Com investimento superior a R$ 51 milhões, contorno rodoviário de 7,6 km ligará acessos ao aeroporto e a Bodoquena; projeto prioriza preservação ambiental e segurança da fauna local
A logística urbana da principal vitrine turística de Mato Grosso do Sul inicia uma transformação histórica.
Recentemente, o Governo do Estado autorizou a construção do anel viário de Bonito, uma intervenção estratégica para desviar o fluxo de veículos pesados da região central.
Com extensão de 7,6 km, o anel viário ficará entre a MS-382/MS-178, acesso ao aeroporto de Bonito, e entre a MS-178/MS-382, acesso a Bodoquena.
Com efeito, a complexidade do projeto justifica o aporte de R$ 51,2 milhões.
Sob essa ótica, a obra não apenas atende a uma demanda antiga da comunidade, mas também prepara o município para o crescimento contínuo do setor turístico.
Vale destacar que o traçado foi planejado para mitigar impactos ambientais, incorporando passagens específicas para animais e túneis sob rotas históricas, como a Estrada Boiadeira.
Contorno promete segurança e fluidez
Sob o aspecto operacional, o novo contorno de 7,6 km tem como missão principal absorver a passagem de aproximadamente 500 caminhões que, diariamente, transitam pelo núcleo urbano com destino a Bodoquena e Miranda.
Além disso, a retirada desse fluxo promete maior segurança para pedestres e fluidez para o transporte de passageiros.
Desta forma, a execução sob responsabilidade da Agesul prevê uma estrutura robusta, com a proposta de:
- Mobilidade integrada, com pistas duplas acompanhadas de ciclovias e passarelas.
- Engenharia sustentável, com túneis e passagens de gado para preservar corredores biológicos.
- Conectividade e integração eficiente entre as rodovias MS-382 e MS-178.
O cenário do turismo em 2026
Paralelamente ao avanço estrutural, os dados do Observatório do Turismo (OTEB) confirmam a pressão sobre a infraestrutura local.
Isto posto, os indicadores do primeiro trimestre revelam que a cidade mantém sua atratividade, atraindo visitantes majoritariamente das regiões Sudeste e Sul do país.
Conforme apontam as estatísticas de janeiro a março, temos um intenso fluxo de visitantes, com 71.730 turistas registrados no período.
Desses visitantes, São Paulo lidera a emissão (36,4%), seguido por Paraná (10%) e Rio Grande do Sul (7,5%).
Superação de entraves e realocação social
Noutro giro, a viabilização do projeto encerra um ciclo de incertezas iniciado em 2016.
De acordo com a administração municipal, a obra era tratada como um “sonho” que começou a ganhar contornos reais em 2021, quando a Prefeitura buscou suporte financeiro junto ao Estado.
Todavia, o percurso até o canteiro de obras enfrentou turbulências: em 2022, a previsão era de que o investimento seria de R$ 27 milhões, valor que, quatro anos depois e após licitações frustradas, acabou saltando para quase o dobro devido à atualização de custos e do projeto.
Nesse sentido, após certames fracassados nos anos anteriores onde nenhuma empresa atendeu às exigências da Agesul, a contratação da empreiteira Cosampa em 2025 finalmente destravou a proposta.
Entretanto, a conclusão do anel viário na região sul ainda demandará a realocação assistida de cerca de 60 famílias que ocupam a faixa de domínio, um passo sensível para o fechamento do contorno definitivo.
A realidade é que investimentos dessa magnitude consolidam Bonito como referência global em gestão de destinos. Afinal, o desenvolvimento econômico só é pleno quando caminha lado a lado com a proteção dos ativos naturais que tornam MS único.