriças, tanto para uso próprio como para atender à demanda do mercado local

O instrumento musical típico do Pantanal possui cinco cordas, cintura fina, quadris largos, caixa fechada e braço curto, e a arte de esculpi-lo hoje é dominada apenas por alguns poucos violeiros de idade avançada.

O nome viola de cocho veio a partir da técnica de escavação da caixa de ressonância da viola em uma tora de madeira inteiriça, mesma técnica utilizada na fabricação de cochos (recipientes em que é depositado o alimento para o gado).

No cocho já talhado no formato de viola é onde são afixados um tampo e, em seguida, as partes que caracterizam o instrumento, como cavalete, espelho, rastilho e cravelhas.


A confecção, artesanal, determina variações observadas de artesão para artesão, de braço para braço, de forma para forma.

Modo de fazer viola de cocho

A viola de cocho é fabricada artesanalmente a partir da madeira de diferentes espécies da flora regional, como sarã de leite, sarã d`água, pau de abóbora, embiriçu, urucuana, entre outras.

O artesão, em geral o próprio tocador, usa um molde para riscar a madeira. O tronco é escavado como um cocho até que as paredes fiquem lisas e finas.

Foto: Acervo IPHAN

O braço é curto, possui uma paleta inclinada, com ângulo acentuado.

A viola de cocho é composta por diferentes partes: cavalete, pestana, cravelhas, cordas e os pontos de barbante encerado.

A maioria das violas possui cinco cordas, mas pode variar, assim como o orifício no tampão.

Antigamente, as cordas da viola de cocho eram produzidas de vísceras de animais, mas hoje incorporam as linhas de náilon ou de metal.

Os materiais utilizados tradicionalmente para a confecção da viola de cocho são encontrados no ecossistema regional, correspondendo a tipos especiais de madeiras para o corpo, tampo e demais detalhes do instrumento;

As violas de cocho podem ser decoradas, desenhadas a fogo e pintadas, ou mantidas na madeira crua, envernizadas ou não.

As fitas coloridas amarradas no cabo indicam o número de rodas de cururu em que a viola foi tocada em homenagem a algum santo – que possui, cada qual, sua cor particular.

O Modo de Fazer a Viola de Cocho foi registrado, pelo Iphan, no “Livro dos Saberes”, em 2005, criado para receber os registros de bens imateriais que reúnem conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades.


Hoje, as viola de cocho são vendidas para lojas dos estados do Sul e do Sudeste do país, mas também já chegaram à França, Grécia, Portugal, Espanha e EUA.

Vooooa, Pantanal!

| Mato Grosso do Sul

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