O nome assusta. A história, mais ainda. Mas o Trem da Morte, agora rebatizado oficialmente de Expresso Oriental, voltou aos trilhos em 2026, depois de seis anos parado pela pandemia de Covid-19.
Para quem está em Corumbá ou planeja visitar a Capital do Pantanal, a novidade é especialmente interessante: o embarque acontece na estação de Puerto Quijarro, cidade boliviana que faz fronteira com o Brasil, a cerca de 11 quilômetros da Cidade Branca. Um táxi do lado boliviano cobre esse trecho por entre 15 e 25 bolivianos. Daí em diante, começa uma das viagens ferroviárias mais fascinantes da América do Sul.
Como funciona o serviço

O trem parte de Puerto Quijarro aos domingos, às 13h, com destino a Santa Cruz de la Sierra, principal centro urbano da Bolívia. O trajeto de volta é realizado às sextas-feiras, no mesmo horário. O percurso total é de aproximadamente 618 quilômetros, com duração média de 20 horas.
Ao longo do caminho, o trem faz paradas intermediárias em El Carmen, Roboré e San José. As passagens custam em média entre 220 e 230 bolivianos, o equivalente a aproximadamente R$ 168 a R$ 176, dependendo da categoria do assento. Os bilhetes podem ser comprados online pelo site Tickets Bolivia ou diretamente na estação ferroviária de Puerto Quijarro.
A proposta do governo boliviano é transformar o tradicional trajeto ferroviário em um produto turístico, mantendo também a relevância do modal para o transporte de cargas no país. O serviço é operado por um ferrobús com capacidade para 42 passageiros.
Por que se chama Trem da Morte
O nome carrega história e não é apenas marketing de viagem de aventura. O apelido surgiu na década de 1950, quando a linha ligava Corumbá a Santa Cruz e chegou a ser utilizada para transportar doentes e vítimas de epidemias, como a febre amarela.
A fama se consolidou nos anos 1980, quando mochileiros passaram a incluir o percurso nos roteiros pela América do Sul. Cercado por desfiladeiros, pontes e paisagens naturais da região da Chiquitania, o trajeto ganhou notoriedade entre viajantes que seguiam rumo ao Peru e a destinos como Machu Picchu.
Hoje, o apelido permanece, mas o serviço que voltou é mais confortável do que a versão original. As poltronas foram renovadas, a estrutura de embarque em Puerto Quijarro tem guichês e área de espera adequadas, e o objetivo declarado do governo boliviano é atrair turistas, não apenas passageiros em trânsito.
A Chiquitania: o tesouro que o trem atravessa
Para quem embarca pela primeira vez, a paisagem é a maior surpresa do percurso. A rota atravessa a região da Chiquitania, no departamento de Santa Cruz, região marcada por áreas de vegetação, pequenas comunidades, formações naturais e cidades históricas.
A Chiquitania é uma região da Bolívia pouco visitada e explorada no ramo turístico, porém, com uma riqueza cultural e histórica muito grande. Trata-se de uma região de antigas missões jesuíticas, todas erguidas entre 1691 e 1760, que ficaram como legado por serem as únicas missões na América do Sul que não foram destruídas depois da expulsão dos jesuítas das colônias espanholas.
Ao longo do percurso, cidades como Roboré oferecem acesso a pontos turísticos como Santiago de Chiquitos e Aguas Calientes, termas naturais em meio à vegetação boliviana. É o tipo de parada que transforma uma viagem de trem num roteiro de turismo de natureza e história.
A conexão com a Rota Bioceânica e o futuro de Corumbá
A retomada do Trem da Morte não é apenas uma boa notícia para mochileiros e aventureiros. Para Corumbá, o trem fortalece o Porto Seco e o turismo pantaneiro, conectando a cidade à Rota Bioceânica, corredor que integra Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina num eixo continental.
Como já mostramos aqui no Aquele Mato, Corumbá lançou recentemente QR Codes em imóveis históricos e sedia iniciativas de turismo acessível, ou seja, são sinais de uma cidade que está se preparando para receber visitantes de diferentes perfis e origens. A volta do trem, combinada com o avanço da Rota Bioceânica, coloca Corumbá numa posição estratégica que ela ainda está aprendendo a aproveitar.
Para o viajante que chega a Corumbá pelo Pantanal e quer ir mais longe ou para quem quer entrar no Brasil pelo lado boliviano com uma experiência que poucos esquecem, o Expresso Oriental voltou. E vale cada hora das 20 que a viagem dura.
SERVIÇO
Expresso Oriental (Trem da Morte)
📍 Embarque: Estação de Puerto Quijarro — a 11 km de Corumbá
📅 Domingos às 13h (Puerto Quijarro → Santa Cruz de la Sierra)
📅 Sextas-feiras às 13h (Santa Cruz de la Sierra → Puerto Quijarro)
⏱ Duração média: 20 horas
🎟 Passagens: ~R$ 160 a R$ 176
🔗 Compra online: ticketsbolivia.com ou na estação de Puerto Quijarro
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