Biólogos têm encontro “impossível” com tatu-canastra em plena luz do dia em MS
Fauna & Flora

Biólogos têm encontro “impossível” com tatu-canastra em plena luz do dia em MS

27 de maio de 2026 3 min de leitura 25 visualizações

Considerada uma lenda viva por seus hábitos estritamente noturnos, espécie gigante foi filmada caminhando fora da toca no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas

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O trabalho de campo na biologia é feito de paciência, persistência e, às vezes, de uma dose inacreditável de sorte. A princípio, pesquisadores passam anos mapeando pegadas e instalando equipamentos sem nunca ver o bicho cara a cara. 

No entanto, uma equipe de biólogos em Mato Grosso do Sul viveu o que a própria ciência considera um encontro raro, emocionante e inesquecível: um tatu-canastra gigante caminhando calmamente fora da toca em plena luz do dia.

O registro em vídeo, que rapidamente viralizou nas redes sociais do Projeto Tatu Canastra (@institutotatucanastra), mostra o animal explorando o terreno sob o sol. Para quem estuda a fauna, esse momento é o equivalente a ganhar na loteria científica, já que ver essa espécie ativa durante o dia é algo raríssimo de acontecer.

Por que esse flagrante é considerado “impossível”?

De fato, o tatu-canastra (Priodontes maximus) é o maior e mais raro tatu do planeta, podendo atingir até 1,5 metro de comprimento e pesar mais de 50 kg. Inclusive, as chances de avistá-lo na lida diurna são mínimas em razão das suas características biológicas:

  • Espécie fossorial: ele passa a imensa maioria da sua vida debaixo da terra, cavando túneis profundos com suas garras que chegam a 20 centímetros.
  • Hábito noturno: ele só sai do miolo das suas tocas nas horas mais escuras da noite para se alimentar de cupins e formigas, retornando antes do amanhecer.

“Momentos como esse marcam profundamente a vida de um biólogo de campo. É um lembrete da beleza, do mistério e da importância de conservar esse animal fascinante, símbolo dos nossos biomas”, destacou a equipe do projeto na publicação.

O santuário de Três Lagoas: uma fortaleza para a espécie

O Parque Natural Municipal do Pombo, localizado em Três Lagoas, na região leste do estado, possui uma área protegida de mais de 80 km² e representa o maior remanescente de cerrado nativo com a presença confirmada de tatu-canastra já identificado pelos cientistas no Mato Grosso do Sul.

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Desde 2022, o ICAS (por meio do Projeto Tatu-canastra) mantém uma parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio da Prefeitura de Três Lagoas. O objetivo das pesquisas nessa unidade de conservação é compreender e monitorar aquela que é avaliada como uma das últimas grandes populações geneticamente viáveis de tatus-canastra em todo o Cerrado sul-mato-grossense.

O engenheiro dos biomas precisa de proteção

Na prática, esse movimento gera um alerta fundamental sobre a conservação ambiental.

Ou seja, o tatu-canastra não é apenas um bicho gigante e curioso; ele é um “engenheiro ecossistêmico”. As grandes buracas que ele cava para dormir servem de abrigo térmico, refúgio contra predadores e local de caça para mais de 100 outras espécies de animais selvagens.

Se o tatu-canastra some por conta da perda de habitat, das queimadas ou do desmatamento do Cerrado, todo esse ecossistema de “hospedagem gratuita” desaba junto.

Por isso, ver esse gigante caminhar livre e seguro sob o sol de Mato Grosso do Sul é a prova viva de que proteger os nossos parques municipais e estaduais é a única garantia de que os mistérios do nosso cerrado continuem vivos.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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