Rotas turísticas de Mato Grosso do Sul: Cerrado-Pantanal, Monções, sítios rupestres e os ecoparques de Bonito
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Rotas turísticas de Mato Grosso do Sul: Cerrado-Pantanal, Monções, sítios rupestres e os ecoparques de Bonito

25 de junho de 2026 6 min de leitura 0 visualizações
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Bonito e o Pantanal já são parada obrigatória em qualquer roteiro pelo nosso estado. Mas quem sai do eixo mais conhecido encontra outro Mato Grosso do Sul: cânions e grutas no Norte, rios que ainda guardam a rota das expedições do ouro do século 18, sítios com pinturas rupestres de até 12 mil anos e um circuito de cachoeiras privadas que já é referência mundial.

Só na região que reúne Alcinópolis, Coxim e outros nove municípios do Norte do Estado — a chamada Rota Cerrado-Pantanal — convivem num mesmo roteiro safáris de observação de fauna, cânions, grutas e mais de duas dezenas de sítios arqueológicos catalogados, como os 28 só em Alcinópolis.

Neste guia, reunimos quatro roteiros que mostram essa outra camada do nosso turismo: o que cada um oferece, onde fica e como se planejar para visitar.

Rota Cerrado-Pantanal: o mosaico de dois biomas no Norte do Estado

Antes chamada de Rota Norte, a Rota Cerrado-Pantanal reúne 11 municípios — Alcinópolis, Bandeirantes, Camapuã, Costa Rica, Coxim, Figueirão, Paraíso das Águas, Pedro Gomes, Rio Verde de Mato Grosso, São Gabriel do Oeste e Sonora — numa região turística administrada pela Agência de Desenvolvimento Econômico Cerrado Pantanal.

O que torna essa rota diferente é a transição: numa mesma viagem, o visitante passa da vegetação seca e tortuosa do Cerrado para as áreas baixas de influência pantaneira, com fauna e paisagem de cada bioma se alternando ao longo do caminho.

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É território de safáris fotográficos, trilhas, cânions, grutas calcárias e parques — tanto municipais quanto estaduais e federais —, além de cachoeiras menos exploradas do que as de Bonito.

Alcinópolis, especialmente, vem ganhando força como destino de cânions e cachoeiras de água cristalina, no mesmo tipo de formação geológica que torna Bonito famoso, mas com fluxo de visitantes ainda bem menor.

Rota das Monções: descendo os mesmos rios que os bandeirantes desciam há 300 anos

No mesmo recorte do Norte do Estado, com epicentro em Coxim, a Rota das Monções resgata um capítulo específico da história: as monções foram expedições fluviais realizadas entre os séculos 17 e 19 para transportar gente, mantimentos, armas e especiarias entre São Paulo e Cuiabá — um dos movimentos que ajudaram a consolidar a fronteira oeste do Brasil.

Hoje, a experiência turística reconstitui parte desse caminho histórico pelos rios da Bacia do Taquari e da sub-bacia do Rio Coxim.

O roteiro mais difundido é um pacote de dois dias e uma noite, navegado em barcos de alumínio abertos pelos rios Coxim e Jauru, com pernoite na Aldeia dos Diamantes — onde o visitante convive com famílias locais, participa de oficinas sobre os antigos ofícios ligados à exploração do ouro e prova a culinária regional. É turismo de base comunitária: a renda fica com pescadores e pequenos produtores rurais da região, e o roteiro também contempla matas ciliares, corredeiras e cachoeiras ao longo do trajeto.

Rota Rupestre: turismo arqueológico em sítios com até 12 mil anos

Essa é a que menos aparece nos roteiros tradicionais e tem o potencial científico mais surpreendente.

Mato Grosso do Sul tem 737 sítios arqueológicos cadastrados no Iphan, e 16 dos 79 municípios do Estado registram pinturas ou gravuras rupestres. Os 80 sítios com maior potencial para visitação estão concentrados no corredor ecológico Cerrado-Pantanal, com destaque para Alcinópolis, que sozinha soma 28 sítios já identificados.

A Rota Rupestre é um programa institucional da UFMS, idealizado pela arqueóloga Lia Brambilla e pelo professor Ivo Leite, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

By FigueiraoOwn work, CC BY-SA 3.0, Link

O projeto reúne os municípios de Alcinópolis, Chapadão do Sul, Corguinho, Costa Rica, Coxim, Figueirão, Jaraguari, Paraíso das Águas, Pedro Gomes, Rio Negro, Rio Verde, São Gabriel do Oeste e Sonora, e tem como objetivo transformar o patrimônio arqueológico — datado em até 12 mil anos — em turismo sustentável de base comunitária, nos moldes do que já acontece no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí.

A expectativa dos pesquisadores é que a divulgação científica vire produto turístico nos próximos anos, com visitas guiadas aos sítios de arte rupestre integradas à vivência rural e à gastronomia típica da região.

O circuito dos ecoparques de Bonito-Serra da Bodoquena

Diferente das três rotas anteriores, não existe um programa oficial batizado de “Rota dos Ecoparques” pela Fundtur.

Mas, na prática, a região de Bonito-Serra da Bodoquena já funciona como um circuito consolidado de parques privados voltados à conservação e ao ecoturismo — e vale tratá-lo como tal na hora de planejar a viagem.

O nome que mais chama atenção hoje é o Boca da Onça Ecotour, a 58 km de Bonito: ali está a maior cachoeira de Mato Grosso do Sul, com 156 metros de altura, e o maior rapel em plataforma do Brasil, com 90 metros.

O parque, instalado em propriedade privada na Serra da Bodoquena, reúne 15 pontos entre cachoeiras e poços, sendo 9 deles próprios para banho — e foi eleito a melhor atração da América do Sul e um dos dez melhores do mundo no Travelers’ Choice 2026 do TripAdvisor.

A cerca de 17 km do centro de Bonito, o Parque das Cachoeiras oferece outra experiência: uma trilha suspensa de 1.700 metros dentro da mata, que passa por sete cachoeiras com poços naturais para banho. Ambos funcionam em fazendas particulares, com horários e número de visitantes controlados e, por isso, reservar com antecedência é regra, não sugestão.

Como escolher a rota certa para a sua viagem

Se o foco é fauna e paisagem de dois biomas em poucos dias, a Rota Cerrado-Pantanal entrega isso com infraestrutura turística já mais madura.

Quem busca uma vivência cultural mais lenta, em contato com comunidades ribeirinhas, encontra na Rota das Monções um roteiro de imersão histórica que pouco turista de MS conhece.

Já a Rota Rupestre é a aposta certa para quem viaja com crianças em idade escolar ou tem interesse genuíno em arqueologia — vale acompanhar a divulgação da UFMS sobre quando os sítios abrirão para visitação estruturada. E o circuito de ecoparques em Bonito-Serra da Bodoquena continua sendo a opção mais acessível para quem quer aliar conforto, infraestrutura turística consolidada e cachoeiras de tirar o fôlego num único fim de semana.

Nenhuma dessas quatro experiências exclui a outra e, somadas, mostram que o nosso estado vai muito além do roteiro mais óbvio.

Para planejar a próxima etapa da viagem, vale explorar os destinos já mapeados pelo Aquele Mato em aquelemato.org/destinos/.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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