O que fazer em Corumbá: pontos turísticos da Capital do Pantanal
Cultura e Tradições

O que fazer em Corumbá: pontos turísticos da Capital do Pantanal

21 de junho de 2026 12 min de leitura 0 visualizações

Com muitos pontos turísticos, boas opções de diversão e um excelente centro de compras, pela vizinha Bolívia, não falta o que fazer Corumbá.

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Corumbá carrega muitos nomes: Cidade Branca, Capital do Pantanal, Portal do Bioma. Cada um revela uma faceta diferente de um lugar que surpreende qualquer visitante que vai esperando só natureza e sai de lá apaixonado também pela história, pela fronteira, pela culinária e pela arquitetura que guarda séculos de ocupação humana às margens do rio Paraguai.

A cidade é a terceira mais importante do Mato Grosso do Sul em termos econômicos, culturais e populacionais — e abriga mais da metade do bioma pantaneiro dentro do seu território municipal. Isso faz dela não apenas um destino, mas um ponto de partida para explorar um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta.

Se você está planejando uma visita, este guia reúne os principais pontos turísticos de Corumbá, dicas práticas e as novidades que colocam a cidade em um momento especialmente interessante para o turismo internacional.

Por que visitar Corumbá agora

Além de todos os atrativos históricos e naturais que a cidade sempre teve, Corumbá vive um momento de renovado interesse turístico impulsionado pela Rota Bioceânica — o corredor que liga o porto de Santos, no Brasil, aos portos chilenos de Arica e Iquique, atravessando Mato Grosso do Sul, Paraguai, Argentina e Chile.

Em 2026, um trem turístico foi reativado na Bolívia ligando Santa Cruz de la Sierra à fronteira com o Brasil, em Puerto Quijarro, a cerca de 11 km de Corumbá. O serviço passou por seis anos de suspensão e foi retomado em caráter experimental, percorrendo 650 km em cerca de 12 horas, passando por missões jesuíticas e pelo Pantanal boliviano. Para quem visita Corumbá, isso abre uma possibilidade nova e fascinante: combinar o Pantanal brasileiro com uma experiência ferroviária histórica do lado boliviano da fronteira.

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Corumbá: uma cidade com dois mundos

Avenida em Corumbá

Antes de falar dos pontos turísticos, vale entender a peculiaridade geográfica de Corumbá. A cidade faz fronteira seca com Puerto Quijarro e Puerto Suárez, na Bolívia — e essa vizinhança transforma o turismo local de uma forma única.

É possível cruzar a fronteira de carro, moto ou táxi em questão de minutos, fazer compras em Puerto Quijarro (eletrônicos, roupas e produtos importados com preços bastante atraentes) e voltar para Corumbá para jantar. Essa dinâmica de fronteira viva é parte do charme da cidade — e não tem similar em nenhum outro destino do MS.

Corumbá é conhecida como Cidade Branca pela cor clara de sua terra, pois está assentada sobre uma formação de calcário. Localizada na margem esquerda do rio Paraguai, grande parte do município é ocupada pelo Complexo do Pantanal — e a cidade possui ao mesmo tempo as terras mais baixas do Centro-Oeste, com pouco mais de 100 metros acima do nível do mar, e as terras mais altas da região, na Serra do Urucum, onde as altitudes superam os 2.000 metros.

Pontos turísticos históricos e culturais

Casario do Porto

O ponto de partida para qualquer visita a Corumbá. O Porto Geral de Corumbá é um dos principais cartões-postais da Capital do Pantanal, abrigando uma série de construções que traduzem em sua arquitetura muito do passado efervescente do comércio corumbaense, no período em que a cidade tinha o terceiro maior porto fluvial da América Latina.

O Casario foi tombado como Patrimônio Histórico Nacional em 1992. O que eram antes empórios, agências bancárias e residências das famílias que enriqueceram com a navegação fluvial abriga hoje estabelecimentos comerciais, bares e lojas de artesanato — sem perder o charme da arquitetura original. Ao entardecer, com o sol sobre o rio Paraguai, o Casario do Porto oferece uma das vistas mais bonitas do estado.

Cristo Rei do Pantanal

Pontos turísticos em Corumbá - Cristo Rei

Desde que chegamos, os olhos já buscam pelo Cristo Rei do Pantanal, o maior dos pontos turísticos em Corumbá.

Isso porque ele tem 12 metros e está localizado no topo do Morro do Cruzeiro, na parte alta da cidade.

Por isso, para se ter uma vista panorâmica de Corumbá, a visita ao Cristo Rei do Pantanal é parada obrigatória. Com a reforma do Cristo e de outras estátuas da Via Sacra, o ponto turístico foi revitalizado e está aberto ao público.

A estátua, confeccionada pela artesã Izulina Xavier, tem cerca de 12 metros de altura e está no topo do Morro do Cruzeiro. O caminho até lá já é uma atração: esculturas representando as 14 estações da Paixão de Cristo acompanham o percurso de subida. De cima, a vista abrange tanto a malha urbana de Corumbá quanto a vastidão verde e azul do Pantanal se estendendo ao horizonte — e o pôr do sol daqui está entre os mais belos de MS.

Forte Junqueira

Pontos turísticos em Corumbá, Forte Junqueira

Depois, visitamos o Forte Junqueira, localizado dentro do 17º Batalhão de Caçadores.

Para uma vista privilegiada do Pantanal Sul-Mato-Grossense, conhecer o Forte Junqueira é parada obrigatória. Construído em 1871 com calcário nas margens do Rio Paraguai, o forte possui arquitetura característica e abriga 12 canhões que nunca foram utilizados.

O Forte fica dentro do 17º Batalhão de Caçadores e recebeu esse nome em homenagem ao ministro da guerra da época, José de Oliveira Junqueira. A visita requer solicitação prévia ao Exército Brasileiro, mas vale o esforço.

Igreja Nossa Senhora da Candelária

Datada de 1885, a Igreja Nossa Senhora da Candelária fica na região central de Corumbá e foi tombada em 2021 como Patrimônio Histórico Material do Mato Grosso do Sul. A construção carrega histórias que permeiam o imaginário da população local — entre elas, a lenda do Frei Mariano, que teria enterrado suas sandálias e declarado que a cidade sofreria estagnação enquanto elas não fossem encontradas.

Museu da História do Pantanal (Muhpan)

Um dos mais importantes pontos turísticos de Corumbá e referência regional para entender o Pantanal além da sua biodiversidade. Localizado em um edifício do século XIX, o Muhpan abriga um rico acervo que narra a trajetória da região ao longo dos últimos 8.000 anos, desde os povos originários até os exploradores portugueses.

O grande diferencial do museu está no uso de tecnologia para contar a história da ocupação humana no Pantanal — da presença indígena à colonização, da era de ouro da navegação fluvial à chegada da ferrovia. Uma visita de 2 horas aqui dá contexto para tudo o mais que você vai ver pela cidade.

Praça da Independência

Inaugurada em 1917, a Praça da Independência é um espaço único: possui quatro esculturas representando as estações do ano, esculpidas em mármore de Carrara em Pisa, na Itália, doadas por um conde italiano que veio caçar no Pantanal. A praça fica no centro da cidade e é rodeada de construções históricas que compõem o conjunto arquitetônico do centro de Corumbá.

Escadinha da Quinze

Construída em 1923, a Escadinha da Quinze tem 126 degraus e fica no cruzamento da Avenida General Rondon com a Rua Quinze de Novembro. É um dos principais acessos entre a parte alta da cidade e o Porto Geral — e um ponto tradicional para contemplar o Rio Paraguai e a planície pantaneira ao fundo.

Ladeira Cunha e Cruz

Também chamada de Ladeira da Candelária, Ladeira da Saúde ou Ladeira da Capitania — cada nome aponta para um dos elementos históricos que a cercam. A ladeira é um dos principais acessos ao Porto Geral e ao Rio Paraguai, e foi palco da Batalha de 13 de junho de 1867, durante a Guerra do Paraguai. Seu nome homenageia o capitão da tropa brasileira que derrotou o exército inimigo na retomada de Corumbá.

Todo ano, na noite de 23 para 24 de junho, a ladeira se transforma no cenário do Arraial do Banho de São João — uma das festas juninas mais únicas do Brasil, quando procissões descem até o rio para banhar a imagem do santo.

Arte e artesanato

Artizu — a casa de Izulina Xavier

A Artizu é o ateliê e espaço de visitação da artesã Izulina Xavier, localizado no centro de Corumbá. Em suas obras de pó de pedra, concreto, cerâmica e entalhe em madeira, Izulina retrata santos e figuras do universo pantaneiro — sendo a criadora do próprio Cristo Rei do Pantanal. Uma visita a Artizu é um contato direto com a arte que define a identidade visual de Corumbá.

Casa do Artesão

Fundada em 1975, a Casa do Artesão é onde produtores pantaneiros expõem suas criações em couro, madeira, cerâmica, tecelagem de salsaparrilha, bordados e crochê. Também é possível encontrar artesanato indígena e licores caseiros produzidos no local. O prédio tem história própria — sem registros da construção original, apenas da sua restauração em 1893.

Casa do Massa Barro

Com reconhecimento internacional, esse ponto turístico é um convite para observar as esculturas feitas em cerâmica por crianças e adolescentes de Corumbá, que retratam a fauna e flora do Pantanal com combinação única de cores e detalhes. A história da Casa ganhou projeção nacional em 1991, quando o carnavalesco Joãozinho Trinta a descobriu e levou os jovens artesãos para decorar alegorias das escolas de samba Viradouro e Beija-Flor, no Rio de Janeiro. Uma das obras mais impressionantes é a imagem de São Francisco estilizada em casca de árvores nativas.

Religioso e histórico-militar

Santuário Nossa Senhora Auxiliadora

Construído em 1899 no terreno do Colégio Santa Teresa, o Santuário possui em seu interior uma obra de arte esculpida em madeira: o Cristo na Cruz em tamanho natural, feita pelo artista local Burgo — que era, à época, amigo de Pablo Picasso. Tombado como Patrimônio Histórico Nacional em 1992.

Forte Coimbra

Um dos pontos históricos mais dramáticos de Corumbá — e um dos mais distantes. O Forte Coimbra foi construído em 1775 para proteger a região contra invasões espanholas, foi reconstruído e restaurado ao longo dos anos e é um dos pontos turísticos mais importantes da cidade, oferecendo vistas deslumbrantes do Rio Paraguai.

Suas instalações guardam peças e documentos que contam a história da ocupação militar da região. A visita requer solicitação prévia ao Exército Brasileiro, que mantém a manutenção do local.

Capela Nossa Senhora do Carmo

Localizada em Coimbra, a 65 km de Corumbá e a cerca de duas horas de barco pelo Rio Paraguai, a capelinha guarda imagens trazidas de Portugal às quais foram atribuídos milagres — entre elas a de Nossa Senhora do Carmo, datada do século 18. Todo ano, em 16 de julho, devotos sobem o rio para pagar promessas e celebrar a santa. Uma experiência de turismo religioso e fluvial ao mesmo tempo.

Natureza e ecoturismo

Corumbá é porta de entrada para o Pantanal — e isso significa que, além dos pontos históricos, a cidade oferece acesso direto a uma das maiores concentrações de vida selvagem do planeta.

O município é cercado por inúmeros rios e lagos, como o Rio Paraguai e a Serra do Amolar, que atraem turistas interessados em atividades aquáticas como pesca, mergulho e navegação.

Entre as atividades mais procuradas estão:

Passeios de barco e chalana — as embarcações típicas do Pantanal permitem explorar corixos, baías e rios com guias experientes. Nos passeios é possível avistar jacarés, capivaras, ariranhas, garças, tuiuiús e, com sorte, onças-pintadas nas margens.

Safari e observação de onças — a região do Rio Miranda, próxima a Corumbá, é um dos hotspots mais reconhecidos do mundo para observação de onças-pintadas. Empresas especializadas em avistamento de onças operam na região com barcos e guias treinados.

Pesca esportiva — o Rio Paraguai e seus afluentes são destino clássico de pesca esportiva no Brasil, com espécies como dourado, pacu, pintado e piranha.

Birdwatching — Corumbá e seu entorno concentram algumas das aves de rapina mais raras do Brasil. Confira nossa lista de aves de rapina já avistadas em MS →


A novidade de 2026: o trem turístico da Bolívia

Um acréscimo recente e empolgante para quem visita Corumbá: em 2026, a Bolívia reativou o trem de passageiros ligando Santa Cruz de la Sierra à fronteira com o Brasil, em Puerto Quijarro, conectando-se a Corumbá. O serviço estava suspenso havia seis anos e foi retomado em caráter experimental por seis meses.

O trem passa por áreas históricas como as missões jesuíticas e o Pantanal boliviano, fortalecendo o turismo pantaneiro e conectando a região à Rota Bioceânica. Para o viajante que chega a Corumbá, isso abre a possibilidade de uma experiência rara: cruzar a fronteira, embarcar num trem histórico em Puerto Quijarro e explorar o Pantanal boliviano e as missões jesuíticas da Chiquitânia — um roteiro que combina natureza, história e integração continental.

Como chegar a Corumbá

De carro: Corumbá fica a aproximadamente 430 km de Campo Grande pela BR-262 — cerca de 5 horas de viagem. A estrada é bem conservada e passa por Miranda e a região pantaneira.

De ônibus: há linhas regulares de Campo Grande a Corumbá com tempo de viagem de cerca de 6 horas.

De avião: o Aeroporto Internacional de Corumbá (CGB) opera voos regionais com conexão a Campo Grande.

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Corumbá é um dos destinos mais completos de Mato Grosso do Sul, com história, natureza, fronteira e gastronomia. Se você quer aprofundar o planejamento, explore mais no Aquele Mato.

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Colaborador · AqueleMato
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