Artefatos revelam que Capital já tinha presença humana há mais de mil anos
História

Artefatos revelam que Capital já tinha presença humana há mais de mil anos

14 de abril de 2026 📖 3 min de leitura 👁 1 visualizações

Com 36 sítios arqueológicos catalogados, Campo Grande guarda segredos de populações pré-coloniais que dominavam a pedra lascada e a cerâmica muito antes da fundação oficial da cidade

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Para muitos, a história de Campo Grande começa com a chegada de José Antônio Pereira em 1872. 

Porém, para quem sabe ler os sinais deixados na terra, a nossa “Cidade Morena” tem capítulos escritos há muito mais tempo. 

Isso porque pesquisas recentes e o acervo do Museu de Arqueologia da UFMS (Muarq) confirmam: Campo Grande é um solo habitado há, pelo menos, 1,3 mil anos.

Vestígios de grupos nômades, caçadores, coletores e agricultores tardios estão espalhados por todo o município.

Ao todo, são 36 sítios arqueológicos registrados no Iphan dentro dos limites da capital, sendo 27 na área rural e 9 bem debaixo dos nossos pés, na área urbana.

Parque das Nações Indígenas indo muito além do lazer

Um dos achados mais emblemáticos é o sítio Córrego Prosa 01, localizado no coração do Parque das Nações Indígenas. 

Enquanto hoje o campo-grandense toma seu tereré e faz caminhada, arqueólogos encontraram ali materiais líticos (pedra lascada) e fragmentos cerâmicos que datam de 635 a 1.300 anos atrás.

Os instrumentos de pedra eram usados para cortar, raspar e perfurar, revelando o estilo de vida de grupos que se moviam conforme a oferta de recursos naturais.

Em períodos posteriores, a presença de cerâmica indica o domínio da agricultura e de rituais mais complexos, ligando a região às grandes tradições Tupi-Guarani.

Um acervo de 200 mil peças

Toda essa história ancestral está preservada na reserva técnica do Muarq. A antropóloga e coordenadora Laura Roseli Pael Duarte destaca que esses achados são fundamentais para entender como os primeiros habitantes escolhiam seus acampamentos. 

A proximidade com a água (como os nossos córregos Prosa e Segredo) e a oferta de alimentos eram os principais “atrativos imobiliários” da época pré-colonial.

Em Mato Grosso do Sul, a presença humana é ainda mais impressionante, com registros que chegam a 12.600 anos, mas os sítios de Campo Grande são peças-chave para entender a dinâmica de ocupação do planalto central do estado.

Preservação em meio ao progresso

Com o crescimento urbano, novos empreendimentos em Campo Grande hoje precisam passar por estudos arqueológicos rigorosos para evitar que máquinas destruam o que sobrou desse passado milenar. É um equilíbrio necessário para que o progresso não apague a memória de quem, há mil anos, já chamava este solo de lar.

Atenção, mateiro e amante da História!

Você sabia que Campo Grande tinha essa profundidade histórica?

  • Visite o Muarq: conhecer o acervo da UFMS é um convite para entender que somos parte de uma linhagem milenar de ocupação.
  • Respeite o patrimônio: se encontrar vestígios que pareçam antigos em áreas de escavação, acione o IPHAN ou a UFMS. O patrimônio arqueológico é protegido por lei.
  • Seja um guia Aquele Mato: no nosso portal, valorizamos a história que o mato guarda.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato