O urutau (Nyctibius griseus) é uma ave típica do cerrado que também é conhecido como mãe-da-lua.

Apesar de não estar em extinção, ver o urutau na cidade é bastante raro, pois ele busca se camuflar em tocos de árvore ou postes e não está acostumado ao convívio urbano.

Da ordem Nyctibiiformes da família Nyctibiidae, além de mãe-da-lua, o urutau também é chamado de urutágua, kúa-kúa e uruvati.

O comportamento social do urutau é basicamente noturno. A espécie tem entre 33 e 38 centímetros de comprimento e apresenta plumagem de tons distintos que variam entre o cinza e o marrom, tendo em seu peito um desenho negro compactado.

De uma maneira geral, os urutaus fogem dos padrões de aves com que estamos acostumados a ver.

Foto: Antonio Marin Jr

A sua cor parda permite-lhe adaptar-se perfeitamente ao galho de uma árvore, passando completamente despercebido.

Este seu disfarce associado a uma perfeita imobilidade protegem-no dos seus predadores e permitem-lhe caçar as suas presas com facilidade.

Insetos noturnos, mariposas, cupins, besouros e invertebrados em geral servem de alimento para o urutau.

O filhote de urutau é coberto com plumagem branca e tons rosados e, ainda com sua “roupa de algodão”, já se aproveita de sua camuflagem. Imitando os pais, adota a postura característica de sua espécie, “de olho para a lua“.

O urutau tem a cabeça chata, olhos grandes e muito vivos, além da boca rasgada de tal forma que os seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos, tornando-se boa aliada para capturar insetos em voo.

Sob os olhos, o urutau tem um chumaço de penas, mas, ao abri-los, essa saliência praticamente desaparece.

Em época de reprodução, a fêmea bota um ovo salpicado, numa cavidade natural do extremo de um tronco de árvore e choca em posição ereta.

Tanto macho quanto fêmea incubam o ovo por cerca de 33 dias.

O “olho mágico” do urutau

Os olhos enormes são impossíveis de não notar, afinal, grandes globos oculares têm muita utilidade para animais de vida noturna, favorecendo uma considerável entrada de luz no cristalino, permitindo que as imagens sejam melhor visão na escuridão.

Foto: Internet

Entretanto, a característica que mais chama a atenção no urutau é também uma das adaptações mais curiosas encontradas na avifauna brasileira.

O urutau pode enxergar tudo o que se passa nas imediações de seu poleiro, mesmo com os olhos fechados!

Notou-se que, quando o urutau fecha os olhos, ficam em sua pálpebra superior duas fendas pelas quais a ave é capaz de observar os arredores de “olhos fechados”, ou seja, sem abrir as pálpebras; têm, pois, o efeito de um “olho mágico”.

Essa característica não é conhecida em nenhuma outra ave e torna-se ainda mais útil para sua já eficiente camuflagem ao lembrarmos que “o bulbo saliente do olho e a arrumação compacta das penas acima dele permitem a visão para cima e para trás, sem necessidade de mexer a cabeça”.

Canto do urutau provoca espanto e piedade

Tido como nobre por moradores rurais por simbolizar força e pela forma como se protege dos perigos e dos predadores camuflando-se, o urutau emite um canto que figura lendas.

Conforme os sertanejos, o urutau aparece na hora em que a lua nasce e seu canto triste se assemelha a “foi, foi, foi…” , comparando-o com um lamento humano.

A voz de lamúria e a perfeita camuflagem conferem ao urutau um caráter misterioso e inacessível a nós.

Essas qualidades enigmáticas despertam curiosidades e conclusões sobre suas qualidades, sempre fora das leis naturais, como a lenda de preservar as seduções de moças jovens, entre outras.

O folclore e as lendas do urutau

O folclore de Mato Grosso do Sul gira em torno de muitas lendas, assim como boatos e histórias também rodeiam emblemático e misterioso o urutau, cujo nome – bom lembrar – é tupi e significa “ave-fantasma”.

Existe uma lenda de que as penas da cauda do urutau protegem a castidade. Por isso, a mãe varre debaixo das redes das meninas com uma vassoura confeccionada com estas penas.

Outra famosa lenda que envolve a ave diz respeito à bela filha de uma cacique, apaixonada por um guerreiro da mesma tribo.

Ambos se amavam, mas, ao saber do romance, o pai da moça se enfureceu de ciúmes e resolveu matar o pretendente.

Em estado de choque, a jovem indígena ameaçou contar tudo à comunidade e, por isso, o seu pai a transformou em uma ave noturna para que ninguém descobrisse a verdade.

Porém, a voz da menina passou à ave e, durante as noites, ela sempre chora a morte de seu amado com um canto triste e melancólico.

Muito ainda creem que “carta de amor escrita com pena de urutau tem sempre resposta favorável” ou associam a sua presença como má sorte ou mau agouro.

O urutau habita o cerrado, a orla da mata, campos com palmeiras e árvores e, com certeza, é uma das aves mais interessantes da fauna brasileira.

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