Tatu-canastra é flagrado em raro comportamento diurno no Pantanal
Conservação & Meio Ambiente

Tatu-canastra é flagrado em raro comportamento diurno no Pantanal

26 de abril de 2026 📖 2 min de leitura 👁 3 visualizações

Equipe do ICAS registra fêmea monitorada escavando toca de 4 metros de profundidade sob a luz do sol; flagrante marca o retorno triunfal das expedições de campo após o período das cheias

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O Pantanal sul-mato-grossense acaba de entregar um registro que desafia as estatísticas da biologia. 

Logo no primeiro dia de uma nova expedição do Projeto Tatu-canastra, a equipe do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) conseguiu filmar um momento considerado extremamente raro pela ciência: uma fêmea de tatu-canastra, batizada de “Leslie”, cavando sua toca em plena luz do dia.

Dessa forma, a cena surpreendeu até os pesquisadores mais experientes, já que o tatu-canastra (Priodontes maximus) é conhecido por seus hábitos estritamente noturnos, permanecendo abrigado em média 20 horas por dia. O flagrante ocorreu no início da manhã.

Registro permite observar a técnica do animal

Enquanto escava, o tatu deposita pilhas de terra na entrada, preparando o ambiente para um período de descanso que pode superar 17 horas seguidas. 

Em contrapartida ao que se espera de um animal desse porte, Leslie mostrou uma agilidade impressionante para finalizar sua “obra” antes que o calor do dia se intensificasse.

Portanto, a importância desse registro reside na sua raridade, já que a escavação ocorre quase sempre sob o manto da noite, longe dos olhos humanos.

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Além disso, as tocas profundas são essenciais para que o animal mantenha sua temperatura corporal estável no bioma.

Inclusive, o canastra é um dos bichos mais difíceis de se estudar justamente pelo tempo que passa “invisível” sob a terra.

O retorno ao campo após as cheias

A expedição liderada pelo biólogo Gabriel Massocato e pelos médicos-veterinários Raquel Muhlbeier e Henrique Riva simboliza a retomada das capturas e exames de saúde no Pantanal. 

Conforme explica a equipe, as atividades de campo haviam sido suspensas entre dezembro e abril em razão das cheias, embora o monitoramento via armadilhas fotográficas nunca tenha parado.

Nesse sentido, a campanha de 10 dias que agora se inicia tem como foco avaliar a saúde dos indivíduos monitorados e aprofundar o conhecimento sobre a dinâmica da espécie. Leslie, ao “posar” para as câmeras logo na largada, deu as boas-vindas aos cientistas da melhor forma possível.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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