Se uma abelha pequena e preta grudou no seu cabelo, zumbindo alto e sem picar, ela é quase certamente uma irapuá, também chamada de arapuá. É uma abelha nativa e sem ferrão: no lugar da picada, ela se enrosca nos fios e morde. Assusta, mas não é perigosa.
Qual abelha gruda no cabelo
A principal é a irapuá (Trigona spinipes), conhecida também como arapuá, aripuá, japurá, abelha-cachorro e enrola-cabelo. É comum em quase todo o Brasil, no Cerrado e nas matas, e aparece com frequência em quintais, pomares e na beira das estradas de Mato Grosso do Sul.
Ela não é a única abelha sem ferrão que se defende assim. A tubuna (Scaptotrigona bipunctata) e a mandaguari, ou canudo (Scaptotrigona depilis), também são bastante defensivas: quando alguém mexe no ninho, saem em grupo, procuram o cabelo e mordiscam. A mandaguari tem registro em Mato Grosso do Sul, inclusive em pesquisas da região de Dourados.

Por que ela faz isso
Sem ferrão, a defesa dessas abelhas é o incômodo. A irapuá persegue quem chega perto do ninho, se enrola nos cabelos e nos pelos, zumbe alto e morde. Ela também carrega resina nas pernas, o que a deixa pegajosa e ajuda a prender nos fios. Às vezes tenta entrar no ouvido e no nariz.
O ataque quase sempre tem um motivo: o ninho está perto. Por isso, se uma abelha grudou, outras costumam vir atrás.
Ela é perigosa?
Não. A mordida da irapuá é fraca e não injeta veneno. O risco real é o susto: gente que sai correndo, tropeça e cai tentando se livrar das abelhas. Quem tem alergia a insetos deve se afastar da mesma forma, mas não há a reação de uma picada de abelha-europeia ou de vespa. Para picadas de outros bichos, veja como aliviar picadas de inseto.
Como tirar a abelha do cabelo
- Afaste-se do ninho primeiro. Andar com calma para longe da árvore ou do muro vale mais do que ficar no lugar se debatendo: longe do ninho, as outras param de vir.
- Solte com os dedos, sem esmagar. Abra a mecha devagar e empurre a abelha para fora. Esmagada, ela deixa a resina e pedaços presos no fio.
- Se a resina grudou, um pouco de óleo de cozinha ou de condicionador ajuda a soltar antes de pentear.
- Cubra a cabeça se for passar de novo perto do ninho: chapéu ou boné resolvem.
Como reconhecer o ninho da irapuá
O ninho fica do lado de fora, geralmente na forquilha de galhos a 4 a 7 metros do chão, e também em paredes e estruturas de casas. É uma bola escura de barro, cera, resina e fragmentos de plantas que pode passar de 50 centímetros. Dentro, vivem de 5 mil a mais de 100 mil operárias.
Tubuna e mandaguari: as abelhas do canudo
As Scaptotrigona fazem o ninho em ocos de árvores e, na cidade, dentro de paredes e muros. O que denuncia o endereço é a entrada: um tubo largo de cerume escuro que se abre na ponta como uma trombeta, por onde várias abelhas passam ao mesmo tempo. Vem daí o nome canudo.
A tubuna tem cerca de 7 milímetros, é preta e brilhante, com duas listras claras no fim do abdome que, de longe, parecem uma só. Ao contrário da irapuá, a tubuna é boa produtora de mel, de sabor suave, e as duas são criadas por meliponicultores, apesar do temperamento.

Praga ou polinizadora?
As duas coisas. A irapuá é considerada praga em pomares de maracujá e de citros, porque rói flores e brotos para buscar néctar e material para o ninho. O mel dela não serve para consumo, por causa da sujeira do ninho. Ao mesmo tempo, poliniza plantas cultivadas, como a cebola, e nativas, como a ninfeia, e ocupa o papel que a abelha-europeia tem em outros continentes.
Antes de destruir um ninho no quintal, vale lembrar disso: ele está ali há anos, e a briga só começa quando alguém chega perto. Para conhecer outros bichos pequenos que fazem o trabalho pesado na natureza, veja os 10 insetos da América do Sul e o besouro rola-bosta do Pantanal.
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