Pantanal na ONU: painel na Alemanha apresenta soluções de manejo do fogo
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Pantanal na ONU: painel na Alemanha apresenta soluções de manejo do fogo

18 de junho de 2026 4 min de leitura 22 visualizações

Com liderança do Instituto SOS Pantanal, comitiva brasileira leva experiências do território para a Conferência do Clima em Bonn e propõe estratégias proativas contra incêndios

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As soluções para um dos maiores desafios ambientais do Brasil ganharam os holofotes internacionais nesta quarta-feira (17). O Manejo Integrado do Fogo (MIF) no Pantanal foi o tema central de um painel estratégico na Conferência do Clima da ONU (Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima – UNFCCC), realizada em Bonn, na Alemanha.

Organizado pelo Instituto SOS Pantanal, o evento reuniu autoridades, cientistas e ambientalistas para compartilhar ações práticas que visam mudar a forma como o fogo é gerado no bioma, priorizando a prevenção e o planejamento antes que as temporadas de seca extrema comecem.

Reprodução: SOS Pantanal

O que é o Manejo Integrado do Fogo (MIF) e qual sua importância?

Diferente do combate tradicional e puramente reativo aos incêndios florestais, o Manejo Integrado do Fogo propõe uma abordagem proativa. A estratégia une o conhecimento científico, as novas tecnologias de monitoramento e o valioso saber tradicional das comunidades locais e povos indígenas.

Na prática, o MIF utiliza técnicas como as queimas prescritas e controladas em períodos específicos do ano (quando o clima ainda está ameno e úmido). Isso ajuda a reduzir a quantidade de matéria orgânica seca acumulada no solo, criando barreiras naturais que impedem a propagação de incêndios devastadores durante a estiagem prolongada.

“Mostramos como a integração de quem está no território com o poder público e organizações não governamentais pode surtir efeito prático e escalar para uma política pública que ouve o território.” — Gustavo Figueirôa, diretor de comunicação do Instituto SOS Pantanal.

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Da ação à implementação: os desdobramentos de Belém

O painel de Bonn, intitulado “Da ação à implementação: ampliando soluções de manejo do fogo para reduzir emissões de incêndios”, é um reflexo direto dos compromissos firmados no Brasil durante a Cúpula do Clima de Belém, em 2025. Foi lá que nasceu o Chamado à Ação pelo Manejo Integrado do Fogo e Resiliência a Incêndios Florestais.

Hoje, esse documento conta com a assinatura de 67 países e quatro organizações internacionais. A meta global é clara: migrar de uma cultura de apenas “apagar o fogo” para uma cultura de gestão de risco e resiliência climática.

O impacto global das emissões por incêndios

A urgência discutida na Alemanha não se limita à conservação da biodiversidade pantaneira; ela afeta diretamente as metas climáticas do planeta. O aumento na frequência e na intensidade dos incêndios florestais em regiões vulneráveis, como o Pantanal e o Cerrado, transforma as florestas em fontes massivas de emissões de carbono.

Ane Alencar, diretora de ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), alertou no evento sobre o risco que os incêndios representam para os maiores estoques de carbono do planeta. A boa notícia, segundo a especialista, é que o trabalho de campo integrado, como o que vem sendo feito por brigadas civis e pantaneiras na região da estrada do Porto da Manga, prova que existem saídas viáveis e replicáveis.

O papel da cooperação internacional e o futuro até a COP31

O encontro em Bonn também destacou a consolidação do Hub Global de Manejo do Fogo, uma rede internacional desenhada para fortalecer a governança, compartilhar tecnologias e abrir novas janelas de financiamento para brigadas comunitárias.

Para os mateiros e defensores do meio ambiente, os debates na Alemanha pavimentam o caminho para as próximas políticas ambientais do Brasil. O objetivo dos comitês é transformar esses debates diplomáticos em ações de campo práticas e robustas antes da COP31, que ocorrerá em novembro na Turquia.

A equipe do Aquele Mato segue acompanhando as decisões internacionais e o trabalho dos brigadistas que defendem o nosso território de perto.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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