Já falamos algumas vezes dos pontos turísticos de Corumbá e da história em volta de umas das cidades mais antigas de Mato Grosso do Sul.

E, por falar em história, o Parque Ecológico das Cacimbas, em Corumbá, guarda um prestigiado acontecimento:

A descoberta da primeira ocorrência do fóssil do pequeno animal invertebrado chamado Corumbella werneri.

A bela de Corumbá e a história da evolução

A Corumbella – nome que significa “A bela de Corumbá” – pode ter sido a primeira manifestação de vida multicelular do planeta.

Isso significa que, antes desse fóssil, apenas seres de uma célula, como algas e bactérias, habitavam a Terra.

O pesquisador alemão Detlef Walde, que hoje é diretor do Instituto de Geociências da UNB, e sua equipe foram os responsáveis pela descoberta, na década de 1980.

Com mais de 580 milhões de anos, a Corumbella é o megafóssil (metazoário) mais antigo encontrado na América do Sul.

Para termos uma ideia, os dinossauros – que são mais conhecidos – têm idade de 60 milhões.

A marcante descoberta da Corumbella no Parque Ecológico das Cacimbas em Corumbá é um incrível passo na investigação do intervalo da evolução da vida no planeta, durante o Período Neoproterozoico, quando deu-se a explosão no planeta Terra.

Depois de Corumbá, vieram outros descobrimentos, na China, África e nos Estados Unidos.

Por se tratar de uma forma de vida muito primitiva, com um tipo de esqueleto bastante precário, a Corumbella é importante para compreender como começaram a se desenvolver os esqueletos dos organismos.


Os indícios do esqueleto mostram algo que se parece com um verme, uma minhoca, que vivia num ambiente marinho como a praia.

Parque Ecológico das Cacimbas sofre com abandono

A região da Cacimba da Saúde, na Cidade Branca, é um importante sítio arqueológico localizado no leito do rio Paraguai.

Seu nome surgiu a partir da existência de uma grande piscina de pedra, abastecida por água calcária que brotava de uma pequena fonte e desembocava no rio.

Essa piscina foi construída no início do século 20 e, segundo as tradições locais, suas águas possuíam propriedades medicinais.

As rochas na região da Cacimba da Saúde são do período Neoproterozoico e contam um capítulo muito antigo da história do nosso planeta.

Porém, infelizmente, o abandono também faz parte dessa narrativa, pois o local não conta com manutenção do poder público há tempos e lida com a inconsciência de alguns moradores que despejam lixo por lá.

Abandono do Parque Ecológico das Cacimbas

Na área, localizada às margens do rio Paraguai, foi criado o Geoparque Estadual Bodoquena-Pantanal, em 2009.

O projeto é atribuído a locais que têm formação de parques em regiões que tenham peculiaridades geológicas e trabalha a geoconservação do patrimônio geológico e o turismo, além de reunir pesquisadores do mundo todo.

Porém, não foi pra frente.

Em 2015, houve uma nova reforma e a ideia era abrigar ainda o Centro de Educação Ambiental, mas atualmente, em 2019, o local sofre novamente com o vandalismo e o abandono.


As tão importantes rochas, que poderiam nos ajudar a descobrir mais sobre o passado, estão inacessíveis, em razão do mato e do lixo acumulado. Dessa forma, o baratão deixou de ser o principal monstro da cidade há tempos. Agora é o descaso.

A importância de se preservar esse local é imensa e a conscientização ainda é o único caminho.

Depende de nós!

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Mato Grosso do Sul

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