Ponte sobre o Segredo gera impasse entre mobilidade e floresta urbana na Capital
Conservação & Meio Ambiente

Ponte sobre o Segredo gera impasse entre mobilidade e floresta urbana na Capital

24 de abril de 2026 📖 3 min de leitura 👁 5 visualizações

Projeto de travessia no Parque Linear do Segredo coloca em lados opostos a mobilidade urbana e o reflorestamento comunitário de 14 anos; moradores e especialistas sugerem alternativas à obra

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Campo Grande vive uma queda de braço onde cada árvore conta uma história de décadas. 

Recentemente, a proposta de construção de uma ponte ligando os bairros Jardim Seminário e Monte Castelo, sobre o Parque Linear do Segredo, tornou-se o centro de uma intensa polémica ambiental. 

No caso, o que a prefeitura vê como uma solução para o fluxo de 4.700 veículos/hora na região, a comunidade encara como uma ameaça de morte a um ecossistema recuperado “mão a mão”.

De fato, o debate ganhou corpo após voluntários do projeto Ecoplantar denunciarem que o traçado da obra poderia suprimir parte de uma área reflorestada há 14 anos. 

Além disso, o conflito chegou a uma audiência pública na noite desta quinta-feira (23), onde moradores e técnicos da prefeitura apresentaram visões divergentes sobre o progresso.

Ponte já constava em plano diretor desde 2009

Em primeiro lugar, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) justifica a necessidade da ligação viária em razão da pressão dos novos empreendimentos imobiliários na zona norte. 

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Inclusive, a ponte já consta em planos diretores desde 2009, com a intenção de reduzir trajetos longos e distribuir o tráfego local.

Através da Planurb, a prefeitura reforça que o projeto ainda está em análise inicial.

Dessa maneira, a diretora-presidente Mariana Massud garantiu que não existe um projeto definido ou execução imediata, sublinhando que qualquer intervenção em Área de Preservação Permanente (APP) seguirá um rito rigoroso de licenciamento ambiental.

Gestores ambientais questionam impacto

Nesse contexto, a cofundadora do Ecoplantar, Marina Solon, e gestores ambientais como Marcos Eduardo, questionam a falta de diálogo prévio.

Assim, eles argumentam que o parque já cumpre funções urbanas vitais, como a drenagem natural que evita alagamentos e o abrigo de fauna silvestre, como mutuns e cutias.

Em vez de uma ponte sobre a área verde, o recurso de contrapartida das construtoras deveria ser usado para requalificar o parque com iluminação, lazer e segurança, conforme os defensores do parque.

Além disso, há o debate sobre o impacto local.

Pois moradores pioneiros, com 60 anos de região, defendem que a prioridade deveria ser a melhoria do transporte público e saúde, e não apenas obras viárias.

Da mesma forma, especialistas da UFMS apresentaram estudos que mostram o parque como um conector essencial de áreas verdes da Capital.

Ministério Público e o futuro

Nesse momento, o caso está sob a lupa do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). 

Inclusive, o promotor Luiz Antônio Freitas afirmou que o órgão fiscalizará se a prefeitura conseguirá comprovar que não existem alternativas técnicas que poupem o reflorestamento.

Enfim, o desenvolvimento de Campo Grande não pode ser feito à custa do retrocesso ambiental. 

Até porque o Parque do Segredo é um exemplo raro de que a sociedade civil pode, sim, transformar o deserto em floresta urbana.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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