O SOS Pantanal divulgou na segunda-feira (19) uma nota técnica sobre a ponte no rio São Lourenço, que ligaria a Transpantaneira (MT) à MS-214 (MS), e pede EIA/RIMA, audiências públicas e consulta às comunidades.
A obra é discutida desde 2024 pelos governos de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul. Na época, a Agesul estimou a ponte em cerca de 300 metros e entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões, com custo dividido igualmente entre os dois estados. O projeto seria elaborado por Mato Grosso.
Pelo desenho apresentado em 2024, a ponte conectaria o fim da Transpantaneira, na região de Porto Jofre, em Poconé (MT), à MS-214, rodovia estadual que também está em obras em MS. Seria a primeira ligação rodoviária direta entre os dois lados do Pantanal.

O alerta: a ponte é só o começo
A pergunta central da nota é o que acontece se a Transpantaneira virar um corredor rodoviário entre os dois estados. Segundo o documento, “a ponte abre caminho para outros impactos”, e os efeitos indiretos são o ponto de maior preocupação.
Entre os riscos listados pelo SOS Pantanal estão a abertura de novos acessos a áreas remotas, sem drenagem adequada à dinâmica das cheias, e o aumento do risco de desmatamento e de incêndios. O texto cita ainda atropelamentos de fauna, como onça-pintada e cervo-do-pantanal, e compara a situação com o que já ocorre na BR-262.
Onça-pintada e turismo de observação
A região de Porto Jofre é conhecida mundialmente pelo turismo de observação de onças-pintadas. Segundo o Jaguar ID Project, citado em reportagem da Faunanews de 2024, mais de 400 indivíduos já foram identificados ali desde 2013. A nota técnica alerta que mais veículos e visitantes podem pressionar os animais e alterar o comportamento deles, e que as comunidades locais sofreriam pressão sobre território e recursos.
Licenciamento sem documentos públicos
Os autores afirmam que, até a elaboração da nota, não localizaram EIA/RIMA nem licenças ambientais em domínio público. Em 2024, o governo de Mato Grosso dizia que o projeto estava em fase inicial, com estudos ambientais ainda por fazer. O governo de MS afirmava não haver planos de pavimentar a Transpantaneira nem a MS-214.
O que muda na prática
O SOS Pantanal recomenda avaliar a ponte, seus acessos e a integração rodoviária como um único sistema, e não como obras isoladas. Pede estudos de impacto ambiental, audiências públicas e consulta prévia às comunidades locais. Para quem vive do turismo de natureza no Pantanal, a discussão define se a Transpantaneira mantém o perfil atual ou passa a receber tráfego de passagem.
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