Comum em áreas urbanas de Campo Grande, a arara-canindé (Ara ararauna) é um espetáculo à parte e um privilégio para o cidadão campo-grandense poder acompanhar seus ninhos tão de perto.

Nenhuma cidade do tamanho de Campo Grande possui uma quantidade de araras como as que vemos por aqui, número que impressiona tanto biólogos quanto turistas.

As araras-canindés encantam pelo barulho e pelas cores azul e amarelo. Elas são encontradas desde o leste da Amazônia ao norte do Paraguai, até a divisa entre Amapá e Guiana Francesa e não sofrem risco de extinção, mas, diferentemente da nossa Capital, em outros lugares da América Central, a ave não é mais vista.

Arara Canindé Campo Grande-MS

Em agosto e, logo mais, com a chegada da Primavera, começa o período de reprodução da arara-canindé e é ampliada a preocupação com a sua preservação, pois é durante esse período que ocorre maior registro de nascimentos de filhotes da ave, chegando a aproximadamente 60 filhotinhos de ararinhas campo-grandenses.

ARARA-CANINDÉ É ESCOLHIDA COMO AVE SÍMBOLO DE CAMPO GRANDE

Como outras capitais não têm a vantagem desta presença tão ilustre, Campo Grande adotou a arara-canindé como símbolo por meio de um projeto de lei, sancionado em 2015.

Em Campo Grande, as araras-canindés não apenas são vistas se movimentando e vocalizando pelos céu, mas também se reproduzem espalhando seus ninhos por vários pontos da cidade, onde acabam se estabelecendo na área urbana.


arara-canindé

Conforme especialistas, as araras-canindés que vivem em regiões urbanas encontram troncos de palmeiras mortas para fazer seus ninhos. Elas cavam um ninho ou usam o mesmo que já utilizaram, para colocar seus ovos e depois cuidarem dos seus filhotes. O material em decomposição serve de base para o conforto dos filhotes.

No nosso habitat, às vezes, até mesmo para evitar que os galhos encostem na fiação, cortamos, podamos e acabamos ajudando na criação de um novo ninho para as araras.

Por isso, é fundamental um estudo de risco do local, para identificar quando as araras estão em perigo, por desmatamento ou empreendimento urbano que possam afetá-la

Onde houver uma cavidade ou oco de palmeira disponível, há também a possibilidade de um ninho para a arara-canindé.

Buritizais, especialmente em buritis mortos e outras palmeiras, como a imperial, são lugares adequados para o ninho da arara-canindé, tornando-se comum a reprodução em áreas verdes em geral, como praças ou residenciais.

Os filhotes da arara-canindé permanecem no ninho até a décima terceira semana, momento em que são alimentados pelos pais.

As araras-canindés ainda estão se reproduzindo com sucesso na área urbana de Campo Grande, mas o (ainda bem comum) corte ou remoção de árvores com ninhos de arara-canindé pode prejudicar a sua preservação e desenvolvimento.

ARARA-CANINDÉ

A falta de ninhos naturais é o ponto principal que interfere na reprodução das araras, por isso, é preciso proteger essas estruturas e troncos de árvores que carregam os ovos depositados durante o período reprodutivo das aves.
De olho nessa preservação, vereadores da Capital querem proibir o corte de árvores que tenham ninhos de arara-canindé.

Para assegurar a reprodução e proteger a ave, símbolo de Campo Grande, os vereadores João César Mattogrosso (PSDB) e Gilmar da Cruz (PRB) elaboraram um projeto para proteger essa espécie de ave, com punição para os casos de poda ou remoção irregular de árvores que pode chegar a R$ 15,8 mil.

Visando conhecer cada vez mais os hábitos das aves e identificar locais de reprodução, principalmente na área urbana, a espécie é foco de projetos de pesquisa na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e no Instituto Arara Azul.


Além da arara-canindé, a presença da arara-azul também é um importante indicador de saúde ambiental da nossa Capital.

Mantendo a população de araras na cidade, preservamos a espécie, colaboramos para a sua reprodução e conservamos nosso céu colorido.

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