Pantanal registra menor área queimada em 41 anos, mas Corumbá ainda lidera ranking de devastação histórica
Conservação & Meio Ambiente

Pantanal registra menor área queimada em 41 anos, mas Corumbá ainda lidera ranking de devastação histórica

22 de julho de 2026 5 min de leitura 2 visualizações

Relatório Anual do Fogo do MapBiomas aponta que o bioma teve 121 mil hectares atingidos em 2025 – queda de 85,6% em relação à média histórica e o melhor resultado desde o início do monitoramento; mesmo assim, metade ou mais da vegetação queimada no Pantanal apresentou severidade alta ou muito alta

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Há uma boa notícia vinda do Pantanal, e ela merece ser contada com cuidado, sem exagero, mas também sem subestimar o que representa.

Em 2025, o Pantanal registrou a menor área queimada em 41 anos de monitoramento: apenas 121 mil hectares atingidos pelo fogo, uma redução de 85,6% em relação à média histórica do bioma. Foi a maior queda proporcional entre todos os biomas brasileiros, segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado hoje pelo MapBiomas.

“A queda interrompe uma sequência de anos de expansão do fogo e devolve o país a um patamar historicamente mais baixo de área queimada”, avalia a organização no relatório.

Para quem acompanhou o Pantanal queimar em 2020 — quando o bioma perdeu mais de 4 milhões de hectares, o equivalente a mais de 26% de toda sua extensão — e viu os anos seguintes repetirem cenas de fumaça e animais fugindo, essa notícia tem um peso especial.

Os números que importam

Pantanal em chamas
Foto: Chico Ribeiro/GOV-MS/AFP

A queda de 2025 é expressiva em qualquer contexto. Os 121 mil hectares queimados contrastam com uma média histórica de 840 mil hectares por ano no bioma, o que significa que o Pantanal queimou, no ano passado, apenas uma fração do que costuma queimar.

Mas há um dado que contextualiza e relativiza o otimismo: metade ou mais da vegetação atingida no bioma apresentou severidade alta ou muito alta. Isso significa que, embora a extensão tenha caído drasticamente, as chamas que ocorreram causaram danos mais intensos do que a média nacional. Onde o fogo entrou, entrou fundo.

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Outro número que persiste independentemente da boa notícia de 2025: mais de 80% de toda a área queimada historicamente no Pantanal atingiu vegetação nativa. A proporção é semelhante no Cerrado e contrasta com o que acontece na Amazônia e na Mata Atlântica, onde o fogo ocorre principalmente em áreas já modificadas pela ação humana, como pastagens.

Corumbá: a cidade que carrega o peso do histórico

A boa notícia de 2025 não apaga um registro que permanece: Corumbá lidera o ranking nacional de área queimada acumulada desde 1985, ao lado de São Félix do Xingu, no Pará.

O município concentra grande parte do Pantanal sul-mato-grossense e, ao longo de quatro décadas de monitoramento, acumulou uma das maiores extensões de vegetação destruída pelo fogo em todo o Brasil. Esse dado não é uma crítica à cidade — é um retrato da vulnerabilidade estrutural de um bioma que depende do equilíbrio entre cheias, secas e fogo para existir, e que nas últimas décadas tem enfrentado esses fatores em desequilíbrio crescente.

Como já reportamos aqui no Aquele Mato, Corumbá também liderou o ranking nacional de perda de superfície de água em 2025, com redução de 56,7% em relação à média histórica. São dois rankings que ninguém quer liderar, e que juntos pintam um retrato difícil da realidade pantaneira.

E o resto do Brasil?

A melhora não foi só no Pantanal. Em todo o Brasil, 12,7 milhões de hectares queimaram em 2025, ou seja, 31% abaixo da média histórica anual de 18,4 milhões de hectares, e quase a metade da área registrada em 2024.

A redução foi puxada principalmente pela Amazônia, que passou de 15,8 milhões de hectares queimados em 2024 — o maior número da série histórica — para apenas 3,1 milhões em 2025, o menor resultado já registrado no bioma.

Já o Cerrado segue como o bioma mais atingido pelo fogo no país. Foram 8,7 milhões de hectares queimados em 2025, próximo à média anual de 9,6 milhões. E o bioma acumula outro dado preocupante: desde 1985, 66% de tudo que já foi atingido pelo fogo no Cerrado queimou mais de uma vez.

A pesquisadora Vera Laísa Arruda, do MapBiomas Fogo e do IPAM, alerta para o risco dessa frequência: “Quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação do bioma.”

Uma boa notícia que pede cuidado

O resultado de 2025 é um sinal positivo, mas não é uma vitória definitiva. O Pantanal ainda enfrenta uma seca histórica, com umidade do ar atingindo 10% em algumas regiões neste julho e o estado de Mato Grosso do Sul em emergência ambiental por 180 dias. Os focos de incêndio desta temporada seca já começam a aparecer nas bordas do bioma.

O que 2025 mostrou é que é possível reverter uma tendência, e que as políticas de prevenção, as brigadas de combate a incêndios e o trabalho das comunidades locais fazem diferença real quando são colocados em prática de forma consistente.

Preservar o que foi conquistado em 2025 vai exigir o mesmo esforço — ou mais — no ano que está começando a queimar.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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