Após emocionar o Festival América do Sul, obra que revela a força e a resistência das comunidades quilombolas e tradicionais chega ao museu mais importante do Brasil

O rastro da cultura sul-mato-grossense acaba de alcançar o topo de um dos maiores palcos artísticos do mundo.
A princípio, o Pantanal é reconhecido globalmente por suas paisagens e bichos, mas uma parte fundamental da sua história sempre correu de forma silenciosa pelas vazantes: a ancestralidade negra.
Após uma estreia emocionante no Festival América do Sul, em Corumbá, o documentário “Pantanal Negro” desembarcou em São Paulo nesta segunda-feira (18) para um pré-lançamento exclusivo no Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand).
A exibição faz parte do evento estratégico “MS Especial por Natureza”, conectando a potência da nossa biodiversidade à riqueza da nossa gente.
Dessa forma, o longa-metragem não pretende parar por aí: na próxima quinta-feira (21), a obra segue para Bonito, integrando a aguardada programação do Inspira Ecoturismo, promovido pelo Sebrae-MS.
Resistência e memória: o que o documentário “Pantanal Negro” revela?
Com certeza, o filme chega para romper barreiras e reescrever narrativas.
Com direção de Adriana Farias e Maxwell Polimanti, e idealização de Thayná Cambará, a produção escolheu o caminho mais bonito da arte: o de ouvir quem sustenta o território há gerações.
A obra constrói sua força através de:
- Protagonismo real, com histórias de vida de mulheres negras, lideranças religiosas, famílias tradicionais e mestres da cultura popular.
- Temas urgentes e uma condução profunda por memórias de pertencimento, espiritualidade, os impactos do racismo estrutural e as estratégias de resistência na beira do rio.
- Fomento à cultura, contando com investimento da Lei Paulo Gustavo (LPG), via Ministério da Cultura, executado pelo Governo do Estado através da Fundação de Cultura de MS (FCMS), com o valioso apoio da Pantanal Film Commission.
Bela Oyá Pantanal: o afroturismo de MS premiado em Brasília
Além disso, a noite no Masp também reserva um destaque especial para o empreendedorismo com propósito.
A programação marca uma ação de grande visibilidade da Bela Oyá Pantanal (@belaoyapantanal), a pioneira em afroturismo em Mato Grosso do Sul.
A agência acaba de ser reconhecida pelo Ministério da Igualdade Racial, através do Prêmio Rotas Negras, figurando entre as dez melhores iniciativas de afroturismo de todo o Brasil.
Durante o evento na capital paulista, a Bela Oyá apresentará suas rotas personalizadas desenvolvidas em Corumbá, mostrando como é possível alinhar turismo regenerativo, conexão espiritual e desenvolvimento territorial.
O Pantanal que o Brasil precisa conhecer
Na prática, esse movimento gera um orgulho imenso para o nosso bando.
Além disso, mostrar o documentário e as rotas de afroturismo no Masp e, logo em seguida, no Inspira Ecoturismo em Bonito, prova que o mercado de viagens está mudando.
Isso porque o viajante contemporâneo quer profundidade. E esse é o convite definitivo para entender que a maior planície alagada do mundo também pulsa ao ritmo dos tambores, da fé e do suor da população negra que protege esse chão.