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Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul e as manifestações religiosas

Pequenas tradições passada de geração a geração formam a genética do nosso estado e fazem a cultura por meio das manifestações religiosas de quem aqui vive.

Se você cresceu em Mato Grosso do Sul, com certeza, guarda alguma lembrança de festa, brincadeira ou cantiga de antigamente. Essas pequenas tradições formam a genética do nosso estado e fazem a cultura de quem aqui vive. Então, hoje, vamos falar um pouco dessa bagagem histórica passada de geração a geração por meio das manifestações religiosas que permeiam o estado!

BODOQUENA

A 70 km de Bonito, é na Bodoquena dos anos 60 que nasceu a Folia de Reis, uma homenagem aos três reis magos que são referência no nascimento de Jesus.

Conforme a tradição, no dia 26 de dezembro começam as festividades, onde um grupo de foliões – composto por músicos e liderado pelo palhaço que anima os anfitriões – percorre a cidade em busca de prendas até o dia da festa. Dia 6 de janeiro é o momento! Churrasco, cantoria e danças fazem a festa que conserva a fé dos moradores da cidade.

IVINHEMA

Apóstolo Paulo é padroeiro de Ivinhema desde os anos 70 e teve o dia 25 de janeiro como homenagem. O Dia de São Paulo Apóstolo é comemorado com procissão, música, missas e quermesse, e a imagem do santo passa pelas comunidades urbanas e rurais contando com a participação do povo.

Banho de São João. Fotos: Renê Carneiro, Prefeitura de Corumbá

CORUMBÁ

Com a mais tradicional festa do estado, Corumbá celebra sua fé com o Banho de São João. Marcada pela gastronomia e pelo turismo, o dia une os corumbaenses conduzindo a imagem do santo em um longo caminho até o rio Paraguai, onde a banham para louvá-lo.

O cortejo acontece de 23 para 24 de junho e a tradição diz que, para que os pedidos feitos ao santo sejam atendidos, o fiel precisa passar por debaixo de sete andores. Também na Cidade Branca acontece a Festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Forte Coimbra. Em 16 de julho, a celebração acontece em razão dos milagres creditados à santa, principalmente permitindo a fuga dos sobreviventes da Guerra do Paraguai.

ANAURILÂNDIA

Nos primeiros dias de junho, os moradores se organizam para percorrer um longo caminho em uma cavalgada com a intenção de homenagem São João Batista, padroeiro de Anaurilândia. Eles carregam pedidos de paz, fortalecem a identidade da cidade e recebem bênçãos da igreja, com comida e oferta de prendas.

DOURADOS

Padroeiro dos motoristas e agricultores, São Cristóvão é aquele que “carrega Cristo” e que servia aos mais fortes. Sua história motiva quem trabalha viajando, que celebram o dia com uma carreata motorizada de 8 km, um tradicional churrasco e leilão.

LADÁRIO

Nossa Senhora dos Remédios é a padroeira que chegou a Ladário pelas águas do rio Paraguai. Restauradora dos enfermos, se tornou patrimônio de fé na cidade, que se reúne em festa de 15 a 24 de outubro há mais de 120 anos para celebrar e agradecer os milagres atribuídos à santa.

COXIM

Com uma extensa programação religiosa e cultural, a Festa do Divino Espírito Santo é uma centenária celebração da presença do Espírito Santo. Na ocasião, os coxinenses arrecadam oferendas e recebem as pessoas com comidas típicas e muita cantoria. O agradecimento varia de acordo com o doador. A maior honra da tradição é receber a bandeira do Divino em casa e ajoelhar-se na hora da oferta, simbolizando a grandeza do momento. É importante que a comitiva passe por todos os lares, sendo preciso percorrer caminhos de barco ou avião até as fazendas.

COSTA RICA

Em agosto acontece em Costa Rica a Festa do Santo Fujão, que chegou à cidade em 1988 e ganhou uma capela. Com o tempo, os moradores construíram uma nova capela para o santo, que fugia para a antiga, ganhando o carinhoso apelido de Fujão.

CAMPO GRANDE

A Comunidade Negra São João Batista tem no mês de junho dias de alegria e fé. A comemoração é uma tradição religiosa dos remanescentes quilombolas e é rica em simbologia. A devoção começou com Maria Rosa de Anunciação e sua família. Quando seu filho nascido prematuro teve sua saúde restabelecida, ela cumpriu a promessa de propagar a fé em São João Batista.

E desde então, os seus descendentes realizam o ritual religioso todos os anos, passando por debaixo do mastro com as bandeiras de São João Batista, São Pedro e São Paulo, que é erguido, levando as orações a Deus e descendo com as bênçãos. Além disso, eles festejam com muita alegria, comida, barraquinhas e música, mostrando que a comunidade unida fortalece as suas raízes.

Em Campo Grande ainda se reverencia uma tradição japonesa marcada pela religiosidade. Os imigrantes da ilha de Okinawa incorporaram a cultura da cidade e hoje fazem parte da nossa história. O Bon Odori é um ritual budista que celebra a alma dos antepassados, com 3 dias de música, dança e culinária, estreitando o respeito e a amizade entre os países.

A capital sul-mato-grossense ainda conta com a história do santo casamenteiro

Padroeiro da agropecuária e protetor contra pestes, Santo Antônio se tornou importante para Campo Grande com a chegada do fundador da cidade, que orava ao santo para não perder seu rebanho diante de uma “febre maligna” que tomou os animais na época. Mas ganhou popularidade mesmo como o santo que ajuda mulheres a encontrar um marido, apesar de não ter em seus sermões nada específico sobre casamentos.

O motivo é em razão da ajuda que dava a moças humildes para conseguirem um dote e um enxoval para o casamento. Hoje, não faltam simpatias para o santo dar uma forcinha. E a tradição leva anualmente uma multidão à festa em sua homenagem, que conta com um gigantesco bolo com recheio que esconde alianças. Segundo a tradição, encontrar a aliança é sinal de casamento chegando.

Não podemos negar que a nossa formação cultural está associada a toda essa diversidade peculiar de cada pedaço desta terra. Conhece mais alguma festa tradicional que não citamos? Comente aqui e vamos difundir a nossa cultura!