Bonito já ensinou o mundo a fazer ecoturismo. Agora vai ensinar como um destino turístico age diante da crise climática.
Nesta quinta-feira (1º de outubro), durante a Abav Expo — o maior evento do turismo brasileiro, realizado no Expo Center Norte, em São Paulo —, Mato Grosso do Sul lança o Plano de Ação Climática do Destino Turístico de Bonito: o primeiro documento desse tipo desenvolvido para um destino turístico no Brasil, construído com bases técnico-científicas, indicadores de desempenho mensuráveis e metas concretas de descarbonização.
A iniciativa é coordenada pela Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), com apoio da Prefeitura de Bonito e coordenação técnica da GI International (Green Initiative).

O que o plano prevê e o que isso significa na prática
O documento organiza a atuação climática de Bonito em quatro eixos: transição energética e mobilidade; resíduos sólidos e economia circular; regeneração dos ecossistemas e reflorestamento; e educação climática e engajamento no turismo.
A meta central é direta: reduzir em pelo menos 20% as emissões de gases de efeito estufa por turista até 2030, na comparação com a linha de base de emissões de 2021, elaborada conforme metodologias reconhecidas para inventários de gases de efeito estufa.
O plano segue a Declaração de Glasgow sobre Ação Climática no Turismo, conduzida pela ONU Turismo, que orienta destinos e organizações por cinco caminhos complementares: mensuração, descarbonização, regeneração, colaboração e financiamento. No contexto estadual, a iniciativa está diretamente associada à meta de Mato Grosso do Sul de atingir a neutralidade de carbono até 2030.
Não é o primeiro reconhecimento, mas é o mais técnico
O plano climático chega num momento em que Bonito acumula títulos que confirmam a consistência da sua proposta de turismo. Recentemente, o destino conquistou o reconhecimento de primeiro destino de ecoturismo carbono neutro do planeta, resultado de um sistema de monitoramento de emissões que abrange hotéis, pousadas e restaurantes certificados. E em cerimônia em Londres, recebeu o troféu de Melhor Destino de Turismo Responsável do Mundo.
A diferença do Plano de Ação Climática é que ele vai além do reconhecimento: define o caminho, os indicadores e as metas que vão sustentar esse posicionamento nos próximos anos. Não é marketing, é governança climática.
O que mais MS leva para a Abav Expo
O lançamento do plano é o ponto alto de uma participação mais ampla de Mato Grosso do Sul na Abav Expo 2026, de 30 de setembro a 2 de outubro. Entre as ativações de destaque estão as apresentações do Pantanal JAM, as capacitações do trade turístico sul-mato-grossense, a degustação gastronômica às cegas — com os chefs Marcílio Galeano e Lucas Caslu —, painéis e a compensação de carbono pelo Carbonômetro, com apoio ao Projeto Arara Azul.
O Estado também estará presente com a Jaguar Parade, que leva duas esculturas de onças-pintadas ao pavilhão. Uma delas, criada pelo artista plástico Gui Mancini, conecta Pantanal e Bonito numa mesma peça. A outra integra a campanha de Turismo Acessível e Inclusivo — batizada de “As Cores da Liberdade”, desenvolvida pelo Coletivo Muda com cores que facilitam a percepção de pessoas com baixa visão.
Ainda na sexta-feira (2), haverá o lançamento de mais uma novidade: o roteiro turístico “4×4 de Batom”, uma travessia pelo Pantanal pensada especificamente para mulheres.
Por que isso importa para o Aquele Mato

Bonito é o destino que provou que é possível crescer no turismo sem destruir o que atrai os visitantes. O Voucher Único, que controla o número de turistas por atração, virou modelo replicado em outros países. Agora, com o Plano de Ação Climática, Bonito vai além e coloca MS na vanguarda de um movimento global que vai definir quais destinos vão continuar sendo escolhidos pelos viajantes nas próximas décadas.
Turistas europeus e de países com forte consciência ambiental já consideram a pegada climática na hora de escolher onde viajar. Ter um plano técnico e verificável é uma vantagem competitiva real e uma declaração de que o caminho de MS é preservar para crescer, não o contrário.
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