O Instituto SOS Pantanal lançou nesta segunda-feira (6) um vídeo feito com inteligência artificial que reconstitui o Pantanal como ele era em 1543, no auge da cheia do Rio Paraguai. A produção é uma parceria com o influenciador digital Rodrigão, do canal “Rodrigão viaja”, e já está disponível nas redes do instituto.
O vídeo recria a época em que os primeiros espanhóis a explorar a região encontraram uma planície de inundação tão extensa que pareceria, aos olhos deles, um mar. Batizaram o lugar de “Mar de los Xarayes”, nome que hoje aparece em relatos históricos sobre a chegada dos europeus ao Pantanal, mais de dois séculos antes da fundação das primeiras vilas na região.
Reconstituição recupera história local
O Pantanal é a maior planície inundável do mundo, e cerca de 64% da sua área no Brasil está em Mato Grosso do Sul. O regime de cheias e secas — cheio entre novembro e março, seco entre julho e setembro — molda a vida de todas as espécies do bioma há milênios, e é justamente esse ciclo que o vídeo tenta recuperar visualmente para um público que hoje conhece majoritariamente o Pantanal fragmentado por fazendas, estradas e, mais recentemente, por incêndios recorrentes.
Reconstituições como essa cumprem um papel que dado bruto não cumpre sozinho: mostram a escala do que existia antes da ocupação humana intensiva. Segundo a descrição do próprio SOS Pantanal, a cena recriada mostra cardumes densos subindo à superfície, jacarés-do-papo-amarelo em grande quantidade e milhares de aves cobrindo o céu — um retrato da abundância que hoje serve de parâmetro para medir o quanto o bioma já perdeu ou ainda preserva.
O povo Guató e a vida sobre a água
O vídeo também recupera a presença do povo Guató, historicamente descrito como “o povo das águas” por viver dentro da própria dinâmica de cheia do Pantanal. Os Guató se deslocavam em canoas monóxilas, feitas a partir de um único tronco escavado, e erguiam suas casas sobre aterros elevados, os marabohó, uma solução de engenharia que permitia habitar em meio à água sem depender de terra firme.
Esse detalhe é o que diferencia a reconstituição de uma simples animação de paisagem: ela reinsere a presença humana indígena na história do bioma, num momento em que discussões sobre território, conservação e comunidades tradicionais no Pantanal seguem no centro do debate ambiental do estado.
Instituto indica que mais vídeos serão feitos
A produção é assinada pelo Instituto SOS Pantanal, organização não governamental com atuação consolidada em conservação, monitoramento de fauna, flora pantaneira e combate a incêndios no bioma, e publicada em parceria com o criador de conteúdo Rodrigão. O instituto indica que este é o primeiro de uma sequência de vídeos sobre o tema. Um segundo vídeo já está disponível, dando continuidade à reconstituição.
SERVIÇO
Onde assistir: o vídeo da série está disponíveis nos canais do Instituto SOS Pantanal e replicados no post publicado em sospantanal.org.br/pantanal-de-500-anos-atras-ganha-vida-com-ia/.
Quem quiser acompanhar os próximos episódios da série pode seguir as redes sociais do SOS Pantanal e do canal “Rodrigão viaja”.