Dois primatas vulneráveis — o bugio-preto (Alouatta caraya) e o macaco-prego-de-peito-amarelo (Sapajus cay) — estão sendo monitorados no corredor de mata ciliar do Rio Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. O projeto combina campo, câmeras-armadilha e drones com sensor térmico para acompanhar os grupos ao longo de cinco anos.
Quem está sendo monitorado
Dez grupos de primatas foram identificados na área. Um deles tem nome: a família Baru (macho-alfa), Pequi (fêmea) e Bacuri (filhote), representantes de uma das populações de bugios-pretos mais acompanhadas do corredor. Nas 25 horas de buscas terrestres, dois grupos foram localizados diretamente. Nas aproximadamente 24 horas de voo de drone, sete dos nove grupos previamente conhecidos foram encontrados — seis de bugios e um de macacos-prego.
Além dos primatas, os pesquisadores registraram a presença de tatu-canastra (Priodontes maximus), anta (Tapirus terrestris), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e gato-mourisco (Puma yagouaroundi) — todas espécies que indicam um corredor funcionando.
Por que o método importa
“Este trabalho é construído ao longo do tempo. Não é apenas determinar a presença de espécies, mas coletar informações sobre os grupos, seus movimentos e as áreas utilizadas”, explica Carolina Garcia, bióloga da Sauá Consultoria Ambiental, responsável pela execução do projeto.
A metodologia com drone térmico é ainda pouco usada para monitoramento de primatas no Brasil. A tecnologia detecta o calor corporal dos animais mesmo em vegetação densa — o que resolve um problema clássico do campo: bugios e macacos-prego podem estar a metros do pesquisador e simplesmente não serem vistos.
Vinte campanhas de monitoramento estão previstas ao longo de cinco anos, com coletas antes e depois da entrada em operação de uma planta industrial na região em 2027.

O corredor do Rio Sucuriú
O Rio Sucuriú nasce no Cerrado do centro-sul de Goiás e percorre o leste de Mato Grosso do Sul antes de desaguar no Rio Paraná. Suas matas ciliares funcionam como corredor ecológico entre fragmentos de vegetação nativa — e é nesse papel que o monitoramento dos primatas faz sentido: a saúde das populações de bugios e macacos-prego é um indicador direto da conectividade do corredor.
Dados: Sauá Consultoria Ambiental / Projeto de monitoramento Rio Sucuriú
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