MS lidera contagem de araras-azuis no Brasil e convida você a participar do Big Day neste fim de semana
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MS lidera contagem de araras-azuis no Brasil e convida você a participar do Big Day neste fim de semana

29 de julho de 2026 6 min de leitura 1 visualizações

Na primeira edição do evento, em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 409 araras-azuis, mais do que qualquer outro estado; a segunda edição acontece nos dias 1º e 2 de agosto, reunindo Brasil, Bolívia e Paraguai numa mobilização internacional de ciência cidadã

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Mato Grosso do Sul tem um título que combina muito bem com o estado: campeão nacional na contagem de araras-azuis. Na primeira edição do Big Day das Araras-Azuis, realizada em 2025, o estado registrou 409 aves, mais do que qualquer outro estado do Brasil, colocando o Pantanal e o Cerrado sul-mato-grossense no centro do maior esforço de monitoramento da espécie já realizado no país.

Agora, o Instituto Arara Azul quer repetir — e superar — esse resultado. Nos dias 1º e 2 de agosto de 2026, Brasil, Bolívia e Paraguai se unem para a segunda edição do Big Day das Araras-Azuis, a maior contagem simultânea da espécie na natureza. E qualquer pessoa pode participar, com um celular, atenção ao céu e vontade de ajudar a escrever um novo capítulo na história de conservação da maior arara do mundo.

O que é o Big Day das Araras-Azuis

By Ana_CottaArara Azul, CC BY 2.0, Link

Inspirada no tradicional Global Big Day, evento mundial de observação de aves que reúne milhares de participantes em campo para registrar o maior número de espécies, a iniciativa tem foco específico na arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), espécie símbolo da biodiversidade brasileira, ameaçada de extinção e monitorada pelo Instituto Arara Azul há mais de três décadas.

A lógica é simples e poderosa: em dois dias, voluntários de três países saem ao campo, ou simplesmente olham para o céu de onde estiverem, e registram todas as araras-azuis que avistarem. Cada foto, vídeo ou anotação se torna um dado científico real, que ajuda os pesquisadores a entender onde a espécie está, em que quantidade e como sua distribuição tem mudado ao longo do tempo.

“Nós precisamos entender como está hoje a distribuição das araras, onde estão e quantas são. Então eu faria esse convite para todas as pessoas que podem estar no campo, contando e registrando com o celular, fazendo uma imagem, um vídeo, ou até gravando um áudio”, afirma Neiva Guedes, pesquisadora responsável pelo Projeto Arara Azul.

Em 2025, MS liderou contagem

Mato Grosso do Sul foi o estado campeão na contagem realizada pela primeira vez em 2025, com 409 registros das aves. O Pará apareceu em segundo lugar, com 355 araras-azuis registradas.

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O resultado não surpreende quem conhece o Pantanal. A arara-azul-grande é uma das aves mais emblemáticas do bioma e MS abriga uma das maiores populações da espécie no mundo. O Projeto Arara Azul atua na região há mais de 30 anos, e parte do seu sucesso se deve exatamente à relação construída com moradores locais, peões e proprietários rurais que convivem com as araras no dia a dia.

“Seja lá o peão, o fazendeiro, o gerente, a dona de casa, porque onde elas estão elas acabam se mostrando bastante. Então eu tenho certeza que onde elas ocorrem as pessoas sabem que elas estão lá, e é dessas pessoas que nós esperamos o resultado do Big Day deste ano”, destaca Neiva Guedes.

O que os pesquisadores esperam da segunda edição

Arara Azul sorria

A médica-veterinária e coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, Maria Eduarda Monteiro, explica que a segunda edição tem um objetivo específico além de repetir o sucesso de 2025: ampliar a cobertura para estados que não enviaram dados no ano anterior.

Em 2025, o Instituto Arara Azul não recebeu registros de Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, embora existam informações sobre a presença da espécie nessas regiões. Minas Gerais também apresentou poucos registros.

E há um detalhe importante que vai além dos avistamentos positivos: “A ausência de registros ajuda a identificar possíveis mudanças na distribuição da espécie e áreas que precisam de maior atenção”, explica Maria Eduarda. Em outras palavras, não ver arara também é um dado que a ciência precisa registrar.

Como participar do Big Day das Araras

Não é preciso ser biólogo, ter equipamento profissional ou sair em expedição. Você pode observar da sua casa, do campo, de uma escola, ou de onde quiser. Se você mora ou vai estar em qualquer área de ocorrência da arara-azul-grande neste fim de semana, você já pode contribuir.

Nos dias 1º e 2 de agosto:

  1. Observe e anote quantas araras-azuis-grandes você viu — sozinhas ou em bando
  2. Registre com foto, vídeo ou áudio se possível
  3. Envie seus dados para uma dessas plataformas: eBird, WikiAves ou Biofaces — ou pelo formulário oficial da campanha: forms.gle/uQ9qQ8qP9TYU1Mr26

Segundo Neiva Guedes, quanto maior a participação de moradores de propriedades rurais e de áreas mais remotas, mais completo será o levantamento sobre a situação da arara-azul na natureza. Quem está no campo, nas fazendas e nas comunidades ribeirinhas do Pantanal tem um papel especialmente importante — porque são exatamente essas áreas remotas que os pesquisadores têm mais dificuldade de alcançar.

Também registre no Corixo

Se você é de MS e vai participar do Big Day, compartilhe seus registros também na nossa comunidade. O Corixo, a rede social do Aquele Mato para quem ama a natureza sul-mato-grossense, é o lugar certo para postar sua foto ou vídeo da arara-azul e trocar experiências com outros observadores da região.

Cada registro compartilhado por aqui também ajuda a mostrar ao Brasil que o Pantanal e o Cerrado de MS estão vivos, azuis e voando.

👉 Entre no Corixo e compartilhe seu avistamento →


A arara-azul que MS protege há décadas

A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) é a maior arara do mundo, podendo atingir até 1 metro de comprimento e ter uma envergadura de quase 1,5 metro. A plumagem azul-cobalto intensa e o anel amarelo ao redor dos olhos e na base do bico a tornam inconfundível.

Apesar da recuperação populacional nas últimas décadas — resultado direto do trabalho do Projeto Arara Azul e de parcerias com produtores rurais do Pantanal —, a espécie ainda consta na lista de animais ameaçados de extinção. O tráfico de animais silvestres e a destruição de ninhos em palmeiras nativas foram os principais fatores que levaram a espécie ao declínio no século XX.

O Pantanal sul-mato-grossense é hoje o principal reduto da espécie no Brasil, e o Big Day das Araras-Azuis é uma forma de toda a sociedade participar ativamente da conservação de uma ave que é parte da identidade do estado.

SERVIÇO
📅 1º e 2 de agosto de 2026
📍 De qualquer lugar onde a arara-azul-grande ocorre — sua casa, campo, escola
📱 Registre pelo eBird, WikiAves, Biofaces ou pelo formulário: forms.gle/uQ9qQ8qP9TYU1Mr26
🎟 Participação gratuita e aberta a todos

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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