Comissão da Câmara aprova PL do Veneno, que flexibiliza uso de agrotóxico
Mato Grosso do Sul

Comissão da Câmara aprova PL do Veneno, que flexibiliza uso de agrotóxico

27 de junho de 2018 📖 3 min de leitura 👁 0 visualizações
Publicidade
Já que os olhos de todos estão voltados para a Copa do Mundo, na Rússia, a Câmara dos Deputados aproveitou para aprovar o projeto de lei 6299/02, a portas fechadas. Somente parlamentares, assessores da comissão e pessoas credenciadas puderam acompanhar a discussão. A presidente da comissão especial, a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) alegou que a medida era necessária para evitar tumulto. Na reunião anterior, a sessão foi interrompida por suspeita de bomba caseira – quando o Greenpeace deixou na sala da comissão uma mala que disparou alarme de moto. A organização não governamental assumiu a ação. Com 18 votos favoráveis e 9 contrários, o projeto é referente a um pacote de mudanças na fiscalização e controle de agrotóxicos no Brasil, flexibilizando o seu uso.

Proposta ficou conhecida como PL do Agrotóxico

O projeto é de autoria do ex-senador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e agora segue para o plenário da Câmara. Caso seja aprovado, voltará ao Senado. Chamado de PL do Agrotóxico ou PL do Veneno por deputados da oposição e ativistas, o projeto prevê, entre outras coisas, que o nome “agrotóxicos” seja alterado para “pesticidas”, para facilitar o registro de produtos cujas fórmulas são compostas por substâncias apontadas como cancerígenas pelos órgãos reguladores. Anteriormente, a proposta era para mudar a nomenclatura para “produto fitossanitário”. Outras polêmicas da proposta envolvem a criação da Taxa de Avaliação de Registro, cujo valor recebido será destinado ao Fundo Federal Agropecuário, e que o Ibama e a Anvisa continuam como os encarregados pelas análises toxicológicas e ecotoxicológicas dos produtos, mas terão a nova atribuição de apresentar uma análise de risco. A Anvisa, que é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, condenou a proposta, porque acredita que o projeto não atende a população e não contribui para a melhoria de alimentos nem com o fortalecimento do sistema regulatório de agrotóxicos. Opositores ao projeto dizem que a medida facilitaria o acesso e o uso de agrotóxicos, possibilitando o aumento da quantidade de pesticidas nos alimentos, e assim, provocar diversos problemas de saúde para a população brasileira, como o câncer, infertilidade, mutações, entre outras.

Veja abaixo como cada deputado votou

A favor do projeto:

  • Adilton Sachetti (PRB-MT)
  • Alceu Moreira (MDB-RS)
  • Carlos Gaguim (DEM-TO)
  • Celso Maldaner (MDB-SC)
  • César Halum (PRB-TO)
  • Covatti Filho (PP-RS)
  • Geraldo Rezende (PSDB-MS)
  • Junji Abe (MDB-SP)
  • Luís Carlos Heinze (PP-RS)
  • Luiz Nishimori (PR-PR)
  • Nilson Leitão (PSDB-MT)
  • Prof. Victorio Galli (PSL-MT)
  • Raquel Muniz (PSD-MG)
  • Rogério Peninha (MDB-SC)
  • Sérgio Souza (MDB-PR)
  • Tereza Cristina (DEM-MS)
  • Valdir Colatto (MDB-SC)
  • Zé Silva (SD-MG)

Votos contrários ao projeto:

  • Alessando Molon (PSB-RJ)
  • Bohn Gass (PT-RS)
  • Edmilson Rodrigues (Psol-PA)
  • Ivan Valente (Psol-SP)
  • Jandira Feghali (PCdoB-RJ)
  • Júlio Delgado (PSB-MG)
  • Nilto Tatto (PT-SP)
  • Padre João (PT-MG)
  • Subtenente Gonzaga (PDT-MG)
Centenas de organizações expressaram preocupação com o projeto. Entre elas: Inca, Anvisa, Fiocruz, Ibama, Ministério Público Federal e ONU. As mudanças são significativas e, enquanto é defendido pelo setor ligado ao agronegócio na Câmara como uma modernização necessária das normas, o projeto é rejeitado por ambientalistas, ativistas, celebridades e pela oposição do governo.
aquelemato
Colaborador · AqueleMato