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Cachorro-vinagre: o raro cão do mato do Cerrado

Dependendo da região, ele recebe diferentes nomes, como cachorro-do-mato-vinagre, bush dog, aracambé, janauí, janauíra, zorro, perro de monte, perro de la sierra, perro venadero, perro de água, perro de la sierra, entre outros.

A princípio, o cachorro-vinagre (Speothos venaticus) pode até não muito conhecido.

Mas ele é o mais sociável em território nacional.

Então, bora conhecer um pouco mais desse um animal bastante diferente e raro.

Menor Canídeo da América do Sul

Pra começar, o cachorro-vinagre é um dos menores canídeos da América do Sul.

Pois ele tem cerca de 30 cm de altura e 60 cm de comprimento, pesando até 7 kg.

Porém, não se engane!

Em síntese, ele é um excelente caçador.

Esses canídeos silvestres possuem membranas interdigitais.

Ou seja, membranas que unem os dedos de alguns animais.

Inclusive, isso pode estar relacionado com a forma como eles caçam.

Pois o cachorro-vinagre cava as tocas de tatus e pacas para capturá-los.

Um estudo nas áreas do Pantanal e do Cerrado revelou que a principal presa do cachorro-vinagre é o tatu-galinha.

Mas também têm na sua lista de preferências culinárias a paca, a cutia e animais de grande porte, como veados e catetos.

Além disso, eles nadam muito bem.

Dessa forma, eles perseguem diversos animais durante as caçadas.

Por serem bons caçadores tanto na água quanto na terra, é comum que o grupo de cachorros-vinagre se divida para perseguir a presa.

Logo, eles acabam indo parte pela terra e parte pela água.

Dessa forma, ele consegue capturar até mesmo capivaras jovens, que entram nos rios e lagoas para tentar fugir.

Diferentemente de outras espécies de canídeos brasileiros, que podem comer carne e frutas e são, em sua maioria, noturnos, nosso cão do mato é exclusivamente carnívoro e é ativo durante o dia.

cachorro-vinagre
Photo credit: Agência Brasília on Visual Hunt / CC BY

O cachorro-vinagre nunca foi caçado por interesse econômico.

Inclusive, registros revelam que algumas tribos de índios brasileiros tinham cachorros-vinagre como animais de estimação.

Cachorro-vinagre é nativo no Brasil, mas pouco conhecido na América
do Sul

O cão do mato do Cerrado, cujo nome vem do forte cheiro de vinagre exalado pela sua urina, não é muito conhecido por aqui. 

Logo, a sua aparência distinta não é muito vista.

Por isso, pode ser difícil reconhecer o cachorro-vinagre.

Contudo, saiba que tem pelagem castanho avermelhada, com as costas mais claras que o resto do corpo.

Além disso, ele tem orelhas pequenas e arredondadas, e suas pernas são bem curtas.

Seja como for, o primeiro registro de cachorro-vinagre é do ano de 1842.

Inclusive, uma curiosidade é que ele aconteceu por meio de pesquisas de fósseis em cavernas brasileiras.

Depois disso, foram observados animais vivos.

Gestação do cachorro-vinagre

A partir dos estudos, descobriu-se que a gestação do cachorro-vinagre dura, em média, 67 dias, resultando de 1 a 6 filhotes.

Então, as fêmeas dão à luz aos filhotes em um ninho feito em tocas e o macho fornece alimento à fêmea e aos filhotes.

Quando prenhe, a fêmea do cachorro-vinagre busca por tocas de tatus, para se esconder e criar seus filhotes.

Dessa forma, para ocupar uma toca, a fêmea expulsa quem estiver morando lá.

Seja um tatu, uma paca ou uma cutia.

Acredita-se que a fêmea não se reproduza antes dos 4 anos de idade.

Assim como os cães domésticos, os cachorros-vinagre fêmeas entram no período reprodutivo duas vezes por ano.

A expectativa de vida dos cachorros-vinagre é de, em média, 10 anos.

Uma característica curiosa é que, para demarcar o território, a fêmea do cachorro-vinagre faz um verdadeiro malabarismo.

Pois ela se apoia nas patas dianteiras e ergue a parte traseira do corpo, para urinar em pedras, pequenos arbustos ou troncos de árvores.

Já o macho levanta uma das patas traseiras para trás e ejeta um spray de urina.

O bando de cachorro-vinagre se comunica por sons variados

Raramente o cachorro-vinagre é visto sozinho.

Inclusive, ele é a única espécie de canídeo selvagem do Brasil que vive em grupos – de 2 a 12 animais.

Dessa maneia, existe uma hierarquia social muito estruturada no grupo, em que o casal mais velho é o dominante.

Essa dominância é tão respeitada que, quando a fêmea líder do grupo tem filhotes, os demais animais do bando vão caçar e ajudar a cuidar desses filhotes.

Por viverem em grupos, os cachorros-vinagre precisam se comunicar entre si.

Para isso, usam latidos e grunhidos.

https://www.youtube.com/watch?v=ySPUX4Qhhtk

Dependendo da região, ele recebe diferentes nomes.

Tais como cachorro-do-mato-vinagre, bush dog, aracambé, janauí, janauíra, zorro, perro de monte, perro de la sierra, perro venadero, perro de água, perro de la sierra, entre outros.

Às vezes, ele também é chamado de acutiuara.

Em suma, o termo é formado pelas palavras indígenas acuti, que se refere às cutias e pacas, e uara, que significa senhor ou dono.

Logo, no linguajar indígena quer dizer que o animal é um caçador de cutias e pacas.

É preciso garantir a sobrevivência dos cachorros-vinagres

O cachorro-vinagre ocorre desde o Panamá, Colômbia, Venezuela, Guianas e Brasil, além de Equador, Bolívia, Paraguai e Argentina.

Por ser uma espécie rara e pouco estudada, não há muitos dados sobre o cachorro-vinagre.

Segundo estudos, existem cerca de 340 indivíduos na Mata Atlântica, 8.813, na Amazônia, e 360, no Pantanal.

Independentemente desses números, a população ribeirinha e os índios descrevem o cachorro-vinagre como difícil de ser avistado.

Dessa forma, a espécie nunca foi muito comum na natureza.

Desde a sua descoberta, alguns fatores podem acelerar o seu processo de desaparecimento.

Infelizmente, como sempre, algumas coisas podem fazer com que o cachorro-vinagre desapareça de vez.

Por exemplo, doenças transmitidas por cães domésticos, como a raiva e a parvovirose, a destruição das florestas, a caça de animais, o atropelamento nas estradas e a caça.

Atualmente, existe um plano de manejo de cachorros-vinagre.

Assim, grupos de pesquisadores se esforçam para garantir a sobrevivência e a perpetuação dessa espécie.

Tanto em cativeiros quanto em áreas naturais.

Definitivamente, um bichinho que a gente espera ver mais por aqui, né?

Por fim, fala aí, Mateiro! Já conhece o cachorro-vinagre?

Ainda mais se tiver fotos, pode mandar no nosso Insta @AqueleMato.

Além disso, comenta aí e conta tudo!

A gente se vê pelas trilhas.

Tchaau!


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2 respostas em “Cachorro-vinagre: o raro cão do mato do Cerrado”

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