Quer plantar uma árvore em Campo Grande? Veja o que pode, o que evitar e o que a lei proíbe
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Quer plantar uma árvore em Campo Grande? Veja o que pode, o que evitar e o que a lei proíbe

16 de junho de 2026 6 min de leitura 2 visualizações
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Campo Grande tem um título que poucos imaginam quando pensam numa cidade de quase um milhão de habitantes no coração do Brasil Central: é a capital mais arborizada do país. O reconhecimento veio do IBGE em 2022 e foi reafirmado nos anos seguintes — pela sexta vez consecutiva em 2025 — com o selo Tree City of the World, concedido pela Arbor Day Foundation em parceria com a FAO/ONU.

São cerca de 175 mil árvores nas vias urbanas, compostas por mais de 160 espécies, sendo 51% nativas e 40% ocorrentes naturalmente em Mato Grosso do Sul. Um patrimônio verde que não nasceu por acaso e que precisa de cuidado para continuar crescendo da forma certa.

Se você quer contribuir com esse legado e plantar uma árvore na calçada ou no quintal, a Prefeitura de Campo Grande tem um guia completo para te ajudar a não errar na escolha. 

Inclusive tem duas espécies que a lei já proíbe, e uma que você provavelmente já viu em quase toda rua da cidade.

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Por que não dá para plantar qualquer árvore

Plantar uma árvore parece simples. Mas numa cidade, cada espécie tem consequências: raízes que levantam calçadas, galhos que interferem na rede elétrica, frutos pesados que caem sobre carros e pedestres, e até plantas que carregam doenças que afetam a agricultura do entorno.

Foi para orientar esse processo que a Prefeitura de Campo Grande, em parceria com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), lançou o Guia de Identificação de Árvores e o Manual de Arborização Urbana — dois documentos que mapeiam 46 espécies encontradas na cidade e classificam cada uma como recomendada, não recomendada ou proibida para plantio em vias públicas.

O material traz fotos, descrições botânicas, informações sobre porte, raízes, floração, frutificação e importância para a fauna, além de um calendário de floração para quem quer planejar o paisagismo com mais inteligência.

Segundo a gerente de Arborização da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), Dayane Zanela, o objetivo do guia é ajudar na escolha de espécies que reduzam problemas como quedas de galhos, raízes que danificam calçadas e plantas que podem oferecer riscos à saúde.

As 19 espécies recomendadas para plantar em Campo Grande

As espécies indicadas pelo guia são aquelas compatíveis com o ambiente urbano, ou seja, que oferecem sombra, preservam a biodiversidade e não causam danos à infraestrutura da cidade.

Entre as 19 espécies consideradas adequadas para plantio em calçadas e áreas urbanas estão:

  • Ipê-amarelo (Handroanthus albus) — o mais querido de Campo Grande, símbolo do Cerrado
  • Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus)
  • Ipê-rosa (Handroanthus heptaphyllus)
  • Ipê-branco (Handroanthus roseo-albus)
  • Jacarandá (Jacaranda mimosifolia)
  • Quaresmeira (Tibouchina granulosa)
  • Sibipiruna (Caesalpinia pluviosa)
  • Xodó do campo-grandense — apelido carinhoso dado pelos moradores a algumas espécies nativas que se destacam na paisagem da cidade.

O guia recomenda diversificar o plantio, evitando concentrar uma única espécie na mesma rua ou bairro. O oiti, por exemplo, já domina boa parte das calçadas de Campo Grande e não é mais indicado para novos plantios justamente por isso.

As 25 espécies não recomendadas

Aqui está a lista que costuma surpreender: várias árvores muito comuns nos quintais e calçadas de Campo Grande não são recomendadas para plantio em vias públicas. Não porque sejam ruins, mas porque têm características que geram problemas no ambiente urbano: porte excessivo, raízes invasivas, frutos pesados ou toxicidade.

Entre as 25 espécies não recomendadas estão:

  • Mangueira (Mangifera indica) — frutos pesados, copa grande, raízes que danificam calçadas
  • Figueirinha / Ficus (Ficus benjamina) — raízes superficiais extremamente invasivas que destroem calçadas e encanamentos
  • Chorão (Salix babylonica) — porte inadequado e raízes agressivas
  • Seriguela (Spondias purpurea)
  • Marolo (Annona crassiflora)
  • Mamoeiro (Carica papaya)
  • Abacateiro (Persea americana)
  • Jasmim-manga (Plumeria rubra)
  • Chapéu-de-napoleão (Thevetia peruviana) — altamente tóxico
  • Nim (Azadirachta indica)
  • Palmeiras em geral — coqueiro, bocaiúva e jerivá exigem manejo especializado e podem causar acidentes

Vale lembrar: essas espécies não são proibidas para plantio em quintais ou áreas privadas. A restrição é para calçadas e vias públicas, onde o risco de danos à infraestrutura e às pessoas é maior.

As 2 espécies proibidas por lei

Aqui o assunto fica mais sério. Duas espécies estão formalmente proibidas em Campo Grande, não apenas desaconselhadas, mas vedadas por legislação municipal e estadual.

Murta (Murraya paniculata)

A murta é um dos arbustos mais comuns nas ruas da capital — e sua proibição gerou muitas dúvidas entre os moradores. O motivo é sanitário: a planta é hospedeira do inseto transmissor do HLB (greening), uma das doenças mais devastadoras para as plantações de citros do Brasil. Quando a murta está presente na cidade, o inseto vetor se reproduz facilmente e coloca em risco toda a cadeia produtiva de laranjas, limões e outros citros no estado.

A proibição está na Lei Estadual nº 6293/2024 e foi reforçada pela Lei Municipal nº 7451/2025.

Leucena (Leucaena leucocephala)

A leucena é classificada como espécie exótica invasora e altamente agressiva. Ela cresce rápido, se espalha com facilidade e compete com a vegetação nativa, comprometendo a diversidade ecológica dos ambientes onde se instala. Sua erradicação está prevista na Lei Municipal nº 7418/2025.

Como acessar o guia completo

O Guia de Identificação de Árvores de Campo Grande está disponível gratuitamente para consulta online no site da Prefeitura. Com mais de 50 espécies catalogadas, fotos e informações técnicas acessíveis, é uma ferramenta valiosa tanto para quem quer plantar quanto para quem trabalha com paisagismo, educação ambiental ou conservação.

👉 Acesse o guia completo aqui

Campo Grande mais verde e com consciência

Ser a cidade mais arborizada do Brasil não é um acidente. É o resultado de décadas de política pública, de moradores que se importam com o que plantam na calçada e de uma cultura que entende a árvore como parte da cidade — não como enfeite.

A Regra 3-30-300, que Campo Grande está adotando como meta para 2026, resume bem esse espírito: todo morador deve conseguir ver pelo menos 3 árvores de casa, todo bairro deve ter pelo menos 30% de cobertura de copa e ninguém deve morar a mais de 300 metros de um parque ou área verde.

Para quem gosta do mato, como a gente, isso é uma ótima notícia. E começa com a escolha certa na hora de plantar.


Quer explorar mais sobre a natureza de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul?

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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