Roteiro afroturístico de Corumbá chega à final de prêmio nacional de sustentabilidade
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Roteiro afroturístico de Corumbá chega à final de prêmio nacional de sustentabilidade

08 de setembro de 2026 5 min de leitura 5 visualizações

O Circuito Kaô de Xangô, da Bela Oyá Pantanal, primeira agência receptiva de afroturismo de MS, está entre os 34 finalistas do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2026, reconhecido pela Organização Mundial do Turismo; Corumbá tem mais de 73% de população afrodescendente e cerca de 400 terreiros.

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O Pantanal mostrado ao turista não se resume à planície alagada, à pesca e aos animais silvestres. Também é negro, religioso e ancestral. E agora essa história, que durante muito tempo esteve ausente dos roteiros tradicionais, chegou à vitrine do turismo nacional.

O Circuito Kaô de Xangô, roteiro de afroturismo que conecta visitantes, moradores e devotos às manifestações que celebram o sincretismo do Banho de São João e ao patrimônio vivo de Corumbá, é um dos 34 projetos finalistas da edição de 2026 do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade.

Reconhecido pela Organização Mundial do Turismo, o prêmio foi criado em 2012 pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo com o propósito de identificar, reconhecer e valorizar iniciativas que unem turismo, inovação e responsabilidade socioambiental. Os 34 finalistas estão distribuídos por 13 estados e contemplam as cinco macrorregiões do país.

Reprodução: divulgação / Prefeitura de Corumbá

A primeira agência de afroturismo de MS

Por trás do Circuito Kaô de Xangô está Thayná Cambará, empreendedora corumbaense que criou a Bela Oyá Pantanal, a primeira agência receptiva de afroturismo de Mato Grosso do Sul.

O nome não é aleatório. Oyá é uma orixá do candomblé associada aos ventos, às tempestades e à transformação, uma referência que dialoga diretamente com o que Thayná propõe: transformar a invisibilidade histórica do Pantanal Negro em experiência turística, identidade e renda para quem mantém essa cultura viva.

“Estar entre os 34 finalistas é uma conquista muito especial para nós. Chegar a essa etapa mostra que um trabalho que nasce em Corumbá, da nossa ancestralidade, dos povos de terreiro e da valorização do Pantanal Negro pode ocupar espaços importantes do turismo nacional. Mais do que um reconhecimento, eu vejo essa conquista como uma honra a quem veio antes de nós e manteve esses saberes, essas tradições e esse patrimônio vivos”, afirma Thayná.

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O que é o Circuito Kaô de Xangô

O roteiro propõe uma imersão nas manifestações culturais e religiosas ligadas ao Banho de São João, celebração realizada tradicionalmente entre os dias 22 e 23 de junho e reconhecida, desde 2021, como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

A experiência inclui participação no cortejo com a imagem de São João, passagem pela Ladeira Cunha e Cruz, visita à casa de festeiros e contato com a gastronomia de terreiro. Ao longo do percurso, o visitante acompanha as ladainhas e os ritmos que lembram o frevo ao som da banda de sopro, numa celebração que une fé, ancestralidade e cultura afro-brasileira.

O Banho de São João é registrado em Corumbá desde o fim do século 19. É um dos eventos mais singulares do calendário cultural de MS e um dos menos conhecidos fora do estado.

O Pantanal Negro que o turismo ainda não conhece direito

Para entender por que esse roteiro importa, é preciso entender Corumbá. A cidade tem mais de 73% de população afrodescendente, segundo o censo do IBGE, e abriga cerca de 400 terreiros de umbanda e candomblé. É um dos municípios com maior presença afro-brasileira do Centro-Oeste e um dos menos associados a essa identidade quando o assunto é turismo.

“Nosso propósito não é apenas levar visitantes para conhecer uma experiência. É fazer com que o turismo reconheça quem construiu essa história, gere oportunidades para quem mantém essa cultura viva e ajude a colocar Corumbá e o Pantanal Negro em novas narrativas do turismo brasileiro”, afirma Thayná.

Para o diretor-presidente da Fundação de Turismo do Pantanal, Zelinho Carvalho, o projeto transforma memória e tradição em experiência turística concreta: “Valorizamos sempre um turismo mais diverso, inclusivo, sustentável e conectado à nossa identidade.”

Da WTM ao documentário Pantanal Negro

O reconhecimento do Prêmio Braztoa não é o único movimento que coloca o afroturismo de Corumbá no mapa nacional. Em abril de 2026, a Bela Oyá Pantanal marcou presença na WTM Latin America, um dos maiores eventos de turismo da América Latina, com três ações principais: apresentação do Circuito Kaô de Xangô como modelo de turismo comunitário no espaço do Sebrae Nacional, um talk sobre afroturismo brasileiro e o pré-lançamento do documentário Pantanal Negro.

O documentário, ainda sem data de estreia confirmada, promete dar ainda mais visibilidade à história que Thayná e a Bela Oyá Pantanal vêm construindo, e colocar o Pantanal Negro numa tela que o Brasil inteiro vai poder ver.

“É o ponto de virada”

Thayná é direta ao avaliar o momento: “O afroturismo no Pantanal está transformando histórias em oportunidades e modelo de negócios, expandindo serviços e gerando pertencimento, inovação e valorização do território e do patrimônio. A cultura pode ser uma estratégia de desenvolvimento econômico. É o ponto de virada”.

A frase resume bem o que o Circuito Kaô de Xangô representa, não apenas como produto turístico, mas como afirmação de que Corumbá tem muito mais a oferecer do que o Pantanal que o turismo convencional aprendeu a vender.

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aquelemato
Colaborador · AqueleMato

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