“Impressão digital” nas costas: ciência descobre que pelagem do tamanduá-bandeira serve para identificar cada animal único
Conservação & Meio Ambiente

“Impressão digital” nas costas: ciência descobre que pelagem do tamanduá-bandeira serve para identificar cada animal único

26 de agosto de 2026 4 min de leitura 5 visualizações

Estudo publicado este mês na revista científica Mammal Research por pesquisadores brasileiros cria catálogo inédito que permite diferenciar indivíduos por meio de fotos, abrindo portas para monitoramento via inteligência artificial.

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Uma das espécies mais emblemáticas do Cerrado e do Pantanal sul-mato-grossense acaba de revelar um segredo fascinante para a ciência. Um estudo publicado na quarta-feira (19 de agosto de 2026) na prestigiada revista científica Mammal Research comprovou que os padrões da pelagem do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) funcionam como uma verdadeira “impressão digital” única.

Até então, diferenciar um tamanduá-bandeira de outro à distância sem a necessidade de captura ou de instalação de colares com GPS era um desafio imenso para pesquisadores no campo. Contudo, a nova metodologia desenvolvida por cientistas brasileiros provou que a combinação das faixas pretas e brancas no peito, no dorso e nas patas dos animais forma um desenho exclusivo para cada indivíduo.

A combinação perfeita que identifica cada indivíduo

A pesquisa foi conduzida por especialistas de instituições renomadas, como o Instituto de Pesquisas Nacionais da Mata Atlântica (INMA), o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) e a Royal Zoological Society of Scotland (RZSS). Entre os autores do artigo intitulado “Enhancing individual identification of giant anteaters using natural pelage markings” estão Gabriel Favero Massocato, Alessandra Bertassoni, Vitor Adorno e Arnaud L.J. Desbiez.

De acordo com a pesquisadora Alessandra Bertassoni, a grande inovação foi organizar essas variações visuais em um catálogo estruturado.

Uma única marca pode ser semelhante entre dois animais, mas a combinação de diferentes padrões fornece muito mais informação para diferenciá-los. O catálogo reúne essas características e mostra como diferentes padrões podem ser combinados para tornar a identificação mais consistente, inclusive quando a qualidade das imagens não é ideal”, explicou a pesquisadora.

  • Zero estresse para os animais: não é mais necessário capturar o animal para aplicar brincos de identificação ou microchips.
  • Monitoramento por câmeras-trap: armadilhas fotográficas instaladas nas matas de Mato Grosso do Sul agora podem catalogar populações inteiras apenas analisando o visual dos bichos.
  • Uso de inteligência artificial: o catálogo serve de base para treinar algoritmos de visão computacional capazes de identificar automaticamente qual tamanduá passou diante da câmera.

Além disso, os pesquisadores ressaltam que a mesma técnica pode ser adaptada futuramente para outros mamíferos com padrões de pelagem sutis, como tamanduás-mirins, antas e onças-pardas.

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Uma descoberta vital para Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, o tamanduá-bandeira é figura constante tanto nos biomas selvagens quanto nas margens de rodovias estaduais e federais. Infelizmente, a espécie sofre sérios riscos devido ao atropelamento de fauna, à perda de habitat e aos incêndios florestais.

Portanto, conseguir contar, acompanhar e mapear os indivíduos de forma precisa e não invasiva é um divisor de águas para garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo. Sabendo exatamente quantos tamanduás vivem em um determinado fragmento de Cerrado ou de reserva urbana, torna-se muito mais fácil implementar corredores ecológicos eficientes.

Seja um cientista cidadão com o aplicativo Corixo!

A descoberta científica mostra que qualquer registro fotográfico límpido pode ajudar na conservação dos nossos animais. Se você estiver fazendo uma trilha em Campo Grande ou viajando pelo interior do estado e avistar um tamanduá-bandeira:

  1. Mantenha a distância de segurança (nunca se aproxime de animais silvestres).
  2. Faça um registro fotográfico focado na lateral do corpo do animal.
  3. Abra o aplicativo Corixo e faça o registro!

Ao subir sua foto no Corixo, você ajuda a alimentar o nosso banco de dados comunitário de observação da fauna local.

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Colaborador · AqueleMato

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