Ariranha: tudo sobre a maior lontra do mundo (e onde vê-la no Pantanal)
Vida Selvagem

Ariranha: tudo sobre a maior lontra do mundo (e onde vê-la no Pantanal)

29 de abril de 2022 6 min de leitura 0 visualizações

Não é à toa, Mateiro, que a ariranha (Pteronura brasiliensis) é considerada a maior lontra do mundo. Vem descobrir por quê.

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Existe um animal no Pantanal de Mato Grosso do Sul que pode chegar a dois metros de comprimento, pesar 34 quilos, mergulhar em alta velocidade atrás de uma piranha e ainda expulsar uma onça-pintada da beira do rio com suas vocalizações. Esse animal é a ariranha — e não é exagero chamá-la de gigante das águas.

A ariranha (Pteronura brasiliensis) é a maior lontra do mundo, também conhecida como lontra-gigante ou onça-d’água, apelido que vem exatamente do tupi-guarani ari’raña, que significa “onça d’água”. O nome diz tudo sobre o respeito que esse animal inspira no ecossistema pantaneiro.

O que é a ariranha e por que ela é tão especial

A ariranha é um mamífero semiaquático da família Mustelidae — a mesma família das lontras, furões e martas. Mas dentro dessa família, ela é um caso à parte: nenhuma outra espécie de lontra no mundo chega perto do seu tamanho.

Com até dois metros de comprimento e 34 kg de peso, ela domina os rios e corixos do Pantanal com uma combinação de agilidade, inteligência social e ferocidade quando necessário.

Uma das suas marcas mais curiosas é a mancha clara no pescoço e no peito — única para cada indivíduo, assim como as manchas da onça-pintada. Pesquisadores usam essas manchas para identificar e monitorar cada animal individualmente em campo.

Comportamento: sociável, barulhenta e inteligente

A ariranha é uma das espécies de mamíferos mais sociais da América do Sul. Vive em grupos de 3 a 20 indivíduos, geralmente formados por um casal reprodutor e jovens de diferentes gerações. Dentro do grupo, todos cooperam: na caça, no cuidado dos filhotes, na defesa do território.

São animais diurnos, o que facilita muito o avistamento para quem visita o Pantanal. Ao longo do dia, é comum vê-las caçando, brincando na beira dos rios ou descansando em troncos caídos dentro da água.

A comunicação entre elas é surpreendentemente complexa: já foram registradas 22 vocalizações diferentes, cada uma com uma função específica — alertas, chamados de reunião, sinais de alarme. O barulho que um grupo de ariranhas faz é inconfundível e costuma ser o que anuncia a presença delas antes mesmo de você vê-las.

Apesar do comportamento cooperativo dentro do grupo, as ariranhas são territoriais: grupos diferentes se evitam e os encontros entre eles podem gerar confrontos vocais intensos.

O que a ariranha come

Como excelente nadadora e mergulhadora, a ariranha é uma predadora eficiente no ambiente aquático. Possui membranas entre os dedos e cauda achatada que funcionam como leme e propulsor dentro da água.

Sua dieta é baseada principalmente em peixes — pode consumir até 3 kg por dia. Mas o cardápio vai além: caranguejos, moluscos, cobras, tartarugas e até jacarés pequenos podem ser presas ocasionais.

E sobre a onça-pintada? Sim, existem registros documentados de grupos de ariranhas expulsando onças-pintadas das margens dos rios, usando vocalizações agressivas e postura ameaçadora. Não por coincidência, o apelido “onça-d’água” foi muito bem escolhido.

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Reprodução da lontra-gigante

As fêmeas se reproduzem até os 11 anos de idade; os machos, até os 15. A gestação dura cerca de 60 dias, e podem nascer de 1 a 5 filhotes por vez.

Os filhotes nascem dentro de tocas escavadas nas margens dos rios e só saem com cerca de 9 meses de idade. Permanecem com o grupo familiar até os 3 anos — quando estão prontos para sair e formar um novo grupo.

Na época reprodutiva, as fêmeas ficam mais agitadas e menos tolerantes a brincadeiras. É um comportamento que os guias de campo aprendem a reconhecer para não perturbar o grupo nesse período.

Por que a ariranha está ameaçada de extinção

A ariranha está classificada como “Em Perigo” pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e como “Vulnerável” pela lista nacional do ICMBio. Dois fatores principais explicam essa situação:

Destruição de habitat: o desmatamento e a degradação das margens dos rios eliminam os locais de abrigo, alimentação e reprodução das ariranhas. Sem áreas ripárias preservadas, os grupos não conseguem se estabelecer.

Contaminação da água: o uso de agrotóxicos e o garimpo ilegal contaminam os rios com metais pesados — especialmente mercúrio —, que se acumulam nos peixes e chegam às ariranhas pelo que comem.

Além disso, o conflito histórico com pescadores, que as viam como competidoras e as caçavam pela pele, reduziu drasticamente as populações em vários estados brasileiros ao longo do século 20.

O Pantanal sul-mato-grossense hoje é um dos poucos lugares onde a espécie ainda existe em densidade razoável — o que torna o bioma ainda mais valioso para a conservação da ariranha.

Ariranha vs. lontra: qual é a diferença?

É uma dúvida comum, especialmente porque as duas espécies são encontradas no Pantanal. Apesar de serem da mesma família (Mustelidae), ariranha e lontra *(Lontra longicaudis)* têm diferenças claras:

Ariranha | Lontra |

Nome científico | Pteronura brasiliensis | Lontra longicaudis |
Tamanho | Até 2 m / 34 kg | Até 1,2 m / 15 kg |
Hábito | Diurna | Noturna |
Grupo | Vive em grupos | Mais solitária |
Marca física | Mancha branca no pescoço | Sem mancha característica |

A diferença de tamanho é o marcador mais fácil no campo. Se o animal for grande, sociável, barulhento e estiver ativo durante o dia: é ariranha.

Onde ver ariranhas no Pantanal de Mato Grosso do Sul

O Pantanal sul-mato-grossense é um dos melhores lugares do mundo para observar ariranhas em ambiente natural. A espécie é encontrada principalmente nos rios e corixos da região, especialmente:

Rio Miranda e seus afluentes — uma das áreas com maior concentração de grupos familiares
Corixo São Domingos — passeios de chalana oferecem avistamentos frequentes
Estrada Parque Pantanal — ao longo do trajeto, as margens dos rios são pontos recorrentes

A melhor forma de aumentar as chances de avistamento é escolher passeios de barco lentos ou de canoa, no período da manhã ou final da tarde, sempre acompanhado de um guia local experiente. O silêncio do barco e o ritmo tranquilo da canoa são o que faz a diferença.

Quer planejar sua visita ao Pantanal? Veja os destinos verificados do Aquele Mato na região.

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aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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