Pescadores do rio Miranda, em Mato Grosso do Sul, registraram peixes mortos desde 14 de outubro: a decoada chegou mais cedo, com o rio a 6,83 metros.
Vídeos publicados por pescadores nas redes sociais mostram pintados, dourados, cacharas e peixes-palmito mortos às margens do rio Miranda. Segundo a Sala de Situação do Imasul, o rio marcava 6,83 metros na manhã de 16 de outubro, acima da cota de alerta (6 m) e abaixo da de emergência (7 m), depois das chuvas fortes da primeira metade do mês.
Maycon Douglas Lopes da Silva, que pesca na região da Salobra, em Miranda, desde 2016, conta que a decoada acontece todos os anos na última década, mas que em 2026 veio antes. Ele começou a achar peixes mortos na quarta-feira (14), em áreas que estavam secas e foram alagadas.

Por que a água “apodrece” quando o rio sobe
A decoada é um fenômeno natural do Pantanal na fase de enchente. Durante a seca, capim e aguapés se acumulam e apodrecem nas baías e nas margens. Quando a água volta a cobrir esse material, a decomposição consome o oxigênio dissolvido, deixa a água mais ácida e libera outras substâncias nocivas aos peixes. Essa água escura escoa para o leito do rio, e os peixes, sem oxigênio, morrem ou sobem à superfície.
A intensidade varia conforme o clima e o regime de cheia de cada ano. “Aqui na nossa região tem muita baía”, explica o pescador, descrevendo o caminho da água parada até o rio.
O que muda na prática
Para quem vive da pesca e do turismo no Miranda, a mortandade é sinal de que o rio está em plena transição de seca para cheia. Como o nível segue acima da cota de alerta, vale acompanhar os boletins da Sala de Situação do Imasul antes de planejar saídas de barco ou pescarias na região.
Deixe um comentário