PSA Conservação remunera produtores do Pantanal por manter vegetação nativa em pé
Conservação & Meio Ambiente

PSA Conservação remunera produtores do Pantanal por manter vegetação nativa em pé

19 de junho de 2026 5 min de leitura 0 visualizações

Produtores do Pantanal recebem pagamento por conservar vegetação nativa além da lei; primeiro edital do PSA já repassou R$ 3 milhões a 40 famílias

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Quarenta produtores rurais do Pantanal sul-mato-grossense já receberam, juntos, cerca de R$ 3 milhões para manter mais de 112 mil hectares de vegetação nativa preservada além do que a lei exige. O repasse é resultado do primeiro edital do PSA Conservação e Valorização da Biodiversidade, programa estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) que paga, em dinheiro, quem protege o nosso bioma.

O PSA Conservação é um dos dois braços do PSA Bioma Pantanal, iniciativa do Governo de Mato Grosso do Sul apontada como pioneira no país. O programa é exclusivo para proprietários rurais da planície pantaneira que preservam vegetação nativa acima do mínimo exigido pelo Código Florestal, ou seja, premia quem conserva mais do que precisaria.

Reprodução: SOS Pantanal

Como funciona o pagamento por conservação

A lógica do PSA Conservação é simples: quanto mais área de vegetação nativa excedente um produtor mantém, maior o valor que recebe. O dinheiro não é doação nem compensação ambiental, é remuneração direta por um serviço ambiental prestado: manter o Pantanal em pé, com fauna, ciclo hidrológico e cultura pantaneira preservados.

Segundo Letícia Walter, coordenadora do programa PSA na Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semadesc), o perfil dos proprietários aprovados varia bastante: vão de famílias pantaneiras tradicionais a propriedades voltadas especificamente para a conservação. O PSA Bioma Pantanal tem três frentes, e uma delas é o PSA Brigadas, destinado a ONGs, e as outras duas compõem o PSA Conservação, voltado aos donos de terra com área de vegetação nativa excedente.

Fazenda Jaguarte, na Serra do Amolar, mostra o programa na prática

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Um dos primeiros contemplados é Diego Vieira, responsável pela Fazenda Jaguarte, na região da Serra do Amolar — extremo oeste do Pantanal, na fronteira com a Bolívia. A propriedade entrou no programa em dezembro do ano passado e é voltada à conservação da biodiversidade, à proteção da fauna e ao bem-estar das pessoas e dos ecossistemas locais, em respeito à cultura tradicional da região.

“O PSA é uma ferramenta importante para estimular a conservação, pois reconhece e valoriza economicamente os produtores que mantêm áreas preservadas e adotam boas práticas ambientais. O programa contribui para compensar parte dos custos da conservação e incentiva a proteção dos recursos naturais”, afirma Vieira.

Na Fazenda Jaguarte, o recurso do PSA ajudou a financiar a construção e a manutenção de aceiros — faixas de terra limpa que funcionam como barreira contra o fogo — feitas pela Brigada Comunitária da Serra do Amolar. A iniciativa, criada pela ONG Ecoa em parceria com a WWF-Brasil, reforça a prevenção e o combate a incêndios numa das regiões mais isoladas e mais críticas do Pantanal quando o assunto é fogo.

Os números do primeiro edital — e o que vem no segundo

O primeiro edital do PSA Conservação, lançado em dezembro de 2025, já tem resultado consolidado: 40 proprietários rurais contemplados, cerca de R$ 3 milhões transferidos e mais de 112 mil hectares de área de vegetação nativa excedente protegida no Pantanal. Um segundo edital está em andamento, na etapa de avaliação das propriedades inscritas, com resultado previsto para o mês que vem.

PSA Brigadas: o outro lado da moeda no combate ao fogo

Enquanto o PSA Conservação remunera quem preserva, o PSA Brigadas financia quem combate incêndios. Já foram investidos R$ 6,1 milhões em 13 projetos de sete ONGs que desenvolvem ações integradas de desenvolvimento sustentável voltadas à qualidade de vida da população pantaneira. No primeiro edital do PSA Brigadas, 28 organizações se inscreveram e 17 projetos foram classificados, com valores de até R$ 500 mil cada — recursos usados para fortalecer brigadas comunitárias, voluntárias e privadas, além de ações de educação ambiental sobre uso do fogo dentro dos limites do bioma Pantanal.

De onde vem o dinheiro

Os dois programas são financiados pelo Fundo Clima Pantanal — oficialmente Fundo Estadual de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Pantanal —, criado pela Lei do Pantanal (Lei Estadual nº 6.160, de 18 de dezembro de 2023) e regulamentado pelo Decreto Estadual nº 16.556, de 6 de fevereiro de 2025. O Governo do Estado destina R$ 40 milhões por ano ao fundo, que tem como finalidade promover o desenvolvimento sustentável do bioma, gerir os recursos financeiros das ações de PSA na planície pantaneira e apoiar ações de conservação dos ecossistemas.

Para quem acompanha o que está em jogo na conservação do Pantanal, o PSA Conservação é um lembrete prático de que proteger o bioma também pode — e deve — ser economicamente viável para quem vive e trabalha nele. É esse tipo de equilíbrio entre conservação e renda que sustenta o Pantanal de pé para as próximas gerações.

Quer conhecer de perto as regiões que esses produtores ajudam a proteger? Veja nossas sugestões de destinos no Pantanal em https://aquelemato.org/destinos/

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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