Bonito já é conhecida no mundo todo pelas águas mais transparentes do Brasil. Mas tem uma semana por ano em que a cidade muda completamente de personagem: em vez de máscara de snorkel, o que circula pelas ruas são livros, microfones e plateias emocionadas. É a FLIB — Feira Literária de Bonito, que chega à sua 10ª edição entre os dias 7 e 12 de julho, na Praça da Liberdade.
E essa década pede festa: a programação reúne nomes que vão da TV brasileira à literatura indígena, do prêmio Jabuti ao pagode romântico — um mix que só uma feira que já amadureceu sabe construir.
Pedro Bial é a estrela do sábado
O nome que mais chama atenção na programação é Pedro Bial, que sobe ao palco da FLIB no sábado, dia 11. Jornalista, escritor e um dos maiores contadores de histórias da televisão brasileira, Bial vem a Bonito para lançar seu novo livro e conversar com o público sobre memória, literatura e décadas de trajetória na comunicação. Para quem cresceu vendo Bial entrevistar o Brasil inteiro, ouvi-lo falar sobre seu próprio processo criativo é um tipo raro de experiência.

Abertura com teatro e memória
A feira abre na terça-feira, 7 de julho, com o espetáculo “De Carona com a Cultura”, monólogo do ator, diretor e escritor Paulo Betti. A apresentação reúne lembranças e reflexões de uma carreira que já é parte da história do teatro e do cinema brasileiro — um jeito emocionante de inaugurar a década de FLIB.
Literatura indígena e periferia em destaque
A quarta-feira (8) traz duas presenças que ampliam o repertório da feira. Daniel Munduruku, referência nacional na valorização das culturas originárias, participa de atividades com crianças indígenas da Aldeinha e conduz uma palestra sobre ancestralidade, território e identidade.
No mesmo dia, Sergio Vaz — poeta, escritor e fundador da Cooperifa, projeto que ajudou a democratizar o acesso à literatura nas periferias brasileiras — leva ao público reflexões sobre o poder transformador da palavra.
O dia do Jabuti e da memória cultural brasileira
Na quinta-feira (9), a programação cruza diferentes caminhos da literatura contemporânea. Leonardo Piana debate os limites entre realidade e invenção na narrativa, enquanto Oscar Nakasato, vencedor do Prêmio Jabuti com Nihonjin, discute memória, imigração e identidade cultural, um tema que ressoa fortemente aqui em MS, terra de tantas histórias de imigração.
A música entra em cena com Pedro Luís, que mistura leitura, poesia e canções num formato intimista que aproxima literatura e melodia.
Itamar Vieira Junior: o ponto alto da sexta-feira
Se tem um nome que resume o tamanho que a FLIB alcançou, é este: Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado, fenômeno editorial traduzido para diversos países e vencedor dos mais importantes prêmios literários da língua portuguesa, chega a Bonito na sexta-feira (10) como uma das vozes mais influentes da literatura brasileira contemporânea. Sua escrita, marcada pela oralidade e pelas narrativas de populações historicamente invisibilizadas, é hoje estudada e celebrada dentro e fora do Brasil.
No mesmo dia, o escritor Marcílio França Castro fala sobre o processo de criação literária, e o historiador Luiz Antônio Simas propõe uma viagem pela memória cultural brasileira, samba, religiosidades e tradições populares que ajudam a entender o país.
A sexta-feira termina com show de Sandra Sá, reunindo sucessos de uma carreira que atravessa gerações da música brasileira.
Poesia, ficção e Jorge Vercillo no encerramento
Além de Pedro Bial, o sábado recebe Ana Martins Marques, uma das principais vozes da poesia brasileira atual, e Mariana Salomão Carrara, autora de obras premiadas sobre as complexidades das relações humanas.
A noite é encerrada com show de Jorge Vercillo, nome de uma das discografias mais populares da música romântica brasileira.
Homenagens da edição de 10 anos
A FLIB 2026 também presta duas homenagens importantes. A primeira é para Lygia Fagundes Telles, uma das maiores escritoras da literatura brasileira, cuja obra será celebrada ao longo do evento. A segunda é um tributo ao escritor e editor douradense Luciano Serafim, falecido em 2025, que teve papel fundamental na construção da história da feira ao longo da década.
Por que a FLIB é maior do que parece?
Dez anos depois de sua primeira edição, a Feira Literária de Bonito deixou de ser apenas um evento cultural pontual e se tornou parte da identidade turística da cidade. Bonito já recebe visitantes do mundo inteiro em busca da flutuação nos rios cristalinos; durante a semana da FLIB, esses mesmos visitantes encontram uma cidade que também pensa, lê e produz cultura em alto nível.
É esse tipo de evento que mostra como o turismo em Mato Grosso do Sul vai muito além da natureza, embora a natureza, claro, continue sendo a porta de entrada.
Planeje sua visita a Bonito durante a FLIB
Se você está pensando em combinar a feira literária com um passeio pela natureza, Bonito está pronta para os dois programas na mesma viagem: