Tecnologia de ponta vai decodificar “conversas” de ariranhas na Serra da Amolar
Projetos Ambientais

Tecnologia de ponta vai decodificar “conversas” de ariranhas na Serra da Amolar

28 de maio de 2026 3 min de leitura 0 visualizações

No Dia Mundial das Lontras, IHP anuncia o uso de gravadores de alta fidelidade para monitorar as "onças d'água", espécie ameaçada de extinção que já perdeu 40% de sua distribuição no Brasil

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A ciência e a tecnologia uniram forças no coração de Mato Grosso do Sul para decifrar um dos códigos de comunicação mais complexos da nossa fauna. 

A princípio, o monitoramento de grandes mamíferos depende exclusivamente de imagens. 

Porém, o monitoramento acústico ganhou um aliado revolucionário. Nesta última quarta-feira do mês (27 de maio de 2026) — data em que se celebra o Dia Mundial das Lontras —, o IHP (Instituto Homem Pantaneiro) anunciou o recebimento de um gravador de alta fidelidade e tecnologia de ponta, projetado especialmente para capturar e registrar as interações sonoras das ariranhas na Serra do Amolar.

A ariranha (Pteronura brasiliensis) é a maior espécie da subfamília das lontras no mundo. Conhecidas popularmente como “onças d’água” por sua tremenda habilidade de caça nos rios, elas enfrentam um cenário crítico: estão classificadas como “em perigo” na Lista Vermelha da IUCN e foram definidas como “ameaçadas” na última COP15 de Espécies Migratórias. 

De acordo com os dados do IHP, a redução da distribuição geográfica da espécie no Brasil já atinge a alarmante marca de 40%.

Bioacústica nas locas: investigação sem interferência humana

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Foto: Eduardo Mello/IHP

O grande diferencial desse novo equipamento, cedido em parceria pela empresa mineira Log Nature, é a capacidade de coletar dados brutos sem alterar em nada a rotina dos animais.

Ou seja, os gravadores de alta tecnologia serão instalados diretamente nas “locas” — nome dado aos abrigos de terra e raízes onde as ariranhas descansam, cuidam dos filhotes e se escondem quando não estão na água.

Assim, a bioacústica vai abrir uma janela inédita para a intimidade desses animais sociais, como explica Wener Hugo Moreno, coordenador de Biodiversidade do IHP:

“A bioacústica vai permitir compreendermos a dinâmica social desses animais sem interferir na rotina deles. Posteriormente, vamos conseguir decodificar vocalizações de alerta, interações territoriais e a comunicação íntima entre os membros dos grupos. É a tecnologia avançada gerando dados brutos para salvar o coração do Pantanal.”

Parceria de longo prazo e alinhamento nacional com o ICMBio

A chegada dos gravadores é o desdobramento de um rastro que começou a ser traçado anteriormente. 

Em janeiro de 2025, o IHP e a Log Nature já haviam firmado um acordo focado no monitoramento das ariranhas por meio de armadilhas fotográficas na Serra do Amolar. Agora, as imagens e os áudios vão se complementar.

Sob o mesmo ponto de vista da governança ambiental, todos os dados de áudio e análises populacionais gerados no Pantanal sul-mato-grossense terão destinos estratégicos de grande impacto:

  • As informações serão compartilhadas diretamente com a coordenação do Plano de Ação Nacional para Conservação da Ariranha, gerido pelo Cenap/ICMBio, do qual o IHP é membro ativo.
  • Os resultados ficarão disponíveis para subsidiar políticas públicas integradas de proteção dos nossos recursos hídricos.
  • Os relatórios vão servir de guia técnico para ordenar e fortalecer o turismo de observação de vida selvagem na bacia pantaneira, garantindo que os barcos e visitantes não estressem os grupos monitorados.
aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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