O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBM-MS) deu mais um passo na preparação para a temporada de incêndios florestais de 2026.
Equipes da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA) realizaram uma queima prescrita no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, unidade de conservação na região Norte do estado, próxima ao município de Costa Rica. A técnica consiste em provocar, de forma planejada e controlada, a queima de parte da vegetação para reduzir o acúmulo de biomassa — o material vegetal seco que alimenta incêndios maiores quando a estação seca chega ao auge, normalmente entre julho e outubro em Mato Grosso do Sul.
A ação integrou um conjunto mais amplo de preparativos que o CBM-MS vem conduzindo nas últimas semanas, com revisão de equipamentos, treinamento das equipes e testes de novas tecnologias.
Entre elas, drones equipados com sensores de calor, usados para localizar focos de incêndio antes que eles se espalhem, e uma estação meteorológica portátil, que monitora vento, umidade relativa do ar e temperatura em tempo real — variáveis decisivas para decidir o melhor momento de fazer uma queima prescrita com segurança.

Para a operação no Parque Nascentes do Rio Taquari, a corporação mobilizou cinco viaturas, 20 bombeiros e duas aeronaves Air Tractor especializadas em combate a incêndios florestais, além de abafadores e sopradores usados no controle manual das chamas.
A queima foi conduzida em um trecho de difícil acesso da unidade, escolhido para funcionar como barreira de contenção caso um incêndio maior se inicie nos próximos meses.
Segundo o capitão Pedrozo, chefe de operações da DPA, a escolha do momento exato é o que diferencia uma queima prescrita segura de um risco adicional. “Mensuramos as condições adequadas para essa atividade, aferindo a velocidade do vento, a umidade relativa do ar e a temperatura do local. Nesse momento do ano, temos uma temperatura mais amena, com previsão de chuva para os próximos dias, sendo o momento ideal para esse tipo de ação”, explicou o oficial.
MS concentra dois dos biomas mais afetados
O nosso estado concentra dois dos biomas mais afetados por incêndios florestais do país — o Cerrado e o Pantanal — e a temporada mais crítica, historicamente, começa em julho e se estende até outubro, quando a vegetação seca e os índices de umidade relativa despencam.
Anos recentes deixaram marcas concretas: grandes incêndios já consumiram parcelas expressivas da vegetação nativa do estado, com impacto direto sobre fauna, flora e as comunidades que dependem do turismo de natureza para viver. Reduzir biomassa combustível antes da temporada crítica é uma das ferramentas mais eficazes de manejo do fogo reconhecidas pela literatura técnica, e é justamente isso que a queima prescrita faz, de forma planejada e com controle de risco, diferente de um incêndio acidental ou criminoso.
O que muda na prática
A ação no Parque Nascentes do Rio Taquari foi feita em parceria com o Imasul, a Prefeitura de Costa Rica, a Brigada de Incêndio de Alcinópolis e o Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas da UFMS — uma articulação que reúne ciência, gestão pública e resposta operacional em torno de uma mesma unidade de conservação.
É esse tipo de parceria multi-institucional que vem se tornando padrão nas ações de prevenção em MS, à medida que o manejo integrado do fogo ganha espaço como alternativa ao combate puramente reativo.
Segundo o major Eduardo Teixeira, subdiretor da DPA, a temporada de 2026 está sendo tratada como prioridade desde já. “Existe todo um planejamento envolvendo treinamento e capacitação dos militares, readequação e manutenção dos equipamentos, além da preparação das equipes para mais uma operação. Todo esse trabalho tem como objetivo garantir que o Corpo de Bombeiros esteja sempre pronto e estruturado para agir de forma eficiente quando for necessário”, afirmou o oficial.
Vozes e fontes
– Capitão Pedrozo, chefe de operações da Diretoria de Proteção Ambiental do CBM-MS.
– Major Eduardo Teixeira, subdiretor da DPA.
– Parceiros institucionais citados: Imasul, Prefeitura de Costa Rica, Brigada de Incêndio de Alcinópolis, Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas da UFMS.
Fique de olho
Ações de prevenção como essa tendem a se intensificar nas próximas semanas, à medida que a estação seca avança pelo Cerrado e pelo Pantanal sul-mato-grossenses.
O monitoramento de focos de calor por satélite — como o conduzido pelo INPE — costuma mostrar os primeiros resultados já em julho. O Aquele Mato vai acompanhar como o manejo do fogo é feito dentro das Unidades de Conservação do estado ao longo da temporada, e o que isso significa para os destinos de ecoturismo que mais dependem dessa proteção.