Uma das espécies mais emblemáticas do Cerrado e do Pantanal sul-mato-grossense acaba de revelar um segredo fascinante para a ciência. Um estudo publicado na quarta-feira (19 de agosto de 2026) na prestigiada revista científica Mammal Research comprovou que os padrões da pelagem do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) funcionam como uma verdadeira “impressão digital” única.
Até então, diferenciar um tamanduá-bandeira de outro à distância sem a necessidade de captura ou de instalação de colares com GPS era um desafio imenso para pesquisadores no campo. Contudo, a nova metodologia desenvolvida por cientistas brasileiros provou que a combinação das faixas pretas e brancas no peito, no dorso e nas patas dos animais forma um desenho exclusivo para cada indivíduo.

A combinação perfeita que identifica cada indivíduo
A pesquisa foi conduzida por especialistas de instituições renomadas, como o Instituto de Pesquisas Nacionais da Mata Atlântica (INMA), o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) e a Royal Zoological Society of Scotland (RZSS). Entre os autores do artigo intitulado “Enhancing individual identification of giant anteaters using natural pelage markings” estão Gabriel Favero Massocato, Alessandra Bertassoni, Vitor Adorno e Arnaud L.J. Desbiez.
De acordo com a pesquisadora Alessandra Bertassoni, a grande inovação foi organizar essas variações visuais em um catálogo estruturado.
“Uma única marca pode ser semelhante entre dois animais, mas a combinação de diferentes padrões fornece muito mais informação para diferenciá-los. O catálogo reúne essas características e mostra como diferentes padrões podem ser combinados para tornar a identificação mais consistente, inclusive quando a qualidade das imagens não é ideal”, explicou a pesquisadora.
- Zero estresse para os animais: não é mais necessário capturar o animal para aplicar brincos de identificação ou microchips.
- Monitoramento por câmeras-trap: armadilhas fotográficas instaladas nas matas de Mato Grosso do Sul agora podem catalogar populações inteiras apenas analisando o visual dos bichos.
- Uso de inteligência artificial: o catálogo serve de base para treinar algoritmos de visão computacional capazes de identificar automaticamente qual tamanduá passou diante da câmera.
Além disso, os pesquisadores ressaltam que a mesma técnica pode ser adaptada futuramente para outros mamíferos com padrões de pelagem sutis, como tamanduás-mirins, antas e onças-pardas.
Uma descoberta vital para Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, o tamanduá-bandeira é figura constante tanto nos biomas selvagens quanto nas margens de rodovias estaduais e federais. Infelizmente, a espécie sofre sérios riscos devido ao atropelamento de fauna, à perda de habitat e aos incêndios florestais.
Portanto, conseguir contar, acompanhar e mapear os indivíduos de forma precisa e não invasiva é um divisor de águas para garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo. Sabendo exatamente quantos tamanduás vivem em um determinado fragmento de Cerrado ou de reserva urbana, torna-se muito mais fácil implementar corredores ecológicos eficientes.
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A descoberta científica mostra que qualquer registro fotográfico límpido pode ajudar na conservação dos nossos animais. Se você estiver fazendo uma trilha em Campo Grande ou viajando pelo interior do estado e avistar um tamanduá-bandeira:
- Mantenha a distância de segurança (nunca se aproxime de animais silvestres).
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