⚠️ ATUALIZAÇÃO — 18 de junho de 2026
A consulta pública prevista para a tarde de quarta-feira (17), em Bodoquena não foi realizada.
Mais de 350 produtores rurais contrários à criação do REVIS lotaram o Auditório Gilberto Saraiva, que tem capacidade para 250 pessoas, o que levou a Polícia Militar a recomendar a suspensão do evento por falta de condições de segurança.
A prefeita de Bodoquena, Girleide Rovari (MDB), confirmou o cancelamento por meio de ofício encaminhado ao ICMBio e ao Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena. Segundo ela, os produtores presentes “não concordam com o que o ICMBio apresenta” e impediram a realização da audiência com protestos, faixas e ocupação do espaço.
O presidente do Sindicato Rural de Bodoquena e Miranda, Adauto Rodrigues de Oliveira, afirmou que a mobilização ocorreu de forma espontânea e dentro da legalidade, e que a principal preocupação dos produtores é a falta de diálogo sobre os impactos da criação da unidade de conservação. “Eles querem fazer um parque. Os produtores foram por conta própria. A reclamação deles é que querem enfiar tudo goela abaixo, sem indenização nenhuma”, declarou.
O ICMBio confirmou o cancelamento, mas não informou nova data para a realização do debate. A Prefeitura de Bodoquena se colocou à disposição para colaborar na definição de um novo local com estrutura adequada para o número de participantes esperado.
Texto original publicado em 17 de junho de 2026, antes da realização do evento:
Com certeza, você que acompanha os passos da conservação ambiental do nosso estado sabe que a integridade e a continuidade dos nossos biomas necessitam de caminhos construídos coletivamente.
É por isso que hoje, dia 17 de junho, acontece um dos capítulos mais cruciais para o futuro do nosso quintal: a Consulta Pública para a criação do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Delta do Salobra.
Localizado em uma área de transição ecológica espetacular entre o Pantanal e o Cerrado, englobando também ricos remanescentes da Mata Atlântica, o Delta do Salobra é um santuário de biodiversidade.
Atualmente, a proposta de criação dessa Unidade de Conservação federal, coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), visa a proteção de um complexo de aproximadamente 52 mil hectares de ecossistemas únicos, nascentes estratégicas e rotas migratórias de espécies ameaçadas de extinção.
Mais do que apenas um ato burocrático, esse debate consolida territórios essenciais para o nosso equilíbrio ecológico. Ele prova que é perfeitamente viável, e necessário, alinhar a conservação da natureza às oportunidades de desenvolvimento econômico regional.
O que é um REVIS e o que muda na prática?

Uma das principais dúvidas que surgem na comunidade e entre os produtores rurais da região é se a criação do REVIS vai travar a economia local. De acordo com as diretrizes do ICMBio, a resposta é não.
Diferente de categorias de conservação mais restritivas (como Parques Nacionais ou Estações Ecológicas), o Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) pertence ao grupo de Proteção Integral, mas possui uma flexibilidade inteligente: ele pode ser constituído por terras privadas.
Isso significa que:
- Não haverá desapropriação de terras: os proprietários rurais continuam com os títulos de suas fazendas e posses de forma integral.
- A produção sustentável continua: as atividades agropecuárias já existentes e que sejam compatíveis com a conservação ambiental podem continuar sendo desenvolvidas normalmente. A proposta foi desenhada, inclusive, sobre áreas de baixíssima aptidão agrícola, focando em encostas, matas de galeria e áreas alagáveis.
Dessa forma, o REVIS surge como um selo de proteção jurídica e ecológica para a região, sem expulsar quem vive e produz na terra há gerações.
Projeto é construção coletiva
Nenhum projeto de conservação sobrevive se for imposto de cima para baixo. Ouvir diferentes vozes e integrar ativamente a comunidade local, os pesquisadores acadêmicos e o setor produtivo é o único caminho que garante políticas de conservação sólidas, respeitadas e duradouras.
Consequentemente, a regulamentação correta desse território abre as portas para o fortalecimento do ecoturismo, do turismo de isolamento e da pesquisa científica qualificada. Como a região do Delta do Salobra faz foz com o rio Miranda, o potencial para o turismo ecológico planejado e para a valorização imobiliária sustentável das fazendas do entorno é gigantesco.
O turismo de natureza, quando bem estruturado, gera emprego, mantém o homem no campo e traz divisas para os municípios de Miranda e Bodoquena. Conservar, portanto, passa a ser um bom negócio para todos.
Participe da Consulta Pública
A consolidação do REVIS Delta do Salobra é uma oportunidade de ouro para Mato Grosso do Sul se firmar, ainda mais, como liderança global em sustentabilidade e preservação de biomas integrados. Mas para que as regras de uso dessa área sejam justas e equilibradas, a sua voz precisa ser ouvida.
A reunião consultiva é aberta ao público e tem início às 14h, no Auditório Gilberto Saraiva, na Prefeitura de Bodoquena.
Esse encontro representa o espaço ideal para esclarecer dúvidas, propor melhorias no desenho do mapa e garantir que as vozes do campo e da ciência caminhem lado a lado.
Como você enxerga a chegada do REVIS Delta do Salobra para a nossa região? Deixe o seu comentário aqui embaixo e participe dessa construção!
SERVIÇO:
REVIS Delta do Salobra.
Horário: 14h.
Local: Auditório Gilberto Saraiva, na Prefeitura de Bodoquena.
Mais informações: https://deltadosalobra.org/