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Você já ouvir falar que cultivar eucalipto prejudica as reservas de água subterrâneas?

Planta amplamente utilizada após a descoberta do seu valor econômico, hoje o eucalipto é a principal fonte de alimentação da indústria de celulose no Brasil.

Tornando o assunto bastante discutido em razão dos prós e contras do plantio do eucalipto na preservação de florestas.

Troncos de Eucalipto

Considerado uma planta exótica, por ser uma espécie originária da Austrália, o eucalipto é de crescimento rápido e com ciclo de cortes de aproximadamente sete anos, a depender do seu uso.

Existem mais de 700 espécies, mas, no Brasil, as espécies plantadas são as de rápido crescimento.

Uma questão bem controversa que envolve o setor diz respeito aos impactos ambientais gerados pelo plantio de eucalipto, porque, segundo ambientalistas, ele consome muita água, diminuindo o fluxo de rios e córregos.

Como o eucalipto necessita de maior consumo de água em comparação com a vegetação nativa ou outras plantações de menor porte, isso pode ocasionar a redução do recurso hídrico das bacias onde estão instaladas.

A indústria agroexportadora da pasta de celulose esconde os severos danos dessa lucrativa atividade sem nenhum senso crítico, alegando que age com responsabilidade social e em harmonia ambiental.

Mas, mesmo assim, para o setor empresarial, as florestas plantadas são ecologicamente corretas, com pontos positivos, como alta taxa de sequestro do gás carbônico e a restauração de áreas degradadas, principalmente pelas pastagens.

Por outro lado, entidades que buscam cuidar do meio ambiente chamam essas plantações de “deserto verde”, sustentando que elas não podem ser chamadas de florestas, em razão da pequena biodiversidade que oferecem, e que causam, sim, impactos na natureza.

A floresta e a biodiversidade

Por não ser uma espécie nativa do Brasil, a floresta de eucalipto reduz a biodiversidade da região, assim como por não ser cultivada juntamente a outras espécies de vegetais (monocultura), causando a diminuição da diversidade vegetal também, já que a mesma impede que ali se desenvolvam pequenos arbustos e gramíneas.


Eucalipto

By Welliton Fonseca, CC BY-SA 3.0, Link

Sabendo que são poucos os animais que conseguem sobreviver nesses tipos de florestas – apenas formigas e caturritas (aves predadoras de lavouras que usam as árvores de eucalipto como abrigo, mas não se alimentam delas) -, a falta de diversidade da fauna é outro problema.

O tamanho das plantações é mais um fator preocupante, pois, em larga escala, elas contribuem para o desgaste dos recursos naturais, como o solo.

Ressecamento do solo e uma maior exposição à erosão são fatores que deixam o solo empobrecido e causam problemas para recuperar áreas tão degradadas como essas, resultando em enormes gastos por parte das autoridades competentes.

A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) realizou um estudo que mostrou que os impactos não são tão significativos se as plantações ocuparem até 20% da área da microbacia em que se encontra.

E não é raro o plantio de eucalipto ultrapassar esse limite, causando alterações ambientais.

Como exemplo, podemos citar o estado do Espírito Santo, onde foi introduzido o eucalipto, causando a seca de mais de 130 córregos, segundo a Fase, organização não governamental que atua na área socioambiental da região.

Eucalipto

By Denis A. C. Conrado, CC BY-SA 3.0, Link

Regiões do cerrado maranhense e dos estados de São Paulo e Minas Gerais também sofrem com os problemas causados pela monocultura do eucalipto.

Assim, vem sendo cada vez mais fácil notar o “deserto verde” ao nosso redor.

Municípios de MS são campeões no plantio de eucalipto no país

Dados parciais do Censo Agropecuário 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram que, das cinco cidades brasileiras com maior quantidade de pés de eucalipto, quatro são de Mato Grosso do Sul.

São elas Três Lagoas (primeira), com 267,993 mil; Ribas do Rio Pardo (segunda), com 204,604 mil; Selvíria (terceira), com 194,615 mil e Brasilândia (quinta), com 156,530 mil. Em quarto lugar está a cidade paranaense, Piraí do Sul.

Assim, acompanhamos o encolhimento das pastagens para o desenvolvimento de lavouras e florestas plantadas.

Com esse aumento significativo, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul ( Imasul) fixou em R$ 30 milhões a compensação ambiental que uma usina de celulose terá de pagar ao Estado, segundo o texto, “decorrente de impactos negativos não mitigáveis ocasionados pela implantação do empreendimento”. O termo foi publicado no Diário Oficial do Estado.

Ou seja, efeitos que não podem ser evitados em função da construção e, por isso, demanda a compensação ambiental.

Em janeiro de 2018, a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar autorizou a Licença Prévia para estudos com o objetivo de implantar a Usina Termelétrica Onça Pintada no município de Selviria, em MS – a primeira do Estado.


O projeto terá capacidade de produzir 50MW, operando a partir da biomassa feita de eucalipto, cuja matéria-prima pode ser transformada em energia a partir da combustão de material orgânico, como galhos, raízes, folhas e resíduos de madeira utilizada na produção de celulose.

Alternativa que temos bem aqui! Boa notícia para a nossa geração de energia, né?

Enfim, assim como em toda monocultura, não existem plantas malditas, mas sim manejo malfeito. Como somos um estado de destaque no setor, deixamos a importância de nos atentar a essas informações. Se não… o que faremos quando não houver mais água? Comer papel.

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Mato Grosso do Sul, Oriente-se

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Messa Ndompetelo Leonardo
Quero saber a importância da plantação e a conservação de Eucalipto na biodiversidade. Quando temos as águas superficiais que ocorrem nas bacias de contenção, será possível a implementação das plantação de eucalipto oa redor como uma função de mitigar a área circunvizinhas? Obrigado, Espero uma boa contribuição .
Aquele Mato
O eucalipto consegue drenar o solo apenas em quantidades muito grandes (florestas), perdurando o ápice no consumo de água nos primeiros 10 anos e depois o consumo acaba sendo reduzido, o que torna inviável usá-los com o único fim de mitigar a área das bacias de contenção. Originário da Austrália e outras ilhas da Oceania, o eucalipto não tem muita importância para biodiversidade no Brasil.