Com o apoio da comunidade Tia Eva, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur) e da Secretaria de Estado de Cultura e Cidadania (SECC), a Festa de São Benedito tem em sua história a vida da escrava, lavadeira, parteira, cozinheira, curandeira, benzedeira e referência da comunidade que leva o seu nome, a Tia Eva.

História da comunidade e da Tia Eva se misturam

Eva Maria de Jesus nasceu em Mineiros, Goiás, e, recém alforriada, decidiu vir para Campos de Vacaria – hoje Campo Grande -, em 1905, com suas três filhas, Joana, Lázara e Sebastiana, com uma nova expectativa de vida.

Ela chegou em comitiva com outros negros à região da Mata do Segredo, próximo aos córregos Segredo e Cascudo e por aqui estabeleceu uma comunidade quilombola. Com grande fé em São Benedito, recorreu a ele para que curasse uma ferida que havia em sua perna há anos, fazendo-lhe uma promessa. Chegando em Mato Grosso, ela foi milagrosamente curada e cumpriu seu compromisso de fé ao receber a dádiva, construindo uma igreja de pau a pique, em 1912, em homenagem ao santo.

Por aqui, trabalhou em diferentes funções, ganhou o respeito da comunidade e era procurada por inúmeras pessoas em razão da sua história de cura. A comunidade a ajudou e, em 1919, Tia Eva conseguiu reerguer a igreja, agora em alvenaria, inaugurando-a em 13 de maio, com uma festa que contou com novena, terço, música e fogos, para louvar São Benedito.

Promessa renovada! Tia Eva resolveu que todo ano organizaria uma festa como essa, sempre no domingo mais próximo de 13 de maio. E, assim, durante o ano todo era organizada a próxima festa. Admirada por sua sabedoria e bondade, Tia Eva permanecia com seu trabalho de assistência a doentes e grávidas, assim como na mediação de conflitos.

A população a agradecia com presentes, dinheiro e artigos para a festa, como doces e carnes, e, assim, as comemorações se tornavam a cada ano mais fartas, o que atraía moradores de cidades vizinhas e o excedente era dividido na comunidade.

Em 11 de novembro de 1926, Tia Eva morreu, aos 88 anos, fazendo seu último pedido, o de que a família continuasse a realizar a Festa de São Benedito, sempre no mês de maior.


A Festa de São Benedito é o maior orgulho da comunidade

Na década de 1980, a comunidade cria a Associação de Moradores e obtém conquistas, como redes de luz e água. Em 1996, mesmo ano em que a igreja de São Benedito foi tombada como patrimônio histórico de Campo Grande, uma parceria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul com a Associação Beneficente dos Descendentes de Tia Eva criou o Projeto Negraeva para manutenção e apoio a afrodescendentes no ensino superior.

Agora, a Festa de São Benedito pode se tornar patrimônio histórico e cultural do Estado, por meio de um projeto apresentado pelo deputado Enelvo Felini (PSDB) para que ela receba esse reconhecimento.

Campo Grande inaugurou, em 2003, o Busto de Tia Eva, como tributo a Tia Eva, e em 2008, a comunidade recebe o certificado da Fundação Cultural dos Palmares como “comunidade remanescente de quilombola”.


Reunindo cerca de 130 famílias descendentes dos negros do quilombo, a Festa de São Benedito já é uma tradição em Campo Grande e Mato Grosso do Sul, completando 99 anos de celebração. A história da comunidade é tema de muitos projetos e a festa visa resgatar e conservar a cultura da comunidade negra.

A celebração deste ano acontece de 11 a 27 de maio, com shows, palestras, jogos e louvores.

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Mato Grosso do Sul

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