Com estimativa de perda de 50% da população em cinco anos, Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) convoca moradores e trabalhadores do campo para identificar redutos do menor tatu do Centro-Oeste
O destino de um dos animais mais emblemáticos do Brasil corre contra o tempo nas planícies pantaneiras.
Por isso, pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) lançaram um questionário nacional com o objetivo de localizar os últimos refúgios do tatu-bola em Mato Grosso do Sul.
Dessa forma, a iniciativa busca não apenas mapear a presença da espécie, mas fundamentar estratégias de preservação urgentes para evitar sua extinção.
Isso porque a vulnerabilidade do animal é acentuada por suas características biológicas.
Ao contrário de outros tatus, o tatu-bola não cava tocas profundas e possui baixa velocidade de deslocamento.
Então, quando se sente ameaçado, ele se enrola sobre o próprio corpo, uma estratégia eficiente contra predadores naturais, mas fatal diante do avanço dos incêndios florestais.
O impacto das chamas e do desmatamento
Sob o aspecto ambiental, os números são alarmantes.
Estimativas do ICAS indicam que o Pantanal pode ter perdido metade de sua população de tatu-bola nos últimos cinco anos.
Em contrapartida às defesas naturais da espécie, o fogo não oferece chance de fuga para o animal que, ao se assustar, acaba se tornando uma vítima fácil das queimadas.
Desta forma, a degradação do habitat surge como o segundo grande vilão.
Para começar, há a conversão de pastagens, quando áreas antes destinadas à pecuária extensiva estão dando lugar a monoculturas de soja e eucalipto.
Assim como a fragmentação de habitat, pois a substituição da vegetação nativa dificulta a sobrevivência e o deslocamento da espécie, mesmo em locais historicamente povoados por ela.
E mais, atualmente, os registros mais consistentes em MS concentram-se na região da Serra do Amolar, na divisa com Mato Grosso e a fronteira boliviana.
Pesquisa depende da sua participação
Paralelamente ao esforço técnico, a pesquisa depende essencialmente da participação de quem vive o dia a dia do bioma.
Então, o questionário busca coletar relatos de peões, fazendeiros e moradores que tenham avistado o animal em suas propriedades.
Conforme explica o presidente do ICAS, Arnaud Desbiez, essa colaboração é o que permitirá redesenhar o mapa de distribuição da espécie na região.
Nesse sentido, a preservação do tatu-bola é vital para o equilíbrio do ecossistema. Além de auxiliar no controle de pragas, o animal atua na aeração do solo e suas passagens servem de abrigo temporário para diversas outras espécies da fauna pantaneira.
Noutro giro, o desaparecimento de um animal que pesa apenas 2 quilos e possui hábitos noturnos pode passar despercebido por muitos, mas seu impacto ambiental é imenso.
Todavia, o engajamento da sociedade civil e o rigor no monitoramento de áreas convertidas para a agricultura são os pilares necessários para reverter esse cenário de declínio.
Afinal, o tatu-bola não é apenas um símbolo nacional; é uma peça insubstituível na engrenagem que mantém o Pantanal vivo e pulsante.