SOS Pantanal publica nota técnica sobre os impactos da ponte no rio São Lourenço
Projetos Ambientais

SOS Pantanal publica nota técnica sobre os impactos da ponte no rio São Lourenço

20 de outubro de 2026 3 min de leitura 4 visualizações
Neste artigo
Publicidade

O SOS Pantanal divulgou na segunda-feira (19) uma nota técnica sobre a ponte no rio São Lourenço, que ligaria a Transpantaneira (MT) à MS-214 (MS), e pede EIA/RIMA, audiências públicas e consulta às comunidades.

A obra é discutida desde 2024 pelos governos de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul. Na época, a Agesul estimou a ponte em cerca de 300 metros e entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões, com custo dividido igualmente entre os dois estados. O projeto seria elaborado por Mato Grosso.

Pelo desenho apresentado em 2024, a ponte conectaria o fim da Transpantaneira, na região de Porto Jofre, em Poconé (MT), à MS-214, rodovia estadual que também está em obras em MS. Seria a primeira ligação rodoviária direta entre os dois lados do Pantanal.

Reprodução: Agesul

O alerta: a ponte é só o começo

A pergunta central da nota é o que acontece se a Transpantaneira virar um corredor rodoviário entre os dois estados. Segundo o documento, “a ponte abre caminho para outros impactos”, e os efeitos indiretos são o ponto de maior preocupação.

Entre os riscos listados pelo SOS Pantanal estão a abertura de novos acessos a áreas remotas, sem drenagem adequada à dinâmica das cheias, e o aumento do risco de desmatamento e de incêndios. O texto cita ainda atropelamentos de fauna, como onça-pintada e cervo-do-pantanal, e compara a situação com o que já ocorre na BR-262.

Onça-pintada e turismo de observação

A região de Porto Jofre é conhecida mundialmente pelo turismo de observação de onças-pintadas. Segundo o Jaguar ID Project, citado em reportagem da Faunanews de 2024, mais de 400 indivíduos já foram identificados ali desde 2013. A nota técnica alerta que mais veículos e visitantes podem pressionar os animais e alterar o comportamento deles, e que as comunidades locais sofreriam pressão sobre território e recursos.

Publicidade

Licenciamento sem documentos públicos

Os autores afirmam que, até a elaboração da nota, não localizaram EIA/RIMA nem licenças ambientais em domínio público. Em 2024, o governo de Mato Grosso dizia que o projeto estava em fase inicial, com estudos ambientais ainda por fazer. O governo de MS afirmava não haver planos de pavimentar a Transpantaneira nem a MS-214.

O que muda na prática

O SOS Pantanal recomenda avaliar a ponte, seus acessos e a integração rodoviária como um único sistema, e não como obras isoladas. Pede estudos de impacto ambiental, audiências públicas e consulta prévia às comunidades locais. Para quem vive do turismo de natureza no Pantanal, a discussão define se a Transpantaneira mantém o perfil atual ou passa a receber tráfego de passagem.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade