Quem pensa em pesca esportiva em Mato Grosso do Sul pensa no Pantanal, no rio Miranda, nos corixos de Corumbá, nas chalanas deslizando pelo Alto Paraguai. Mas há um destino que vem ganhando atenção dos especialistas e que pode mudar esse mapa: Dourados.
A Fundtur/MS identificou Dourados como um dos municípios com maior potencial para ampliar o turismo de pesca esportiva no estado. O diagnóstico aponta que a combinação entre infraestrutura urbana consolidada, recursos naturais e serviços voltados ao segmento coloca a cidade em posição estratégica para atrair mais visitantes e fortalecer uma atividade com capacidade de movimentar diferentes setores da economia.
O levantamento foi elaborado durante visita técnica realizada entre os dias 6 e 8 de abril, após solicitação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação. Durante a visita, especialistas analisaram a cadeia produtiva da pesca esportiva e os principais desafios para ampliar o segmento.

Os rios que sustentam o potencial
A pesca esportiva já possui uma estrutura organizada no município, principalmente nos rios Dourados e Brilhante, onde são encontradas espécies como dourado, pintado e piracanjuba.
O rio Dourados é o principal curso d’água da região. Nasce na Serra de Maracaju e corre para oeste até desaguar no rio Brilhante. Oferece pesca de dourado, piapara, pacu e outras espécies, com acesso facilitado pela proximidade urbana. Tem profundidade média de 2 a 4 metros, com máxima de 8 metros, e a melhor época para pescar vai de março a outubro.
Já o rio Brilhante tem perfil diferente, e igualmente atrativo. Suas águas abrigam peixes como jaú, dourado, barbado e, dependendo da época, grandes cardumes de pacu e piau. É um rio que exige conhecimento e técnica, mas recompensa com a variedade de espécies. As margens são cercadas por vegetação exuberante, criando um habitat natural para a vida selvagem.
O potencial dos rios da região ficou evidente em maio de 2026, quando o pescador Paulo Koster Siede capturou um dourado medindo 1,01 metro no rio Brilhante, nas proximidades do Pesqueiro Dujão, em Maracaju — a cerca de 35 km de Dourados.
Segundo o guia que acompanhou a pescaria, capturas desse porte são mais comuns em regiões da Argentina, conhecidas mundialmente pela abundância de grandes exemplares da espécie. Um registro que coloca os rios da região no radar de qualquer pescador esportivo sério.
A infraestrutura que diferencia Dourados

Além dos recursos naturais, o diagnóstico da Fundtur/MS valoriza algo que falta em muitos destinos de pesca do interior: infraestrutura urbana consolidada.
Dourados reúne fatores considerados importantes para o crescimento do segmento, como aeroporto, rede hoteleira, comércio especializado e serviços de apoio aos visitantes.
Isso significa que o pescador que chega à cidade não precisa abrir mão de conforto para ter uma boa experiência, podendo combinar dias de rio com hospedagem de qualidade, gastronomia variada e logística de acesso facilitada.
Atualmente, o município dispõe de aproximadamente 221 leitos voltados ao turismo de pesca esportiva e conta com cerca de 20 condutores de pesca em atividade. Os visitantes são, em sua maioria, provenientes de diferentes estados brasileiros, com aumento da procura entre março e maio e novo período de maior movimento nos meses de setembro e outubro.
Além dos rios, a cidade também conta com pesqueiros estruturados para diferentes perfis. O Pesqueiro Lago Azul, um dos mais tradicionais da região, é especializado em pesca esportiva e diversão familiar, com lagos abastecidos com tambaqui, pacu, pintado, pirarucu e tilápia. Já o Recanto da Lagoa une pesca esportiva, chalés e restaurante num ambiente projetado para quem quer combinar descanso com fisgada.
O que ainda precisa avançar
O diagnóstico da Fundtur/MS não é só elogio — e isso é importante. O município ainda precisa avançar em alguns aspectos para consolidar a atividade como destino turístico. Entre os principais desafios estão a maior integração entre os prestadores de serviços, a capacitação e profissionalização dos condutores de pesca, o fortalecimento da comercialização por meio de agências e operadoras de turismo e a criação de roteiros que integrem pesca esportiva, hospedagem, gastronomia e outros atrativos locais.
O estudo também recomenda ampliar a participação do segmento nas instâncias de governança do turismo e incentivar a formalização dos profissionais — passos essenciais para que Dourados deixe de ser um potencial e se torne um destino consolidado.
A visão do município
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Antônio Freire, o diagnóstico confirma o que os moradores já sabiam: “Nosso potencial para o turismo de pesca esportiva é muito grande e vamos focar esforços para explorar melhor esse setor, atraindo para Dourados pescadores de todo o Mato Grosso do Sul e de outros estados.”
Com registros de peixes recordistas e fauna exuberante, o objetivo agora é transformar o potencial natural em motor econômico, e o diagnóstico da Fundtur/MS é o primeiro passo concreto nessa direção.
MS: um estado de muitos rios e muitas histórias de pesca
Dourados se soma a um estado que já tem no turismo de pesca esportiva uma das suas marcas mais reconhecidas. O rio Brilhante, quando recebe as águas do rio Dourados e se une ao rio Vacaria, passa a se chamar rio Ivinhema — outro importante destino de pesca do estado, com piracanjubas, dourados e pintados pescados tanto com iscas vivas quanto com artificiais, no bait casting e no fly fishing.
Para quem quer planejar uma viagem de pesca pelo interior de MS, Dourados agora entra oficialmente no roteiro — com a chancela da Fundtur e a comprovação de que os rios da região têm o que todo pescador esportivo procura.
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