Mato Grosso do Sul passou de 4º para 2º lugar no país em florestas plantadas: a área foi de 1,07 para 1,80 milhão de hectares entre 2021 e 2025, mostra a Expedição Silvicultura 2025, divulgada em 21 de outubro.
No nosso MS, a silvicultura avançou mais do que em qualquer outro estado brasileiro nos últimos quatro anos. Segundo o levantamento, o estado respondeu por cerca de 90% do saldo líquido de área mapeada de florestas plantadas no país entre 2021 e 2025, e a participação sul-mato-grossense no total nacional subiu de 10,8% para 16,7%.
Os números da corrida pelo segundo lugar

A área de florestas plantadas em Mato Grosso do Sul cresceu 67,3%, um ganho de 722,7 mil hectares, na maior parte com eucalipto. Minas Gerais segue na liderança, com 2,27 milhões de hectares em 2025, mas a distância entre os dois estados caiu de 1,23 milhão para 478,2 mil hectares.
No Brasil, as florestas plantadas somam 10,73 milhões de hectares, alta de 8,1% sobre 2021. O eucalipto ocupa 8,30 milhões de hectares (77,4%), enquanto o pínus, com 1,89 milhão de hectares (17,6%), encolheu cerca de 36,6 mil hectares. Vale lembrar que o percentual de 90% se refere ao saldo líquido nacional, e não a todo o plantio novo.
Como o estudo foi feito
A Expedição Silvicultura 2025 é coordenada pela Canopy Remote Sensing Solutions, com a Embrapa Florestas e a Paulo Cardoso Comunicações. A equipe percorreu cerca de 42 mil quilômetros em 14 estados, entre setembro e novembro de 2025, e instalou 446 parcelas de inventário em 204 municípios de 13 estados. Os modelos combinaram medições de campo, inventários de empresas, idade dos plantios, imagens de satélite, solo, clima e relevo.
Produtividade: MS fica um pouco abaixo da média
Aos sete anos de idade, o eucalipto sul-mato-grossense rende 26,4 m³ por hectare ao ano, contra 27,6 na média nacional. Santa Catarina (42,3), Paraná (39,4), Rio Grande do Sul (36,8) e São Paulo (32,5) aparecem à frente. Fábio Guimarães Gonçalves, da Canopy, alerta que os valores não devem ser lidos como ranking de qualidade da silvicultura, e que é preciso considerar os intervalos de confiança.
O que o setor espera
Numa consulta a 73 produtores de 16 estados, 75% disseram que pretendem abrir novas áreas em até dois anos e 77% esperam mais demanda por madeira em cinco anos. Por outro lado, 85% preveem custos de produção subindo acima da inflação, e mão de obra e tempo de retorno foram os desafios mais citados.
Expansão reforça o peso das florestas plantadas na economia
Além de mostrar o peso das florestas plantadas na economia do estado, a expansçao recoloca em pauta o uso da terra no Cerrado. O próprio relatório ressalta que o crescimento da área plantada não equivale à recuperação de vegetação nativa. Para quem acompanha a conservação, a pergunta que fica é onde os novos plantios estão avançando e como se relacionam com água, nascentes e remanescentes de Cerrado.
Fontes
Campo Grande News (23/10/2026), com dados da Expedição Silvicultura 2025 (Canopy Remote Sensing Solutions, Embrapa Florestas e Paulo Cardoso Comunicações): leia a matéria original.
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