O aumento equivale a mais de 2,8 milhões de campos de futebol a mais sob vigilância permanente — e chega no momento em que Corumbá registra 43°C e os ventos do norte sopram a mais de 50 km/h no Pantanal, criando as condições mais perigosas para incêndios florestais de toda a primavera.
O sistema, desenvolvido pela startup brasileira Um Grau e Meio e em operação desde 2022, usa câmeras com visão computacional para identificar fumaça “ainda nos primeiros momentos, quando o fogo tem menor potencial de queima” — antes que o calor chegue ao satélite. Os algoritmos dos satélites convencionais levam entre 6 e 8 horas para confirmar um foco. O sistema do IHP gera alertas em minutos.
Por que o território Guató muda o quadro
A Aldeia Guató Uberaba fica na Ilha Ínsua, dentro da área de influência da Serra do Amolar — uma das regiões mais remotas e ecologicamente sensíveis do Pantanal. A inclusão desse território no sistema não é só uma expansão técnica: é a primeira vez que a Brigada Uberaba Guató passa a operar integrada à rede de monitoramento que também conecta o Exército Brasileiro, o Prevfogo/Ibama, corpos de bombeiros de MS e MT e a Armada Boliviana.
Essa integração tem consequência direta: quando um foco é detectado na região do território Guató, o alerta chega simultaneamente a brigadistas indígenas treinados e a agentes de resposta institucional. A resposta coordenada, que antes dependia de comunicação fragmentada, passa a ser automática.
A Serra do Amolar concentra algumas das áreas de maior biodiversidade do Pantanal e é parte da Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar. É também a porta de entrada para o Pantanal mais preservado que existe em Mato Grosso do Sul — o mesmo Pantanal que sustenta o ecoturismo de safári fotográfico e avistamento de onças-pintadas que atrai visitantes ao nosso estado o ano todo.
Um sistema que cresce com o problema
O IHP não está sozinho nessa rede. Mais de 100 instituições internacionais fazem parte do sistema, que conecta Brasil, Bolívia e EUA. Em 2024, entre 28 e 34 milhões de hectares foram destruídos por incêndios na Amazônia, na Floresta Seca Chiquitana e no Pantanal — o equivalente a 39 milhões de campos de futebol. O fundo South America Fire Fund, que reúne comprometimentos de mais de US$35 milhões de fundações como Gordon Moore e Packard, deve ampliar ainda mais a capacidade de resposta nos próximos anos.
A lógica é simples: quanto antes o fogo é detectado, menor a área queimada, menor o custo de combate e maior a chance de manter os ecossistemas intactos. Um hectare de Pantanal que não queima é um hectare que continua drenando água, abrigando fauna e sustentando o tipo de paisagem que faz de destinos como o Pantanal do Miranda e a região de Corumbá alguns dos pontos de avistamento de fauna mais ricos do Brasil.
O que muda na prática para o ecoturismo
Incêndios no Pantanal afetam diretamente os roteiros de ecoturismo: fumaça densa, odor, redução da visibilidade e fuga de animais são consequências imediatas de focos mal controlados. Um sistema que detecta e responde mais rápido significa temporadas de visitação menos interrompidas, animais menos deslocados e destinos mais estáveis para quem planeja viagem.
Para quem quer conhecer o Pantanal enquanto ele ainda tem toda sua grandeza, a janela é agora. Confira os destinos catalogados pelo Aquele Mato na região de Corumbá e Miranda — incluindo roteiros de safari fotográfico e flutuação no Pantanal sul-mato-grossense.
Fontes
Instituto Homem Pantaneiro (IHP), publicado em 25 de setembro de 2026. Startup Um Grau e Meio (desenvolvedora do sistema). Dados sobre South America Fire Fund via IHP e Conservation X Labs.
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