Desmatamento cai 65% no Pantanal e 11,5% no Cerrado, mostra levantamento do Inpe
Conservação & Meio Ambiente

Desmatamento cai 65% no Pantanal e 11,5% no Cerrado, mostra levantamento do Inpe

08 de agosto de 2026 3 min de leitura 0 visualizações

Inpe registra queda de 65% no desmatamento do Pantanal e 11,5% no Cerrado entre agosto de 2024 e julho de 2025, acompanhando a redução nacional.

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O desmatamento caiu 65% no Pantanal e 11,5% no Cerrado, os dois biomas presentes em Mato Grosso do Sul, no ciclo entre agosto de 2024 e julho de 2025. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com base no monitoramento anual por satélite da vegetação nativa feito pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite). Os dois biomas acompanharam a tendência de queda registrada em todo o país, que teve redução de 20% no desmatamento consolidado.

Os números por bioma

Pantanal em chamas
Foto: Chico Ribeiro/GOV-MS/AFP

O Pantanal apresentou a maior queda proporcional entre todos os biomas brasileiros monitorados pelo Prodes: 291 km² de área desmatada no ciclo analisado. O levantamento divulgado nesta sexta não detalha qual fração desse total corresponde à parcela do bioma dentro de Mato Grosso do Sul — o Pantanal também se estende por Mato Grosso e por parte da Bolívia e do Paraguai.

Já o Cerrado perdeu 7.235 km² de vegetação nativa, mesmo com a queda de 11,5% em relação ao ciclo anterior. Apesar da redução, o bioma segue concentrando, desde 2023, a maior área total desmatada do país, pressão que o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, atribuiu principalmente ao Matopiba, região formada por partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Os outros biomas brasileiros também tiveram queda no período: a Amazônia registrou 5.111 km² desmatados (-15,8%), a Caatinga somou 2.289,54 km² (-34,3%), a Mata Atlântica teve 402,36 km² (-15,32%) e o Pampa chegou a 305,48 km² (-41,7%).

O que os alertas mais recentes mostram

Além do levantamento consolidado do Prodes, o Inpe apresentou nesta sexta-feira os dados mais recentes do Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real), que funciona de forma diferente e produz alertas frequentes para orientar ações de fiscalização. Esses números cobrem o período entre agosto de 2025 e julho de 2026, ou seja, já refletem o momento mais atual da fiscalização ambiental.

No Cerrado, a área sob alerta de desmatamento somou 5.119,46 km² nesse intervalo, uma queda de 7,8% em relação aos 12 meses anteriores e a menor área registrada nos últimos cinco anos pelo sistema. A Amazônia teve queda ainda mais expressiva nos alertas: 2.874,38 km², redução de 36% e o menor resultado da série histórica do Deter, 55,6% abaixo da média da última década.

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Por que isso importa para quem vive no Pantanal e no Cerrado de MS

Os dados do Prodes e do Deter são a base usada pelo poder público para orientar políticas de fiscalização e conservação — incluindo ações como a criação, nesta semana, de uma unidade regional do Ministério Público de Mato Grosso do Sul dedicada a casos de incêndio e desmatamento (leia mais abaixo). Uma queda consistente no desmatamento de dois biomas que sustentam boa parte do ecoturismo sul-mato-grossense — dos passeios no Pantanal às trilhas na Serra da Bodoquena — é também um indicador direto da saúde da paisagem que atrai visitantes para o Estado.

Os resultados foram apresentados durante cerimônia pelos 65 anos do Inpe, em São José dos Campos (SP), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reafirmou o compromisso do país com a meta de desmatamento zero até 2030. O Inpe produz estimativas anuais de desmatamento desde 1988 e hoje acompanha a supressão de vegetação nativa em todos os biomas brasileiros.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato

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