Selfie que custa caro: pousada é investigada e multada em R$ 50,5 mil por permitir que turistas alimentem e beijem araras
Conservação & Meio Ambiente

Selfie que custa caro: pousada é investigada e multada em R$ 50,5 mil por permitir que turistas alimentem e beijem araras

23 de maio de 2026 3 min de leitura 3 visualizações

Relatórios do Ibama apontam que o Refúgio Ecológico Pousada Canaã, em Bodoquena, descumpriu licença ambiental ao fechar os olhos para a interação ilegal com a fauna silvestre; Ministério Público acompanha o caso

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O limite entre a contemplação e a exploração da vida selvagem virou alvo de uma investigação severa no Mato Grosso do Sul. 

Claro que o desejo de registrar a proximidade com a natureza atrai milhares de visitantes para a Serra da Bodoquena, mas uma prática comum no ambiente digital acendeu o alerta vermelho das autoridades. 

Recentemente, no Diário Oficial de quinta-feira (21), o Ministério Público Estadual (MPMS) divulgou a abertura de uma Notícia de Fato para apurar possíveis crimes ambientais no Refúgio Ecológico Pousada Canaã, localizado em Bodoquena (MS).

A investigação se baseia em relatórios técnicos do Ibama, que flagraram o uso irregular de aves silvestres para o entretenimento e a promoção turística, descumprindo regras fundamentais de conservação.

O flagrante nas redes sociais: beijos, selfies e alimentação artificial

O que parecia “conteúdo fofo” na internet era, na verdade, uma infração ambiental crônica. 

De acordo com o Ibama, a fiscalização bateu na porteira do empreendimento em fevereiro deste ano, após monitorar imagens frequentes nas redes sociais que mostravam turistas pegando, conduzindo e interagindo diretamente com aves.

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Olhando mais de perto, o relatório do órgão federal detalha cenas explícitas:

  • Interação proibida: havia registros de visitantes alimentando e, em alguns casos, até beijando os animais silvestres para tirar fotos.
  • Omissão da pousada: a licença ambiental do local continha uma regra expressa que proibia qualquer interação entre hóspedes e a fauna. O Ibama apontou que o local foi omisso em coibir a prática.
  • Costume antigo: ao ser questionada pelos agentes, a administração da pousada admitiu que os próprios funcionários alimentam as araras há anos com sementes e frutas.

Multa pesada e investigação na Polícia Civil

Dessa maneira, a insistência em transformar a fauna em atração interativa gerou consequências imediatas para o bolso e o rastro jurídico do hotel fazenda. 

Por conta da exploração comercial da imagem de animais silvestres e pelo descumprimento das regras de licença, o Ibama aplicou um auto de infração com multa fixada em R$ 50,5 mil.

Agora, o caso ganhou contornos mais sérios na esfera penal. A Promotoria de Justiça determinou que a Polícia Civil abra um procedimento investigativo no prazo de 10 dias para apurar os supostos crimes ambientais. Ademais, o estabelecimento foi notificado a prestar esclarecimentos formais no mesmo período.

Por que o “Turismo de Instagram” ameaça a fauna?

Na prática, esse movimento gera uma discussão urgente para todo viajante. Alimentar ou tocar em um bicho livre destrói seu instinto de caça e defesa, torna o animal dependente do ser humano e facilita a ação de traficantes de fauna

Ou seja, a beleza de Bonito e da Serra da Bodoquena reside justamente no fato de os animais serem livres e selvagens.

O turismo regenerativo que o MS defende mundialmente não aceita o animal como um objeto de cenário. Lugar de arara é voando alto no céu, e o papel do turista consciente é apenas admirar, mantendo as mãos no bolso e o respeito em primeiro lugar.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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