O Arraial do Banho de São João, uma das maiores festas culturais do Centro-Oeste, fechou a edição 2026 em Corumbá na terça-feira (23) com uma camada que vem ganhando peso nos últimos anos: ações de sustentabilidade conduzidas pela Fundação de Meio Ambiente do Pantanal (FMAP).
Além da tradicional descida dos andores e do banho do santo nas águas do Rio Paraguai, a Prefeitura instalou sinalização educativa sobre descarte de resíduos, organizou a coleta do óleo de cozinha usado nas barracas de alimentação e vai plantar cerca de 30 mudas de árvores na região do Porto Geral logo após o encerramento da festa.

Por que isso importa para o nosso Pantanal
O vínculo entre o Arraial e o rio não é só cenográfico. Mantida por mais de 100 famílias festeiras há gerações e reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, a celebração é construída em torno da água: a Novena de São João abre a programação, os andores descem em cortejo de barco pelo Rio Paraguai e o ritual central — o banho do santo — acontece dentro do próprio rio, no Porto Geral.
O rio Paraguai é um dos eixos hídricos mais importantes do Pantanal, drenando parte da bacia que sustenta a maior planície inundável do planeta, e funciona como porta de entrada simbólica de Corumbá para quem chega pela água.
Cuidar do entorno do Porto Geral durante um evento que reúne milhares de pessoas, portanto, não é uma pauta ambiental genérica, é proteger o cenário natural que dá sentido à própria tradição.
O que mudou na prática durante a festa
A FMAP estruturou três frentes ao longo dos dias de festejo. A primeira foi a instalação de placas educativas em pontos estratégicos do evento, reforçando o descarte correto de resíduos e a importância da preservação do rio e dos espaços públicos usados por moradores e visitantes.
A segunda foi a coleta do óleo vegetal usado nas barracas da praça de alimentação, um resíduo que, despejado de forma irregular, contamina solo e recursos hídricos.
A terceira, que começa a ser executada justamente agora que a programação terminou, é o plantio de aproximadamente 30 mudas de árvores na região do Porto Geral, como medida de compensação e valorização da arborização urbana, com ganhos de paisagismo e conforto térmico para quem frequenta a área ao longo do ano.
Vale o contraponto: ações pontuais como essa têm valor real, mas limitado por natureza. Elas cuidam do impacto enquanto a festa acontece, e não necessariamente depois dela.
Para se tornar política ambiental permanente, a coleta de óleo usado e o monitoramento do descarte de resíduos precisariam continuar ativos fora do período junino, algo que a prefeitura ainda não detalhou se vai manter ao longo do ano.
Ações são compromisso da prefeitura
Segundo a Prefeitura de Corumbá, as ações integram o compromisso da gestão municipal com eventos cada vez mais sustentáveis, conciliando tradição, cultura popular e responsabilidade ambiental.
O Arraial do Banho de São João 2026 foi realizado pela Prefeitura de Corumbá, por meio da Fundação da Cultura e da FMAP, com patrocínio da mineradora LHG Mining e apoio da Caixa Econômica Federal, do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).
SERVIÇO
– O quê: ações de sustentabilidade da FMAP durante o Arraial do Banho de São João 2026
– Onde: Porto Geral, às margens do rio Paraguai, Corumbá (MS)
– Quando: festejos concentrados em 22 e 23/06/2026; plantio das mudas previsto para começar após o encerramento
– Realização: Prefeitura de Corumbá (Fundação da Cultura e FMAP), com apoio do Governo de MS e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul
Para quem mora ou visita Corumbá, o resultado mais visível só deve aparecer nos próximos meses, quando as mudas plantadas no Porto Geral começarem a ganhar copa. Mas o gesto já aponta para algo maior: uma das tradições mais antigas do nosso Pantanal pode crescer sem pesar sobre o rio que lhe dá nome e sentido.