Seis dias, 22 livros novos no mundo e uma praça tomada por leitores de todas as idades. A 10ª edição da Feira Literária de Bonito (Flib) encerrou no domingo (12) com a palestra-show da atriz e poeta Elisa Lucinda na Praça da Liberdade, confirmando o evento como um dos encontros literários mais consistentes do Centro-Oeste. Dez anos depois de sua primeira edição, a feira já faz parte da identidade de Bonito tanto quanto os rios cristalinos.
O evento rodou de 7 a 12 de julho com o tema “Linguagens, histórias e memórias da literatura”. Escritores, artistas, professores, mediadores de leitura, pesquisadores e estudantes dividiram espaço com turistas que estavam em Bonito para flutuação e trilha — e acabaram encontrando também um palco literário no meio da temporada.
22 lançamentos: o maior número da história da FLIB

O recorde é o dado mais expressivo da edição comemorativa: 22 obras lançadas em cinco dias, o maior volume já registrado pela feira. Para autores do interior do Brasil, onde o acesso a editoras e livrarias de grande porte é limitado, a FLIB funciona como uma janela rara para o público leitor.
A edição prestou homenagem a Lygia Fagundes Telles, uma das maiores escritoras da literatura brasileira, e a Luciano Serafim, escritor e editor de Dourados que participou ativamente das edições anteriores da FLIB e faleceu em 2025.
O Pantanal na imaginação das crianças
O concurso de escrita para estudantes da rede pública revelou o que os mais jovens de Bonito carregam na cabeça quando pegam numa caneta. Na categoria poesia para alunos do 5º ano, o texto vencedor foi “Meu bicho predileto”, de Isabelly Gauna Santander, da Escola Professora Isaura Pinto Guimarães.
Na categoria narrativa para alunos do 6º ao 9º ano, o primeiro lugar foi de Bruno Carlos Andrade Fernandes, da Escola Rural Osório Jacques — com o conto “Sete dias em Miranda: um campeonato”, situado no Pantanal. Os textos mostram o que qualquer professor de Bonito já sabe: crescer rodeado de rios, grutas e da Serra da Bodoquena deixa marcas no que se escreve.
De Pedro Bial a Elisa Lucinda
O fim de semana reuniu nomes de projeção nacional. No sábado (11), Pedro Bial e o cantor e compositor Jorge Vercillo figuraram entre os destaques da programação. No domingo (12), Elisa Lucinda encerrou a edição com a palestra-show que mistura poesia, música e performance, uma de suas marcas autorais mais reconhecíveis.
A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e a Fundação de Turismo (FundturMS) estiveram entre os apoiadores da edição, reconhecendo na FLIB um instrumento de posicionamento de Bonito como destino completo — não apenas de aventura, mas também de formação cultural.
Bonito tem mais a oferecer do que flutuação
Para quem planeja uma viagem a Bonito, vale saber: o município não é só rios de água transparente, dourados nadando em cardume e araras-azuis sobre os buritizais. É também uma cidade com uma tradição literária consolidada, construída ao longo de dez anos por educadores, escritores locais e pela força de uma comunidade que decidiu criar espaço para a palavra.
A próxima edição da FLIB deve ocorrer em julho de 2027. Quem estiver planejando uma viagem à região da Serra da Bodoquena para o inverno do ano que vem pode consultar o site da feira (flibonito.com) e encaixar a literatura no roteiro entre uma flutuação e um mergulho.
Destinos como o rio Formoso, o Aquário Natural de Bonito e as grutas da região ficam a poucos quilômetros da Praça da Liberdade, o mesmo lugar onde Elisa Lucinda encerrou a década da FLIB.
Confira destinos em Bonito e na Serra da Bodoquena em aquelemato.org/destinos/.