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Gás de xisto pode impactar Mato Grosso do Sul

Nos últimos anos cresceu o número de defensores do uso do gás de xisto – nome popular da rocha denominada folhelho – como a melhor alternativa para baratear a produção de energia no Brasil.

Fracking

Inicialmente visto como uma nova promessa energética, o gás de xisto tinha o objetivo de substituir o carvão e o gás natural, tornando-se uma forma alternativa de geração de energia, a menos poluente entre os combustíveis fósseis e com uma vantagem econômica indiscutível.

Conhecida como fracking, a técnica usada na extração do gás de xisto, no entanto, é polêmica.

O método consiste em perfurar o solo em profundidades que chegam a 7 quilômetros, ultrapassando as fontes subterrâneas de água e, com uma mistura de água e produtos químicos injetados em um tubo de alta pressão, causar fissuras nas pedras, que liberam o gás – contaminando a água, o solo e o ar.

A ideia preocupa ambientalistas. E o principal argumento na defesa do gás de xisto é o caso
ocorrido nos Estados Unidos, onde a alternativa teria aumentado e barateado a sua produção energética.

Segundo estudos de viabilidade econômica da exploração deste tipo de fonte de energia, a elevada produção que se tem durante o primeiro ano tende a cair até 39% no segundo ano e até 50% no ano seguinte. Ou seja, em 10 anos, a queda de produção chega a 95% do que foi extraído no primeiro ano.

A conclusão é de que a extração do gás de xisto colabora para a recuperação econômica dos Estados Unidos, mas, ao mesmo tempo, enfraquece um recurso natural não renovável em até uma década, abrindo perspectivas perigosas ao meio ambiente por lá. E por aqui também.

No Brasil, e em Mato Grosso do Sul, o assunto já vem sendo discutido há um tempo.

Fracking

Técnica de fracking é proibida em alguns países

Os impactos devastadores que a extração do gás de xisto pode causar ao meio ambiente e à população foram motivos para a técnica ser proibida em alguns lugares do mundo.

As principais preocupações da técnica de extração do gás de xisto são:

  • Vazamento – Muitos depósitos de xisto localizam-se abaixo de aquíferos e, sem uma vedação confiável, produtos químicos usados no fracking poderão ser liberados na água.
  • Contaminação – A mistura de água, areia e produtos químicos injetada nos poços sobe aos poucos para a superfície, contaminando o solo e a água.
  • Consumo de água – A retirada de grandes quantidades de água usadas no processo prejudica os ecossistemas da região.
  • Terremotos – Alguns cientistas afirmam que o fracking não ocasiona grandes abalos sísmicos, mas a possibilidade existe. Eles sugerem evitar perfurações perto de falhas tectônicas.
  • Poluição – Estima-se que a coleta de carbono durante o processo de extração do gás de xisto possa ser 20% maior que a do carvão, considerado o mais “sujo” entre os combustíveis fósseis.

Gás de xisto é ameaça para Mato Grosso do Sul?

Mato Grosso do Sul está entre os estados que precisam se preocupar com os prejuízos que a extração do gás de xisto pode causar.

Durante leilão, em setembro de 2017, a Petrobras arrematou o bloco de exploração na Bacia do Paraná, que engloba 17 cidades de MS. São elas: Água Clara, Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Campo Grande, Deodápolis, Ivinhema, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu e Três Lagoas. Ao todo, 54 municípios têm potencial para exploração.

Sem o conhecimento do grande público, corre no estado o projeto de lei nº 0003/2018, que pede a suspensão da exploração do gás em MS.

É mais que necessária a discussão sobre o assunto! Não podemos desviar o foco de esforços em busca de alternativas energéticas renováveis e não ultrapassadas, porque desenvolvimento a todo custo pode custar o meio ambiente e nossa saúde.

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